domingo, 30 de dezembro de 2012

30.12.2012

Tudo é de primeira. Até o que se repete. A outra vez é falsa chance. Os sentimentos não são estanques, porque as ações não são gratuitas. Os desejos não são inabaláveis e muitas vezes cedem lugar a outras prioridades. A intensidade é o que sustenta o tempo dos acontecimentos. A rotina nem de longe controla o previsível - ele que é mera probabilidade, finge-se de domado enquanto sorrateiramente acoita a surpresa. É preciso calma para lidar com o que a solidão nos reserva. Nós que tão sós vivemos - mesmo aqueles cercados de tudo o que chamam de felicidade - não temos domínio sobre a vida, nem da nossa tão pouco a dos outros. E por isso tão sós morreremos. Não se trata de fatalidade, ou melhor, é pura e simples fatalidade. A vida é um acidente e nela os constantes tropeços quando não nos alçam voo, nos garantem uma bela queda - talvez nem tão 8 ou 80. Levantemos, contudo. Sigamos, pois é o que nos resta, ir sempre adiante, descobrindo o caminho na própria caminhada. Voltar é tolice, especialmente quando prometemos que tudo será como antes. O destino do antes é nos abandonar, afinal ele sabe que é o depois o que procuramos - mesmo sem nunca encontrá-lo precisamente. Por mais conhecida que seja a sensação de já ter vivido isso, o que temos não é nada mais do que algo parecido - porém não igual. E isso faz toda a diferença.

Fim de tarde*

Maceió/AL. Dezembro/2012
 
Fim de tarde
me arde aqui
no peito que bate
o que queima em ti.


* 30/12/2012.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Perigo ou Comida de peixe*

Arembepe/BA - dez/2012

É ali, na altura da bandeira vermelha que ele se encontra.
Batendo o corpo entre as pedras, sacudido pela correnteza.
Alimentando tubarões, águas-vivas, moréias e sereias.
Se sobreviver certamente trocará o mar pela montanha.


* 26.12.2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

22.11.2012

Tudo parece como antes,
mas não, não se engane,
sinto que desencadeei
uma avalanche.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

12.12.2012

A cidade grita "corra". Tem gente que se faz de louca.
Pedem de tudo, em todos os cantos.
E no canto da boca, nem meio sorriso
ou muito obrigado.
Apenas o cigarro e os olhos assustados
de quem deve de tudo. De quem só é cobrado.

domingo, 16 de dezembro de 2012

16.12.2012

Salvador, 16.12.2012

Madrugada me levou o sono
me deixou com os mesmos planos
não mudou nenhum desejo
acendeu apenas o medo
de não ter aprendido
de só ter me confundido
esse tempo todo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pobre piada*

O circo estava
meio cheio
meio vazio.
O palhaço contou a piada
mas ninguém riu

A parte ocupada
não entendeu
A parte deserta
nem se viu

O palhaço insatisfeito,
repetiu a anedota
foi constrangedor,
pois antes fizesse
o truque da torta

O problema
não era o público
que até pagou
ingresso caro

Nem tão pouco
a piada
que pensando bem
até que era
engraçada

O problema
de tudo
de todo o estrago
era a falsa alegria
daquele palhaço.


* 12.12.2012.

domingo, 9 de dezembro de 2012

06.12.2012

Salvador, nov. 2012

Mudando os tons do dia:
Ora tristeza
Ora alegria
E entre uma hora e outra,
intensa policromia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Desprovido de alegria*

Ela me olhava
e sorria
Eu fingia
que não a via
Ela firme
insistia
Eu por tudo
resistia
Por pouco
acreditei
que dela
uma lágrima
escorria
Ela estava
cheia e logo
gritaria
Eu então cansado
previa
que daquele encontro
não escaparia
Era uma questão
de tempo e
dela em breve
necessitaria
Foi quando percebi
que já caía o dia
e eu com fome
desprovido
de alegria
logo via
que era hora
de lavar
a pia.


* Ainda nesse instante.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Trecho do meio de 26.12.2011

Sensação triste essa a de não ser nada nem ninguém, de que os melhores são os outros e de que nunca serei um deles. Certamente jamais serei um deles, e o melhor que posso fazer é ser todo eu, não uma dessas partes só engraçadas porque ensaiadas no meu quarto-esconderijo. O melhor que eu posso fazer é isso de sentar e escrever o que não será lido e ensaiar mais um pouco pra estrear mais uma parte como um todo. Quem sabe de parte em parte, revelo-me... Ou reconhecem-me. Que medo esse de dizer quem sou, não pros outros, antes pra mim. Que pavor. É só carinho, é sincero embora clichê, embora enfeitado... Que até parece falso. Eu sou falso e luto todo dia para que não descubram, antes lutasse para não ser. Talvez esse seja o começo... Ou apenas mais um ensaio, de uma parte podre fantasiada. Uma parte feia maquiada. O melhor que eu posso fazer hoje não é inteiro, é partido, é falsamente completo e apaixonado, eu não sou o comandante desse navio e se assim acreditam, acreditem, vai afundar!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

23.11.2012

Eu tenho lá minhas dúvidas... E aqui também.

domingo, 25 de novembro de 2012

03.09.2012

Na vida não tem isso de de repente, de repente nada. Não há o que aconteça que já não venha acontecendo, mesmo que apenas na cabeça, no desejo, no pensamento. Na vida não se nasce uma amizade de um aperto de mão, senão de vários até formar um abraço, insuspeito, depois de tantos sorrisos e dias compartilhados. Também não se finda um romance do nada, que antes algo já azedava, roía e sem perceber ou sem saber por que ou como o que era beijo na boca vira grito no ouvido, até-nunca-mais-que-deus-me-benza-e-me-perdoe-desse-equívoco. Tão pouco um câncer brota no crânio, mesmo que benigno, sem uma sucessão de traumas físicos e/ou psicológicos, alguns pensamentos errados e outros maldosos. Pode-se até dizer que não sabia, que não viu, não sentiu e "de repente" o ontem que foi hoje já sumiu; mas com um mínimo de cuidado, alguma atenção, tudo fica claro, as peças se encaixam e a mistura do que hoje fez algo ser surpresa ou novidade ganha forma, dá sinais, pistas, indícios da transformação. E entre uma claridade e outra escuridão, é possível perceber que para permanecer há de se mudar um pouco, muda-se inevitavelmente. E quando tudo parece ser de repente, seja bom, mal, indiferente, alegre ou triste, é porque nem toda mudança nos garante a continuidade do que existe.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Versão 21.11.2012 de outra data desconhecida

É um amor silencioso
sereno, cauteloso.
Que mal se mexe,
parece morto.

