quarta-feira, 30 de junho de 2010

Versão 12.05.2010 de 16.10.2000

Precisei de você hoje. É, de repente. Do nada pensei preciso de você hoje!

Quase entro em pânico! Por pouco acreditei na necessidade que senti de ti. Quase toquei essa sensação estranha. Falta esquisita. Sem lógica.

Voltei a mim e imediatamente procurei nos olhos das pessoas ao meu redor algum indício que as tivesse feito perceber a minha necessidade repentina de ti. Para minha alegria ninguém percebera.

Então saí... Despercebidamente estranho.


(É uma luta danada essa a de desgostar de alguém. Foi assim esse dia; já fazia tempo que tudo acabara, mas como uma onda de calor ou de frio, uma queda de pressão ou calafrio de espírito nos rondando, senti falta do que não tinha mais, do amor então quebrado, ferido. Sabe ferida cicatrizando? Se deixar quieta tudo parece estar no lugar, mas basta esbarrar, encostar acidentalmente em algo que a dor do corte levanta do sono irritado por ter sido acordado. Foi bem assim. Nem lembro o que me despertou a lembrança. Sei apenas que tive de juntar força para suportar a falta e ninar a saudade até fazê-la dormir novamente, sem que ninguém percebesse) - 21/06/2011.

domingo, 27 de junho de 2010

+ 18.06.2010



* Imagem gentilmente cedida por Gabriel Pinto (http://algumpoema.blogspot.com/).

Apesar de Você…*

CENA VI – O TÁXI **

(Glória acena para um táxi. O táxi pára. Glória entra no táxi. O táxi segue viagem.).

GLÓRIA: Bairro Tal, por favor!
ERNESTO: Pois não! (Olha-a pelo retrovisor.). A senhora…
GLÓRIA: Hein?!
ERNESTO: Nada não.
GLÓRIA: Como assim?
ERNESTO: Uma balinha?
GLÓRIA (Após uma rápida hesitação.): Aceito.
ERNESTO: É das boas!
GLÓRIA: Quem?
ERNESTO: A balinha!
GLÓRIA: Ãham! (Silêncio.). Eh…
ERNESTO: Como?
GLÓRIA: Dá para cortar caminho?
ERNESTO: Ah, claro!
GLÓRIA (Indicando.): Por aqui.
ERNESTO: Essa rua…
GLÓRIA: Mudou, não é?
ERNESTO: Desanimou.
GLÓRIA: A cor… O verde…
ERNESTO: Desbotou.
GLÓRIA: É, um pouco.
ERNESTO: O tempo…
GLÓRIA: Voa, né?
ERNESTO: As festas…
GLÓRIA: Lembra?
ERNESTO: De penetra!
GLÓRIA: Você…
ERNESTO: Sim?
GLÓRIA: Hulk?
ERNESTO: Quê?!
GLÓRIA: Desculpa!
ERNESTO: Bobagem!
GLÓRIA: O senhor…
ERNESTO: Hein?!
GLÓRIA: Ernesto?
ERNESTO: Eu.
GLÓRIA: Sou Glória! (Pequena pausa.).
ERNESTO: Glória?!
GLÓRIA: Glória!
ERNESTO: Mentira, Glória!
GLÓRIA: Verdade, Ernesto!
ERNESTO: Glória.
GLÓRIA: Ernesto.
ERNESTO: Glória!
GLÓRIA: Eu…
ERNESTO/GLÓRIA: E você. (Riem.).
ERNESTO: Voltei. E você?
GLÓRIA: Indo.
ERNESTO: Muito bonita!
GLÓRIA (Ela sorri. Pausa.): E lá?
ERNESTO: Difícil.
GLÓRIA: Agüentou?
ERNESTO: Normal. Apesar de você…
GLÓRIA: Coincidência!…
ERNESTO: Você acha?
GLÓRIA: Acho!
ERNESTO: Eu não sei.
GLÓRIA: Claro, você não ficou!
ERNESTO: Me deixou triste!
GLÓRIA: Eu?
ERNESTO: Sim.
GLÓRIA: Por quê?
ERNESTO: Não foi nem…
GLÓRIA: Naquele dia…
ERNESTO: Nossa despedida!
GLÓRIA: Ia chorar.
ERNESTO: Por me ver?
GLÓRIA: Queria te segurar!
ERNESTO: Era só o que você queria…
GLÓRIA: Eu te amava.
ERNESTO: Mas não foi!
GLÓRIA: E você? Também não ficou…
ERNESTO: Eu fui… Te amando…
GLÓRIA: Eu fiquei te amando… Em xeque.
ERNESTO: Não era um jogo de xadrez.
GLÓRIA: Posso tentar…
ERNESTO: Nem me procurou.
GLÓRIA: Você também.
ERNESTO: É. Nós dois. E o pessoal?
GLÓRIA: Por aí.
ERNESTO: E você?
GLÓRIA: O que é que tem?
ERNESTO: Bem?
GLÓRIA: Bem. Ainda joga xadrez?
ERNESTO: Está quase chegando.
GLÓRIA: Quero um parceiro.
ERNESTO: Então vamos…
GLÓRIA: Casei… Com o Paulinho.
ERNESTO: Glória, com o Paulinho?!
GLÓRIA: Foi. (Silêncio.).
ERNESTO: É aqui? (Ela confirma com a cabeça. Ele pára o carro.).
GLÓRIA: Ainda preciso de…
ERNESTO: Você casou.
GLÓRIA: Um parceiro para jogar xadrez. (Olham-se. Ela pega sua carteira. Ele estende a mão, indicando que não precisa. Ela guarda a carteira e desce do carro. Ele também desce do táxi.). Esse táxi…
ERNESTO: É meu.
GLÓRIA: Então, talvez…
ERNESTO: É, quem sabe?
GLÓRIA: E você?
ERNESTO: O que é que tem?
GLÓRIA: Bem?
ERNESTO: Bem.
GLÓRIA: Então tá… Tchau! (Ele acena com a cabeça e parte.).


