domingo, 29 de agosto de 2010

03.10.2009

E essas coisas que dizemos um para o outro em tom de brincadeira, é sério?
E o que contamos um para o outro sobre o que fizemos, é tudo?
E o que revelamos um para o outro sobre o que queremos, é mesmo?
E o que esperamos um do outro, é dado?
E o que sentimos um pelo outro, é isso?

19.01.2010

Falando com desconhecidos
Escrevendo para ninguém
Saindo com amigos
Rezando por todos
Dormindo sozinho
Sonhando contigo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Versão 22.08.2010 de 05.01.2004

Daí me peguei de frente para o espelho, cuspindo a pasta na pia, me preparando para deitar, pois no dia seguinte levantaria cedo. Ergo a cabeça e ainda com os lábios molhados e o hálito recém-mentolado, dou de cara comigo barbado. Quantas vezes já fiz isso na vida, isso de cuspir pra deitar? - A barba apesar de rala denunciava o tempo passado. - Detesto pêlos na cara!, pensei. E como quem deixa os pensamentos fluírem feito as águas de uma cachoeira, ou mesmo da pia onde acabara de cuspir; assim como essas águas correm, minhas lembranças correram dali para trás e de trás para frente, na mesma velocidade inalcançável que o tempo me levou do passado ao presente. Me ver de cara barbada me deu saudade de tanta coisa que fui dormir triste.

21.01.2010

Entre aspas e saia ponto final...

domingo, 15 de agosto de 2010

Versão 03.02.2010 de 18.12.2003

Dentro de mim você perdeu espaço.
Mudou-se de quarto.
Cruzou o corredor.
Atravessou a sala.
Passou da porta.
Saiu de mim.
Vive na rua.
Dorme lá fora.



* Imagem de arquivo pessoal.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem data*

Macaquinho, macaquinho, macaquinho!
No cangote do meu pai.
Por que parou?
Cresci.

* Algum dia entre 2005 e 2006.


(Eu me lembro de nós dois correndo pela sala, rindo muito, num desses momentos de descontração repentina. Crescer não foi exatamente o problema. Mas sim, não saber como brincar mais contigo) - 25/06/2011.

Conselho Dadaísta à Imagem*


Se não está revelado,
Quem disse transparência, admite sua culpa.
De qualquer ângulo os detalhes são surpreendentes.
Então a auto-punição.
Veja como você pode ajudar. Não mude, 
Pois precisa de auto-afirmação. Use a diferença.
Ao superar as barreiras,
Um novo ponto de vista ao virar.


* 02.09.2000.
** Imagem de arquivo pessoal.

domingo, 1 de agosto de 2010

18.05.2003

Voltou para buscar a saudade de deixou?
Pode entrar. Sem problema.
Vai no quarto.
Ela está lá, na última gaveta do armário.
No fundo da caixa de sapatos.
Entre as cartas e os retratos.
Vai, pega tudo. Leva tudo.
Agora sai. Por favor,
Me dá licença.
Me deixa só com o que sobrou:
Indiferença.

Apesar de Você...*

CENA I – O ENCONTRO

(A cena passa-se numa festa. Glória dança discretamente. Ernesto está parado olhando vez ou outra para os lados. Ernesto avista Glória; ela o vê. Ele se aproxima hesitante).

ERNESTO: Oi! (Ela ri) Está sozinha?
GLÓRIA: Acho que não, isso é uma festa! (Ele não sabe o que responder. Ela muda de assunto) É amigo da Helô?
ERNESTO: Quem?
GLÓRIA: A dona da festa.
ERNESTO: Na verdade, sou amigo do primo da amiga da… Helô!
GLÓRIA: É penetra! (Eles riem).
ERNESTO: Você é bem legal!
GLÓRIA: Você também. (Pequena pausa).
ERNESTO/GLÓRIA: Quer cerveja?/Quer dançar?
ERNESTO/GLÓRIA: Não! (Riem. Pausa).
ERNESTO: Na verdade vim por insistência de um amigo.
GLÓRIA: Não gosta dessas festas?
ERNESTO: Não aguento esse “iê, iê, iê”! Tem uma turma de Arquitetura que são uns alienados!
GLÓRIA: Eu faço Arquitetura.
ERNESTO: Não tenho dúvida nenhuma. Você deve fazer tudo perfeito!
GLÓRIA: Engraçadinho! Bom… Acho que não fomos apresentados; sou Glória.
ERNESTO: Ernesto!
GLÓRIA: Ernesto?! Já ouvi falar de você.
ERNESTO: Ouviu? O quê?
GLÓRIA: Digamos que você não é como eu, não faz tudo perfeito.
ERNESTO: Ah! Mas faço Direito. (Riem).
GLÓRIA: Sempre tive curiosidade de saber quem era você.
ERNESTO: E aí?
GLÓRIA: Na verdade, não é bem como eu imaginava… (Ele a olha fixamente). Você é mais perfumado e menos barbado!
ERNESTO: Só hoje! Na segunda-feira eu volto a ser o Incrível Hulk!
GLÓRIA: É que…
ERNESTO: Eu sei, eu sei…
GLÓRIA: Sabe?
ERNESTO: Eu entendo tudo.
GLÓRIA: Entende?
ERNESTO: Claro!
GLÓRIA: O quê?
ERNESTO: Pra vocês o mundo está bom como está; festas, reuniõezinhas para cantar Roberto…
GLÓRIA: E o que há de errado?
ERNESTO: Nada. Só que o Incrível Hulk não gosta de nada que desbote o verde.
GLÓRIA: Da pele?
ERNESTO: Do Brasil!
GLÓRIA: Já haviam me dito como defende suas ideias, mas nunca tive a oportunidade… 
ERNESTO: As ideias não são minhas! (Silêncio. Ela o observa). Por que você está me olhando assim?
GLÓRIA: Não. Nada, não!
ERNESTO: Falei algo de errado?
GLÓRIA: Não, não!
ERNESTO: A gente nunca tinha se falado… E agora eu fico falando sem parar!
GLÓRIA: Não se preocupe!
ERNESTO: É que…
GLÓRIA: Eu sei, eu sei.
ERNESTO: Sabe?
GLÓRIA: Eu entendo tudo.
ERNESTO: Entende?!
GLÓRIA: Claro!
ERNESTO: O quê?
GLÓRIA: Você é tão…
ERNESTO: Então sai comigo, amanhã? (Pausa).
GLÓRIA: Eh…
ERNESTO: Amanhã, às 16h, na Lanchonete do Fulaninho.
GLÓRIA: Está bem, eu vou!

* 2003.  Escrito em parceria com A. Danyelli.