Versão 21.11.2012 de data desconhecida

Eles passam por meus olhos
castanhos claros
e percebo meus olhos irem com eles
até a esquina
até ali
até o próximo
que passa sem me olhar

domingo, 18 de novembro de 2012

Apareça

R. B. - 29.01.2012


(Apareceu!) - 30.11.2012.

18.11.2012

O que eu quero dizer, não será dito hoje. Ficará para quando todos esquecerem o que está acontecendo. Quanto até eu não lembrar mais - pouco provável - dos detalhes. O que direi será aleatório e desnecessário. Quero apenas ocupar esse espaço com quaisquer tolas palavras, para despistar os atentos olhos que tenho sobre mim nesse momento. Nada do que importa agora será revelado nessa hora. Como tudo aqui, que costuma vir em delay, o que tenho a dizer ficará calado até quando eu achar prudente. E no lugar, deixarei uma piada, uma canção, uma foto - do meu gato, quem sabe? - para que riam, cantem ou elogiem. Ou não digam nada, assim como eu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

07.11.2012

Querido calor,

Precisamos conversar. Acho que está na hora da gente rever nossa relação. Eu preciso de um tempo, estou me sentido sufocado, abafado, grudento. Eu saio na rua e as pessoas já percebem que eu não estou bem, eu suo, eu fico ofegante, eu fico zonzo, tudo por causa dessa sua pressão sobre mim. E não é que a relação esfriou, pelo contrário, ela é até bem quente, mas tanta proximidade e nessa intensidade, queima o meu juízo!
Lembra de quando começamos, no inverno passado? A gente vivia juntinho, dávamos-nos tão bem. Mas o clima mudou, não sei como, sei apenas que não somos mais como antigamente, você mudou, eu mudei... E isso não significa que eu não te ame mais, nem que você não seja mais importante na minha vida. Acontece que às vezes precisamos respirar outros ares, você sabe! Eu entendo se você ficar esquentado e quiser me evitar por um tempo, acho até bom, pra nós dois. Saiba, não é você, sou eu! O que mais me interessa é sermos amigos, e isso depende só de você... De toda maneira a promessa de ficarmos juntos no carnaval de Olinda continua de pé! Até lá! Beijos!

...

08.05.2010

Um ponto final pra cada reticência dessa história, por favor.

16.07.2000

A mágoa está no meu abraço, não saiu ainda. Suas palavras de consideração chegaram aos meus ouvidos atrasadas demais. Ainda te abraço magoado, quando te abraço. Me peguei ao apego de não me desapegar de você. E ainda te abraço magoado, quando você me abraça. E você não me abraça mais. As suas palavras atrasadas que anunciariam o seu desapego - se apego houvesse tido - já não eram mais necessárias. O seu desapego já havia batido, socado, partido. Deixou de dizer na hora certa que apego não havia tido. Esqueceu da hora. Ultrapassou os quinze minutos de tolerância. E na hora certa ficou em silêncio, indiferente, desapegando-se sorrateiramente. Meu apego ficou só. Que nem figurinha autocolante gasta, sem onde pegar. Tanta coisa poderia ter evitado, se ao invés do silêncio, do desapego tivesse falado. Os abraços seriam mais apertados, menos magoados.

domingo, 4 de novembro de 2012

19.02.2012

Eu não vou dormir agora
Se estou preso ao menos
me deixem o direito de
aproveitar meus segundos
nos cantos do cativeiro
Meus olhos pesam,
mas a cama não me atrai
Sou refém da escolha de
ficar, de vir. De não ir
para onde meu corpo pede
Testando os limites
da prisão voluntária
da decisão contrária
ao desejo de não me
envolver.

Cutuque-me*

Vou deixar meu facebook aberto
só pra ver se você atualiza
meu status
Quem sabe online
Você mata essa saudade!

* 02.05.2012.

domingo, 28 de outubro de 2012

27.10.2012

Sobreviva, me diz a vida.
Se puder, logo em seguida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ntp

Desenhos de P. Lucena - 06.11.2005

domingo, 21 de outubro de 2012

Caindo no escuro ou planando entre sombras

14.02.2012 - por M.A.

08.09.2012

Como é possível dizer como o outro deve viver, quando nem sabemos o que temos feito da nossa própria vida? Há uma rede trançada, ligando nossas existências, às vezes ela tenciona às vezes afrouxa. Quando parte, é preciso remendá-la com o que sobrou, com novos laços; tentamos nós, tão apertados que sufocamos, tão frágeis cada um desses embaraços... Sorria diz uma voz aqui; como? - pergunto; o mundo ruindo, a vida, a casa, a minha rede está tão desgastada, tão debilitada, que as mãos sangram, tremem enquanto seguro com toda a força essa corda escorregadia, que se esvai, que... Um dia, o que se faz num dia para mudar tudo? O que é tudo? Somos tão poucos, tão sós, tão maus uns com os outros, não de propósito, mas somos... Nós construímos a rede e nós mesmos a partimos, gastando fio a fio, sem pensar, sem olharmos direito o outro lado, sem darmos conta do quanto o outro lado ajuda a nos sustentar, mas ignoramos. Até que parte e caímos, e evidencia-se o erro. O que é errado? Me pergunto todos os dias, como descobrir, como encontrar respostas... Invento-as, devaneio, surto até, quero apenas saber, ter uma noção clara, justa, correta dos passos que damos, que dou. Tropeço tanto. Um dia, a voz insiste, um dia é a síntese de toda a esperança; tão equivocada, não há um dia no meio de tantos, há um apenas, um dia tão longo ou tão curto. As noites iludem, enfeitam, confundem nossa existência. É tudo um dia apenas. Ainda, eis a palavra de tudo o que insiste. Ainda há tempo, ainda há vida. "Ainda" não deixa que as coisas acabem, mas alerta, ainda podem acabar. O que fazer com o tempo que nos resta? Com a vida? Não nos resta tempo, não temos tempo nunca, nos enganamos, insistimos, somos um monte de "ainda", que um dia acaba.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Versão 17.10.2012 de 04.04.2010

toda vez que eu acordo
acho graça por tá vivo
chego até o fim do dia
me perguntando pra que isso

domingo, 14 de outubro de 2012

16.06.2012

Calculo minha saudade
em litros
Meço nossa distância
aos gritos
Minha memória já não aguenta mais
os gigabytes das fotos digitais
Já não consigo guardar
as mensagens no celular

Pago passagem, reservo hotel
se quiser varamos a noite ao léu
Mas peço, gasta esses quilômetros
na minha direção,
que meu sangue já vai a 100ºC
de solidão.