* 2003.  Escrito em parceria com A. Danyelli.
** Cena inspirada em texto de Alcione Araújo (“A Raiz”, em Cinco Movimentos a duas Vozes).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

21.12.2009

Deve ser sono. Deve ser só sono.
Devo estar só. Com sono.
Não devo nada.
Vou dormir.
(...)
Só.

domingo, 20 de junho de 2010

01.03.2010

Perdendo o medo, ganhando o tempo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Versão 09.06.2010 de 26.10.2008



De repente uma claridade instaurou-se sobre minhas ideias.
E vi o que estava escondido.
Vi o que era difícil, doído.
De repente cansei de resistir e tudo se mostrou mais nítido.
E vi o que menti pra mim.
Vi que retomei o caminho.
De repente entendi das coisas com serenidade.
E vi o que já percorri.
Vi quem levo comigo.

* Imagem de arquivo pessoal.

domingo, 13 de junho de 2010

12.01.2010

Calma que amor chega já.
Ele me disse, mandou avisar.
Não adianta chamar!
Ele vem quando tiver vontade,
quando a gente não estiver esperando.
Calma que tem amor pra todo mundo.
Tem amor de todo jeito.
Tem amor pra cada um.
Calma, mas nada de se acomodar.
Tem que fazer sua parte.
Tem que carregar um coração leve,
sem mágoa nem medos,
sem culpa nem desconfiança.
E vamos rindo que chorando não tem graça
Ele está à espreita, não vai demorar!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Versão 09.06.2010 de 30.11.2009

Era tarde demais para sentir saudade.
Já era tarde para escrever o que estava engasgado.
Era muito tarde para saber como estava.
Era tarde para pedir atenção ou reclamar desculpas.
Já era tarde para saber o que queria.
Já era tarde para dizer o que pensava.
Era muito tarde e então...
Ele foi dormir.

domingo, 6 de junho de 2010

De porta aberta e casa vazia*

O azul no branco, não lia.
Escrevia mas não lia.
As palavras, mal escolhia.
Pratos na pia, não via.
A porta aberta, a casa vazia.
Na lembrança, nenhuma alegria.
Dobrava o branco com azul.
Tremia.
Segurando a mala,
o braço doía.
Na pressa, corria.
Da porta olhava a mesa.
Da carta, já se arrependia.
Na porta, chorava e sorria.
Se ia. De lá corria.
Fugia...

* Versão 06-07.06.2010 de 01.05.2004.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

(Con)versão 02.06.2010 de 21.11.1999

Não há demora quando se espera num lugar desses...

Eu ainda sou a parte boa da história?



- Não, eh... eu só liguei pra dizer que te amo.
- (chorando)
Eu também te amo.
- Eu merecia um soco!
-
Você não sabe o quanto.
- Você não sabe o
quanto. Você merecia um abraço!



- Oi. Liguei pra constar.


- Diga, vá! Diga! Diga, !

Somos dois egoístas.
Eu queria um lugar só meu.
É difícil não se envolver.

Agora sou eu quem não vai desistir de você. E não vou!
Só recebe ajuda quem pede.



- Qualquer coisa, ligue, viu?!
-
Você também.


Hoje, sou apenas mais um, no lugar de sempre, conversando com as mesmas pessoas...


Nós sempre sabemos o que está acontecendo. 
O que está pra acontecer.
Mas não dizemos.
Não fazemos nada.
Ou tudo ao contrário.
...