quarta-feira, 28 de abril de 2010

07.05.2003

Quando não sabia o que escrever, apesar do desejo de dizer, ficava parado segurando a caneta com a mão esquerda, enquanto a direita pousava sobre suas pernas, acariciando-as lentamente. Olhando ao redor, reparando a cama bem forrada, seus livros, o ventilador, os sapatos, todo o quarto. A porta sempre fechada. E olhava também além; via através da janela, o céu. E o quintal antes do céu. Havia a sensação de estar perdido e, justamente, por isso, mirava o céu, o alto.
Sempre que viajava para um lugar desconhecido e, por acaso, se perdia, costumava olhar para o alto, em busca de um ponto de referência. Encontrava o céu e depois se encontrava... Mesmo que fosse para decidir não escrever naquele dia.


* Imagem de arquivo pessoal.

P. T. D. - 5*

Gato 1 x Rato -1

* 25.03.2010.

domingo, 25 de abril de 2010

P. T. D. - 4*

O rato roeu a roupa do Sr. Reticente.
O Sr. Reticente rosnou raivoso "rato ridículo!"


* 23.04.2010

Ímpar*

Par?!
Partido, só se for!
Repartido!
Par-tido: mas nem o tive para ser meu par.
Porém teve a mim. Para repartir-me.
Repartir-me: partir de mim outra vez


* 28.05.2000.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

As 4 primeiras linhas de 26.03.2003

Ele não sabia o que fazer. A ficção, quando aquilo, aqueles textos deixaram de ser ficção e passaram a ser um retrato do que realmente acontecia. Ele só sabia que precisava escrever, que não poderia parar. Escrever qualquer bobagem. (...).

P. T. D. - 3*

- Alô, é do Ibama?! Estou ligando para informar que eu descobri uma nova espécie de... Bem, não sei exatamente que bicho é esse, mas ele mora aqui em casa com a família e lembra um pernilongo, só que ele tem 8 patas enormes e emite um som parecido com o de um grilo no cio... Grilo entra no cio?!...


* Sem data, mas foi um dia desses, no começo do mês... Eu acho.

domingo, 18 de abril de 2010

P. T. D. - 2*

- Senhor, por favor, proteja o gatinho de todos os bichos dessa casa, ele é apenas um filhote e ainda é cedo para saber se defender. Obrigado. Boa noite. Amém!

* 04.04.2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Versão 14.04.2010 de 19.10.2006

Falta uma coisa aqui dentro de mim.
Há uma necessidade dentro de mim.
Não sei ao certo, não sei o que há.
Quando as coisas começam a ficar tristes,
quando eu penso mais em ir do que ficar.
Quando não há vontade de falar ou perguntar,
nem saber.
Vou pensando certas coisas,
desistindo de ideias,
fixando muitas outras,
pesando prós e contras.
Quando falta disciplina.
Quando falto, quando não vou.
Quando mesmo indo, não estou.
Peço a Deus que corra o tempo
ou pare pra eu descer.
Vai faltando um pouco mais
quando eu tento encontrar
uma razão , um motivo,
pra tanto abuso e agonia,
para tanta irritação.
Vou premeditando o fim, 
sentindo a hora chegar.
Tudo se apaga, escurece...
Mas bem lento, bem devagar.
E eu só peço que não falte
um lugar pra eu chorar.

domingo, 11 de abril de 2010

P. T. D. - 1*

- O que tá acontecendo, eu não entendo, mãe!?
- Você precisa ser forte, meu filho.
- Me diz, por favor!
- A Fada das gavetas não existe. As roupas sujas não ficam limpas sozinhas...
- Oh!
(Silêncio).

* Versão 11.04.2010 de 29.01.2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Introdução a Pequenas Tragédias Domésticas*



Aquele era o último dos 12 meses naquela casa. Definitivamente não era a casa dos seus sonhos; com o banheiro sem pia, o quarto sem porta, a poeira sem fim e todos aqueles insetos que ele nem sabia que existiam. Definitivamente não era seu lugar. Mas iria mudar em um mês e embora não soubesse exatamente para onde, o fato da eminente mudança por si só já alterava seu humor. Andava mais ansioso que de costume, alternando-se ora entre picos de impaciência, com um mal humor silencioso e concentrado; e ora, em rompantes de uma alegria histérica, contagiante.

Quando pensava no quanto ainda tinha de estar ali, apesar do pouco, se comparado ao que já havia estado, calava-se e assumia uma postura seca, fechada e ameaçadora, digna de se ter na porta da frente uma placa de alerta informando "Cuidado. Dono de casa feroz!". Tinha dias que não queria acordar para não se ver ali. Em outros, que não queria voltar pra dormir. Mas então pensava na próxima morada, nos erros que não cometeria durante à busca por um novo lar; na arrumação dos livros e filmes, no espaço das coisas, nas novas dificuldades de adaptação...

Mudar, para ele, que sempre foi tão difícil, tão cheio de dores, uma tarefa tão sobre-humana, era agora uma experiência vivida com certa satisfação. Ainda havia dor, ainda possuía suas limitações, mas aprendera a instigar-se com o novo, com o incerto, com os riscos de um passo mais ousado. Tanto que seu caminhar há muito já não era mais o mesmo com tantos tropeços e vacilos, agora firme e decidido. Seu olhar, mais atento e brilhante. Seus gestos, mais precisos. Sua voz, menos carregada de ansiedade. Suas roupas, mais bonitas. Seu cabelo, bem cortado. Tudo estava diferente, estava melhor. Mas longe da perfeição, claro.

Ainda estava ali. Ainda não havia mudado. Porém já havia dado início ao processo de despedida, de transição. Já havia desistido totalmente da casa, limitando-se a breves e pontuais faxinas, só pra não correr o risco de ver toda aquela biodiversidade sofrer um salto evolutivo bem diante dele. Faltava um mês e, nesses 30 dias restantes, ele já se permitira lembrar com bom humor do que ele chamava de... Pequenas Tragédias Domésticas.


* 05.04.2010
** Imagem copiada de um link que eu não lembro mais.

domingo, 4 de abril de 2010

02.04.2010

Você me diz espera...
Você me desespera!