Versão 14.10.2012 de 12.05.2010

Lembrar demais
Bem demais
Só para depois
Deixar passar

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ai que saco!

10.10.2012

Versão 10.10.2012 de 08.07.2010

Eu não fui hoje para o dia,
mandei uma sombra,
um corpo vazio
e fiquei flutuando sobre a cama.
Eu não fui para o dia hoje,
fingi que estava presente
sorri por educação
só para não contrariar
e apenas balancei a cabeça
sem nenhuma animação.
Hoje o dia não me viu,
entrei mudo e saí calado.
Não questionei
ou tomei partido.
O que dependeu de mim
não se resolveu,
ficou lá esperando
eu decidir por não ou sim.
Quem sabe amanhã eu vá?

domingo, 7 de outubro de 2012

28.09.2012

Separaram-se. Pararam de se ver, não no sentido de se encontrar. Encontravam-se. Mas em algum momento, mesmo se encontrando, pararam de se ver. Passaram a olhar outras coisas, outras pessoas, outros lugares. Passaram a se enganar, mas sem perceber. Enganavam-se acreditando tudo estar bem. Não estava. Estavam resistindo, fingindo, se iludindo... Agonizavam na esperança de permanecer - quem não deseja que assim seja? Mas fracassaram em seu desejo. Esfriou-se o beijo, os olhos, os braços... O corpo inteiro. Entraram na rotina, perderam o traquejo, seguraram o sorriso, o gozo foi interrompido. Diariamente perderam a frequência, a fragrância, o frescor e nem na cama rimava amor. Interromperam-se e trêmulos entreolharam-se na sala de estar. Não podiam mais fugir, não queriam mais se enganar. E entre lágrimas decidiram separar.

Versão 03.10.2012 de 17.10.2010

Sua língua ainda está
em meu mamilo.
Me nego ao banho
só pra dormir
excitado,
com seu hálito
em meu peito
arrepiado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

27.01.2011

Um "olá" ou "boa noite" vindos agora de você são o suficiente para me ferir o peito e desnortear os meus sentidos. Nessa sua ausência inevitável, essas palavras vindas do nada depois de tanto silêncio, quando já me acostumando, perco o sono e enlouqueço; mas te respondo para me sentir vivo, para não me dar por vencido e para nutrir uma breve alegria ao supor que no fundo tudo isso é falta do que você deixou sem motivo! Boa noite, durma bem.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Última frase de 17.11.2008

Não quero me preocupar com ninguém a não ser comigo mesmo, mas não consigo.

domingo, 23 de setembro de 2012

Versão 23.09.2012 de 22.09.2012

Não me importo tanto com o que você sabe fazer bem. Interesso-me mais por aquilo que você é capaz de fazer com o que você faz bem.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

23.09.2011

Não sei pisar delicado sem escorregar no próprio desejo de acertar.

domingo, 16 de setembro de 2012

11.06.2012

Toda minoria
quer ser um dia
hegemonia

Outro trecho de 06.07.2012

Já percebeu como sou reticente? Eu sou reticente? O que isso tem a ver? Gostaria de dizer tenho medo de desaprender a importância que é estar com alguém como você... Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente; como não desaprender? Como olhar para o que existe entre nós e entender que é lindo, mesmo quando parece sem graça?

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

24.10.2009

E essa coisa de ser negativo, de pensar que as coisas não darão certo? E essa mania de não acreditar, de duvidar, de não aproveitar?
Desejo o desapego, a capacidade de respirar fundo e sentir toda essa ansiedade, essa sensação de desgraça iminente se esvair, largar do meu peito e partir, partir para bem longe...

domingo, 9 de setembro de 2012

31.05.2012

Para onde vai o que não consigo ver depois que me viro? O que acontece quando passo deixando um sorriso? Se parto, o que deixo? Dizer o que levo parece mais fácil... Tem algo aqui dentro que não para de tentar descobrir o que acontece entre as coisas, entre mim e as pessoas, entre os lugares, entre os movimentos. Eu olho não sei bem pra onde, mas sempre buscando uma pista, um vestígio que me diga o sentido, a razão de ser assim, de ser aqui, de ser já. Cato nos olhares, nos gestos, nas cores, sons, formas, no passado e no que ainda será. Procuro no presente e nos pedaços de tempo que consigo juntar. É maior que minha capacidade e sempre parece que não dou conta. Não dou conta, mas insisto, por teimosia, medo ou fé. Insisto, tento, cogito... Eu não, eu não sei o que há, mas carrego a sensação de que não é só, de que há, de que no ar, no caminho que a luz faz para tocar os objetos e refletir nos meus olhos, ouvidos, pele, nariz, nesse caminho acontece o que há e de tão rápido ou tão óbvio ou tão invisível, capturo apenas e somente menos que uma impressão, um resto de desejo, suposição, continuação projetada, passado em ocorrência, presente deslocado, menção. Eu não fico por muito tempo nem carrego o que ficou até tão distante, esfarelo, esfarelam-se na separação, no até logo, no até amanhã e se cortam o "até" seja lá quem o faça, por acidente, coincidência ou fatalidade, por acaso ou desgraça, quando fazem, amanhã até vem, mas vem sem até!

06.08.2012

Eu acordei profético
Patético. É o fim.
Acordei mais cedo
Fora de órbita
Longe de mim.
Sonhei com a culpa
Levantei sem palavras
Engoli seco
Acordei de ressaca

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

14.12.2008

Ele então aprendeu que querer não era suficiente para determinar que algo iria lhe acontecer. Ele percebeu que seu querer somente não poderia mover o que quisesse para organizar as coisas.

Versão 05.09.2012 de 27.03.2007

Todos dias...

Quando ainda duvidava de que estar só não era tão mal. Quando resistia a voltar para casa enquanto não encontrasse quem correspondesse ao seu olhar. Quando não conseguia discernir o que era saudade, vontade de encontrar outra pessoa ou apenas fazer sexo. Quando o fim de semana parecia promissor mesmo que frustrante depois das 3h de sábado para domingo. Quando sair com os amigos não era tão interessante. Antes só, mas cheio de esperanças.

Sempre terminava de mãos vazias.

domingo, 2 de setembro de 2012

24.09.2010

De tanto que pensei, não escolhi.
Fiquei parado na dúvida.
Não decidi, não consegui.
Me perdi entre os pesos e medidas
de uma simples escolha.
Decidiram por mim.
Perdi.

08.02.2011 e o último pedaço já postado

Basta olhar nos olhos dela e me vem o choro na garganta. Não é mais ela. Não a reconheço. Me dá raiva, não sei reagir bem a essa mudança, tão evidente que deixei passar, que ignorei... E agora é difícil acreditar num retorno, em melhora! Eu sei que pensar assim não ajuda, mas... Eu só queria que ela percebesse que depende dela e não de mim ou de ninguém. Queria que ela parasse e decidisse mudar para melhor, que resistisse, que não se entregasse ao cansaço, à preguiça, à falta de vontade. Queria que toda energia de antes, eu sei, mal utilizada, retornasse para ser direcionada ao que de fato importa - à vida! Queria ser diferente também, estou tentando, mas queria poder alcançá-la para além do óbvio e dizer ou fazer algo que realmente a tocasse!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

27.08.2012

A cabra foi soterrada
O peixe nadou
em água envenenada
A lua saiu de órbita,
desequilibrada.
E nenhum planeta
fez nada
para evitar o mal.
Todos ficaram parados
apenas assistindo
ao fim
do meu mapa astral.


(Versão 2: ... Todos ficaram parados
                      apenas assistindo
                      ao início
                      do meu inferno astral) - 26.11.2012.

domingo, 26 de agosto de 2012

Uma lembrança de farofa e sorrisos*

A farofa acabara de sair do forno.
- sopra que tá quente.
E foi farofa por toda a mesa.
- menino, sopre devagar.
(gargalhadas)

* 13.10.2010.

Poltergeist Wi-fi*


* 19.08.2012. Por M.A.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

08.12.2010

É preciso mesmo estar prestes a morrer, com a faca pendurada sobre a cuca, só assim é possível sorrir com mais verdade e vontade. Só assim caminha-se firme e decidido e o tempo é antes de mais nada um aliado, amigo sincero sempre apontando o que realmente importa. É preciso saber da própria morte como algo agendado para as 6 da tarde de todos os dias, que antes disso sempre será happy hour. Apenas com a morte coladinha no cangote a gente ama com mais generosidade. Fora dessa condição só há vida desperdiçada.

domingo, 19 de agosto de 2012

Versão 04.09.2011 de 06.08.2011

Mais um gole e tudo ficará bem.
Remédio ardido em garganta gasta.
Essa gripe, Senhor, que não passa!
Será fome, será falta d'água?
E nesse sono torto, inquieto,
Acordo suado, lençol descoberto.
Queira Deus a calma no meu coração;
Porque se quando durmo, o sonho é pesadelo;
O remédio desce inteiro e então me deito
aos pedaços.
Se tornou morada esse meu leito.
E eu, hóspede permanente de cama
sem travesseiro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um arco-íris*

video
* 06.07.2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

10.01.2012

Às vezes esqueço as palavras mágicas do sorriso e então o olhar acinzenta o mundo. Quero tanto te fazer feliz, mas não sei se ainda tenho créditos. Tua tristeza me entristece. Onde se aperta para dar marcha-ré? Onde para e se começa de novo? Onde estão os primeiro-socorros para sararmos todas essas feridas? Precisamos conversar, uma vez mais. Não, precisamos conversar porque nunca o fizemos. Precisamos ir além do "tá tudo bem". Depende somente da gente. Não quero contar culpas, nem mágoas. Nem disputar a razão e ensinar procedimentos e condutas. Também preciso de aulas, também preciso aprender. Uma lição que seja.

Pensamento intrusivo, TOC e afins

Não é isso que eu estou pensando. E mesmo não sendo, atrapalha tudo. Muda o clima, o ânimo, o humor. Eu penso e já vivo o que não é, talvez até seja, um dia, talvez nunca, mas só de pensar mudo o viver. Mudo o agir. Mudo. Penso e mudo tudo sem sair do lugar. Mudo as pessoas, inverto os papéis, condeno inocentes, destruo paisagens e se ninguém fizer nada a tempo para reverter a catástrofe do meu pensar, basta um telefonema, afundo junto numa realidade inexistente, porém potencial. Se não pisco, não me salvo, sigo sem freios insano numa história infeliz. Se não paro e penso melhor, não salvo as cores e os sorrisos, sigo cego e incontrolável devastando o que de fato é, para deixar no lugar o que nem depende de mim para ser.

* 07.01.2012.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Poder da Asa Quebrada: breve terror doméstico*

Uma barata de asa quebrada não é simplesmente uma barata desprovida de vaidade; é uma guerreira, um indivíduo superior entre seus pares, aliás ela não tem par, ela é ímpar, banida do seu grupo por canibalismo; é uma protagonista em potencial de um Jean Genet ou de qualquer outro autor que o valha. Ela não cabe em pecinhas infantis ou romances poéticos-metafóricos. Ela é um ser cru, sem meias palavras. Inclusive ela não fala, mas emite sons guturais, ancestrais, indecifráveis e, especialmente, a-me-a-ça-do-res. Sua asa quebrada é a prova assimétrica do seu instinto sanguinário de sobrevivência, a confirmação incontestável de todas as batalhas vencidas contra escorpiões, ratos, inseticidas, sandálias, radiações ou gritos supersônicos. É história de vida, como uma cicatriz no meio do rosto do criminoso mais impiedoso. A história que ela não esquece, a história que a faz seguir implacável e destemidamente por entre esgotos, lixeiros, ruas e ralos. Elas são raras, mas existem e podem estar te vendo agora, pela janela do seu quarto, no canto escuro do seu guarda-roupa, nas sombras do seu banheiro...

E foi na pia da minha cozinha que eu a avistei. Já era tarde, todos dormiam, mas eu tinha sede de tórrido verão e resolvi beber um pouco d'água antes de deitar. Assim que acendi a luz da cozinha, meus olhos pousaram sobre ela. Que estava lá entre a pia e o microondas. Não havia prato sujo, talher, farelos ou qualquer outro aperitivo, pois eu mesmo havia limpado a cozinha horas antes, justamente para evitar a visita indesejada de seres dessa natureza. Mas ela estava lá, com sua asa em riste, suas antenas incontroláveis e sua mandíbula insaciável. Ela olhou pra mim. Parei. Logo de cara percebi que não se tratava de uma simples barata, uma pobre barata machucada, frágil e fácil de abater. Havia uma calma, uma frieza naquele ser disforme e faminto. Suas patas, mais grossas do que se espera de uma barata, talvez pela impossibilidade de voar, não se moviam, porém estavam alertas, como a espada de um samurai.

Esqueci sede, sono e calor. Meu sangue parou, minha alma gelou. Moveu as antenas, como quem diz "en garde". O desespero evidente ameaçava a minha honra de dono de casa. Pisquei. Num gesto rápido porém impreciso saquei minha sandália e investi uma tímida pancada sobre ela. Tolice. Rolou como um ninja para baixo do microondas. Silêncio. Arrependimento. Pânico. E eu, onde me escondo?! Sim, porque ela não fugiu simplesmente; ela se protegeu para devolver o ataque, eu sentia. Das sombras do microondas eu sentia o calor do seu olhar vingativo voltado totalmente para mim. Onde eu me escondo?! A geladeira pareceu pequena demais, o armário apertado demais, a mesa baixa demais... Onde eu me escondo, Deus?!! A porta!! Se eu andar com cuidado, de costas, olhos fixos no microondas, eu consigo sair da cozinha, com sorte alcanço o quarto e ganho alguns minutos mais... Nova piscada. Ainda não havia sequer devolvido a sandália ao pé. Mais uma rápida batida sobre a pia e ganhei tempo para correr sem olhar pra trás e não ver os dentes do predador. Corri da cozinha para sala e da sala para meu quarto, na escuridão da casa em uma fração de segundos. Movi quantos móveis encontrei no caminho para deixar o maior número de obstáculos possível entre mim e a caçadora-errante-de-asa-quebrada.

Porta trancada, travesseiros na fresta, janelas travadas, cortinas fechadas. Um instante de alívio. Um instante apenas, pois não demorou muito e percebi a porta sendo arranhada. Jesus, ela é raceada com cupim, só pode!!! Pânico. Uma batida mais forte, e não suportei. Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!!!

- Menino, o que houve?!!! O que foi isso?!! Tá louco?!!... Foi outra barata?!!

¬¬ (fui dormir).


* Escrito entre 22.12.2011 e 19.02.2012.

domingo, 5 de agosto de 2012

31.01.2012

Não sei se imagino
ou se acontece de fato
mas pela fresta
entre o meu e o seu quarto
só penso em você
me olhando excitado

24.09.2010

Ele não amava.
Não se importava.
Não fazia questão.
Ninguém suspeitava.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

12.12.2009

Imagine só:...

Versão 01.08.2012 de 03.06.2012

Eu vi clarear o dia em silêncio. Pensei estar surdo ou trancado hermeticamente. Nenhum ruído. Vi os raios do sol banharem as paredes das casas e edifícios vizinhos, vi os pombos voarem, mas tudo calado. Nenhum som. O céu, as nuvens, as antenas e tudo o mais que minha vista não vê mas sabe que está lá fora, totalmente silencioso. Tão calado o dia a brilhar que pensei ser o último, nem aqui dentro ouvi ruído, todos os sons escondidos. A geladeira dormia, a pia sem goteira, a cortina estática... Calados. Foi quando o sol brilhou mais forte, meus olhos apertaram para se proteger e aí um pássaro distante cantou. Um grito agudo e prolongado. Um canto de bom dia e todos os sons acordaram para o domingo... Hora de dormir.

domingo, 29 de julho de 2012

Versão 29.07.2012 de 02.11.2009

sua indiferença, sei lá, silêncio
seu silêncio, sei lá, introspecção
você assim calado, parado, na sua
sem seu contato, o que pensar
se vim de longe
e mesmo assim parece que não saí do lugar
pareço fantasma te acompanhando
pelos cantos da casa
pareço sombra
minhas perguntas te irritam
você assim na defensiva, o que fazer
se não sei se agrado
e você diz que tudo bem, normal
e eu vou embora com a sensação
de que estive o tempo todo
no lugar errado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Versão 25.07.2012 de 20.02.2012

Ela não sabia o que fazer para si própria, de tanto que fez pelos outros. Por isso reclamava de quem sabia e se entristecia. Foi minguando sem saber. Só os outros que viam. Ela talvez nem suspeitasse. Parece sem volta, talvez seja - volta-se?. Ela não parava para ela, nem andava. Ela não parava de buscar o que fazer para não descobrir que não sabia quem era. Ela não queria descobrir que era triste ou onde podia encontrar alegria!

domingo, 22 de julho de 2012

02.06.2012

É tão tarde e eu sempre resistindo à cama. Não sempre, mas não raras vezes me pego assim, com sono, tarde da noite, sem nada pra fazer que não seja ouvir as mesmas músicas, tentar me superar em qualquer joguinho do computador, ver putaria... rastreando palavras, histórias, imagens, tentando espremer qualquer ideia genial ou buscando o sentido da vida, da existência e do seu fim, tão só... a vida, tão solitária em sua existência, dia após dia desviando da morte, como se o encontro não fosse inevitável; cada dia que a vida consegue descansar, a morte acorda mais cedo pra tentar encontrá-la. Deve ser isso, essa resistência ao sono, tentativa vã de me manter vivo o maior tempo possível, tola esperança de ver a morte dormir no ponto e me deixar passar e fugir para bem longe como se ela não habitasse o mundo inteiro. Aí o sono vence as forças e eu desabo na cama, torcendo pra morte perder a hora de acordar.

17.11.2008

Não há saudade nem dor.
Não há tristeza
Não há falta de nada
Não há alegria também
Não há o que esperar
Não há o que desejar em especial
Não há inteireza no agir
Não há também vazio total
Há uma vontade de sexo somente
Há um duelo entre o fugaz e o duradouro
Há um querer longo passageiro desejo por quem passar
Há uma esperança de nada...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Versão 18.07.2012 de 25.10.2010

Caminhando para o acerto
tropeço sempre nos mesmos erros.
Levanto coberto de culpa
e volto a pisar num chão de incertezas,
me perdendo entre os atalhos.
Companheiros de viagem,
se despedem constantemente.
Não há retorno, ou pista sinalizada,
mas um novo começo a cada dia.
Basta levantar sem medo
e retomar a caminhada.

07.07.2012

Depois de tanto chorar...
Floriu!

domingo, 15 de julho de 2012

25.12.2010

E todas as verdades que digo aqui são mentira. São todas fruto de uma projeção mesquinha e egoísta. Nada aqui valerá sem essa condição de que tudo não passa de um delírio, de um ponto de vista turvo e limitado. Nenhuma dessas palavras bem organizadas revela realmente o que aqui está descrito. O que de fato é, não tem enfeite. É tudo balela, fuga. Há muito mais no não dito. Há um buraco no caminho entre o pensamento e a palavra dita ou escrita e nesse buraco reside toda a verdade omitida, sem cor nem brilho. O que finjo não saber é que esse buraco é raso e já está abarrotado.

10.06.2011

Pisa fundo nesse teclado e escreve o que vem à mente. [enter]
Vai entender essas coisas... Deve ser sono. [enter]
(pausa longa)... Aaaaaaaaaaa.
(outra pausa). A.
(respiração profunda). Quero um sonho... bom. Um sonho desses de acordar pronto pro dia, pronto pra vida. Pronto. Cada passo dado conscientemente, desde escovar os dentes até calçar os sapatos e seguir sob o sol da manhã cruzando a pé o trânsito de uma sexta sem força pra estressar meu pobre coração que conseguiu chegar até aqui inteiro e não será um dia, o último da semana, que estragará o desejo de ser feliz, melhor de ver os outros felizes!!!! Eu quero todo mundo feliz pra não ter que me preocupar com mais nada. Eu quero todo mundo tendo um sonho bom de se acordar pronto pra vida!!! [enter]
E pronto.

Eu quero todo mundo feliz pra não ser preocupação pra ninguém!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

23.05.2010

Difícil estar em partes. Difícil ser deixado à parte por quem nós queremos inteiro!

domingo, 8 de julho de 2012

Trecho de 06.07.2012

O que é seguir? O que é estar junto? Ir junto na vida? Quando leio o que você escreve, sabendo que tem a ver com a gente, eu sei o que é estar junto. Quando nos juntamos na cama, eu sei. Quando conversamos, eu sei. Quando me irrito, eu esqueço. Quando duvido, eu pareço desaprender. Quando você se preocupa, eu volto a saber. Quando eu me preocupo, eu não sei se você sabe, se percebe. Eu me faço claro?

15.04.2011

Quero mordida, aperto, porrada, tapa na cara.
Quero força, quero forçar corpo a corpo.
Quero brutalidade, nada de delicadeza.
Quero saliva e beslicão.
Quero arranhão, lambida e palmada.
Respiração ofegante. Puxão de cabelo.
Nada de trégua, não quero intervalo.
Quero perder o fôlego, quero grunhido, rosnado.
Quero na cozinha, na sala, no quarto.
Quero dolorido, sufocado, quero arrochado.
Não quero descanso, nada de leveza ou abraço apaixonado.
Quero sujo, quero melado, por cima e por baixo.
E aí então cair de cansaço
Dormir exausto só no dia virado.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

14.01.2012

Você nessa de lágrima
E eu achando é graça
Você nessa desgraça
E eu por nada entro na briga

Você não para de chorar
E eu não canso de piada
Você diz alegria não é da nada
E eu me acabando de sambar

Vem pra cá deixa de dengo
Saí daí desse buraco
Tão bom viver de aconchego
Tá ruim muda de lado

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Entre 2003 e 2005

fatos tortos
deixam marcas duras
num corpo farto
de dor
cartas tardias
lidas à revelia
demonstram atraso
de nostalgia.
meu amor foi mais
que papel
e mesmo assim,
você o rasgou!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

29.07.2011

Não fui dormir,
mas também não me sentia
totalmente acordado.
Resisti ao colchão embora tentado.
Queria deitar, mas algo me impedia.
Não sei o que era. Apenas sentia
Que sofreria na manhã seguinte,
Ao ouvir o despertador gritando
por mais um dia.

domingo, 17 de junho de 2012

30.05.2012 e um leve ajuste de hoje

É tanto eu dentro de mim que não me reconheço. Me assombro com um pouco que me mostro. Me surpreendo com o que descubro de mim. Para o bem e para o mal. Diariamente me deparo comigo e não me acostumo. Mudo não sei se por medo ou por graça. Não sei se me escondo ou se me minto. Às vezes me omito de mim, sorrio para disfarçar, canto para não chorar, ando para não pensar, penso para onde vou e finjo que chego lá. Não é que não queira me encontrar, é que não sei parar de brincar de me esconder. Corro aqui dentro, me persigo, às vezes encosto em mim e me sinto aliviado, às vezes, quando me dou conta, estou do outro lado.

sábado, 16 de junho de 2012

quarta-feira, 13 de junho de 2012

17.01.2012

É tão tarde mas ainda há tempo
O sono chega tão lento
Que eu converso com o silêncio
A casa parada, nem sombra sai do lugar
Quero um anjo para ninar
Vem chegando a calma
Depois de tanto desperdício
Olhos fechando devagar
Que nem percebo assombração
Cortina descendo vagarosa
Deito leve entre bocejos
E abraço lento a escuridão

domingo, 10 de junho de 2012

31.08.2008

Começaria a enlouquecer agora que tudo estava resolvido.

05.05.2010

Um balde de juízo pra essa goteira de loucura, por favor.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

26.04.2012

Apago toda palavra
Na tentativa de dizer
o que não sei exatamente
Entalado aqui entre
uma história não alimentada
e sua sequência póstuma
projetada.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

27.01.2012

Jantar sozinho
nessa casa tão grande
nessa cozinha
temperada por você
é não saber por que comer

Jantar sozinho
nessa mesa vazia
perdido na cidade
forrada por lágrimas
é me alimentar de saudade

domingo, 27 de maio de 2012

05.08.2011

Lamento pelo fiasco do dia que te dei. Não me dei a oportunidade de desfrutar com prazer da sua companhia e isso me feriu... Lamento mesmo por ter priorizado minhas dores e não sua atenção. Espero ser mais inteligente e sensível amanhã, espero haver amanhã amanhã para poder olhar nos seus olhos... e receber mais humildemente o que você tem para dar, mesmo que seja apenas dor.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

08.02.2012

Existe um tempo dentro de mim que não passa. Ou passa lento. Ele não se exibe, mas basta piscar numa lembrança e uma luz ilumina todas as cores desse tempo. E ele sorri pra mim. Eu passo e ele fica aqui guardado esperando outro piscar.

domingo, 13 de maio de 2012

29.07.2008

Eu queria escrever a coisa mais linda de se ler. Algo que se faz rir e chorar ao mesmo tempo, sem dar chance de se saber qual dos dois se faz primeiro. Eu queria dizer o que nunca disseram antes. Ou até o que já disseram, mas de um jeito como nunca pensaram. Eu queria desenhar o indizível com as palavras. Algo que tirasse o fôlego. Eu queria traduzir o sentimento mais íntimo com as palavras, pra ser lido e mesmo não compreendido, ser sentido inevitavelmente.

09.07.2011

Vou escrever uma coisa bem ruim. Algo totalmente desinteressante. Ninguém terá vontade de ler, senão por acidente. Somente quando jogadas por aí disfarçadas de poesia, minhas palavras talvez encontrem um leitor, desatenta figura, com propósito pior que esse meu, para passar a vista nessas orações vazias de sentido. Bobagem, talvez eu já tenha escrito.

domingo, 6 de maio de 2012

06-07.04.2012

Veja como a gente é feliz
no meio da mata
da cachoeira
na água fria
na correnteza de peixes
alegres
Veja como as cores
explodem
E o foco borra ao redor
só pra mostrar o que
há no centro desse
passeio - amor.

29.09.2011

Adjetivei meu nome próprio para me tornar teu.
E uma vez junto a ti, me qualifico verbo
só para te ter meu sujeito.

domingo, 29 de abril de 2012

11.08.2011

- O que?
- Nada.
- Não, você disse alguma coisa...
- Não, não disse.
- Sim, você disse, eu ouvi você sussurrar alguma coisa.
- Eu só pensei alto...
- O que?
- Nada
- Você pensou alto nada?!!
- Foi. Eu pensei... "nada!"
- Ninguém pensa "nada".
- Ué eu penso.
- Você não pensa.
- Eu penso sim!
- Pensa nada!
- Penso muitas coisas...
- O que?
- O que o que?
- O que você pensa além de nada?
- Nada... Nada.
- O que você disse?!
- Nada... Nada.
- Eu ouvi!
- E por que perguntou?
- Não, eu ouvi, mas não entendi o que você pensou alto.
- Mas eu já disse, nada!
- Nada nada.
- Você não é normal!
- O que você disse?
- Deixa pra lá...
- O que?
- O que o que?
- Não, você disse alguma coisa...
- Não, não disse!
(...)

Mais um trecho de 15-16.11.2010

Sobre rezar, lembro que suava quando juntava as mãos e pedia a Deus proteção. Algo mágico acontecia, não se sua quando reza, mas eu sim, sentia um calor ao redor do corpo a cada frase da oração. Hoje não, hoje por mais que eu reze, sinto um vazio, um oco, um frio. Me sinto longe de toda a fé de menino. Parece que estou fingindo, Deus deve rir de mim, talvez lamentar por todo esforço que faço em vão. Aí tento ser bom, justo, amigo, leal, honesto e quando erro peço desculpas. Nem isso alivia mais, porque no fundo eu sinto, e como me angustia dizer isso, no fundo eu estou pouco me importando. Sou movido à culpa. Ou à necessidade de dormir com a certeza de que não tirei nada de ninguém ou nada de lugar. A minha consciência é a imagem de bom moço que fazem de mim. Se ponho essa imagem em risco, tropeço, gaguejo, não durmo. Na verdade sou um cristão frustrado. Um espírita desregrado. Um ateu enrustido. Imagina quando eu reler tudo isso amanhã ou depois e me deparar com... Eu era. Eu sou. Eu não sei, demoro a aprender.


(Tenho tido tanta dúvida e medo. Estou tão em falta com a fé, de todo tipo, parece que perdi a capacidade de acreditar. São só perguntas e nenhuma certeza. Queria lembrar de vidas passadas ou ser assombrado por fantasmas, talvez assim ao menos essa dúvida se dissipava. Será o fim depois que acaba?) - 25.08.2012.

domingo, 22 de abril de 2012

18.04.2012

Contando os dias
já se foram trinta
Apenas trinta
de uma vida
interrompida
E a conta do que não será mais
aumenta não somente os dias,
mas também a saudade
e a dor de ter tanto
e não poder mais
te contar.

domingo, 15 de abril de 2012

Série Amor de Circo* - 7/7

Não sei fazer mágica, então peço, suma daqui. Com essas palavras, pausadamente, revelei o truque ao público. Mostrei toda dor escondida, camuflada, despistada durante um longo intervalo sem te ver. O que houve, me perguntei, para que você virtuosamente surgisse na minha frente fazendo malabarismo com suas lágrimas de plástico, tentando me convencer a repensar a parceria no circo de horrores a que me prendera sem notar que seguia com contrato fraudado. Não, mágico desmascarado, hoje não te dou aplauso! Saia calado, porque meu coração não é palco pra truque plagiado. Não insista, ou te jogo na jaula da mulher macaco! Você viu que eu não estava para brincadeira, errou o alvo e por isso saiu de mãos vazias, gritando revanche como se a culpa fosse minha e não da sua mira. No finzinho, meu bem, a maçã do amor é amarga. Agora sim, a vida voltava a ter graça.

* Título provisório (trecho escrito em 26.07.2011 - versão de 20.02.2012).

sábado, 7 de abril de 2012

05.11.2011

Uma chuva lavou minhas ideias e o vento que a acompanhou varreu quase todos os meus preconceitos e certezas imutáveis presas ao meu peito. Não sei como começar isso. Sei apenas que nesse exato instante estão se processando dezenas, centenas talvez, de pensamentos, imagens e relações de tamanha simplicidade e muito provavelmente por isso me sobra apenas o espanto diante desse fato.
A chuva, a energia, as vontades, o tempo, os olhares, as percepções, os desejos comuns e as forças contrárias... A barata que acabo de matar que cruzou meu caminho horas antes de eu me deitar. O que aconteceu há pouco não vai para meu calabouço, não posso deixar pra lá, nem guardar longe do meu olhar, não esse que vê, o físico, a matéria, mas aquele que me ensina a prudência, por instinto ou intuição, que me diz "vá com calma" ou "pode confiar" ou ainda "não é o que você pensava". O exercício, lá vou eu com essa mania de exercício, mas é que não conheço outra palavra, e então esse exercício de olhar para outro como se deve olhar para si mesmo, com amor, com generosidade, livre para se surpreender... Fui surpreendido pela chuva, pela música, pelo músico, pelos amigos e desconhecidos, pelas vítimas da minha arrogância. Fui surpreendido porque acolhido. Não sei onde isso vai dar...

Série Amor de Circo* - 6/7

Sabem como é. Show que dá certo sempre atrai mais público. Foi assim, com muita disciplina que adquiri precisão e leveza para transitar de um quadro para outro, aperfeiçoando técnica e disfarçando com mais destreza a insegurança que você me deixou de herança. Flores no camarim, bilhetes de admiradores secretos. Meu coração voltava a brilhar, ele que se contorceu tanto e por pouco desaprendeu a desatar. Talvez isso ou me diga o que que te fez voltar.

* Título provisório (trecho escrito em 19.02.2012).

domingo, 1 de abril de 2012

Série Amor de Circo* - 5/7

Arrastei os dias nas costas, pedalando um monoclico com pneu furado. Suei frio de tanta mágoa, mas a cada pedalada as horas se enchiam um pouco mais de graça, tristeza levemente disfarçada. Quem via, sabia do número mal ensaiado. No entanto aos poucos aprendi as gagues e quando tinha sorte de você não aparecer na plateia, arriscava até acrobacia, que nunca foi meu forte. E com algum esforço até arrancava aplausos... Voltava pra casa com satisfação, que mesmo sem muito jeito, havia motivo para comemoração.

* Título provisório (trecho escrito em 18.02.2012 - versão de 07.01.2012).

domingo, 25 de março de 2012

Série Amor de Circo* - 4/7

Senhoras e Senhores, perdoem a piada sem graça, mas é que esse palhaço cansado deixa o picadeiro de coração partido. Por mim a lona desce e as luzes se apagam. Se não, que chova, que a lona é furada e aí ninguém escapa. Essa tempestade não é chuvisco. Foi com esse gosto de pipoca estragada que rolei em nossa cama feito rumbeira mal amada. Dormi com o leão e acordei ferido, da cor do meu nariz. O próximo quadro seria mais feliz?...

* Título provisório (trecho escrito em 20.02.2012 - versão de 05.07.2011).

segunda-feira, 19 de março de 2012

+ 18.03.2012*


[...]
ELA: Lembra quando a gente se chamava de linhas paralelas? E a gente era assim mesmo. Iguais, necessários um ao outro, feito linhas paralelas. Só que elas não se encontram…
ELE: Se encontram no infinito.
ELA: Acho que a gente só vai se encontrar lá.
ELE: Ou num ônibus lotado! (Risos sem graça).
ELA: Pois é…
ELE: É, né? Ai, ai…
ELA: Calor, né? (Ele afirma com a cabeça). Vou descer aqui. A gente se vê (olham-se uma última vez, antes dela descer do ônibus).
ELE (só no ônibus lotado): Tomara.
[...]

* Trecho de "O Ônibus", de Aline M. e Amanda D., inspirado em "O Dia que Júpiter Encontrou Saturno", de Caio Fernando Abreu.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Série Amor de Circo* - 3/7

Mas tem hora que o macaco não obedece. É domador, bicho manso também se aborrece. Revelara-se o segredo por trás da mágica e eu aguardava apenas sua chegada para ver sua maquiagem borrar até sumir. Quem faz graça agora é o palhaço aqui. Soltei os bichos. Salve-se se puder porque o elefante é meu amigo. Frente a mim, sua cor escondeu-se e entre o que ainda restava das minhas pernas bambas que eu insistia em disfarçar, juntei forças para não vacilar. Naquela noite ninguém dormiu, no meio da confusão palhaço mandou mágico pra puta que o pariu.

* Título provisório (trecho escrito em 18.02.2012).

sexta-feira, 9 de março de 2012

Série Amor de Circo* - 2/7

Era show todo dia, não sei de onde brotava tanta alegria. Mas a vida mambembe não é assim tão bela quanto atraente. É preciso cuidar dos bichos e, dar banho em leão é um perigo. Não demorou muito e suas ausências começaram a prejudicar o espetáculo. Número mal ensaiado nem pensar em ir ao palco. Ok, vamos tentar mais uma vez. Com flores e sorrisos tudo pareceu como no início. E sem perceber me levavam por hipnose a caminhar na corda bamba para acordar em pleno globo da morte. O público não acreditava no que via, o mágico era bom e o voluntário que se f...

* Título provisório (trecho escrito em 18.02.2012).

09.03.2012

Não estranhem se de repente eu mudar

tudo de lugar

Não estranhem se de repente eu

mudar tudo

Não estranhem se eu mudar

o lugar




Não estranhem se eu ficar
mudo

Não me estranhem, se eu mudo



pra                 ficar

domingo, 4 de março de 2012

Série Amor de Circo* - 1/7

O espetáculo teve início no instante preciso em que as cortinas dos meus olhos foram suspensas para te ver entrar. A alegria tomou conta da cena naquela festa entediada. Você sorriu e o que era um palco em blackout iluminou-se revelando um cenário colorido e dinâmico. Respeitável público, com vocês o mais belo sorriso da terra!!! Não entre na jaula sem chicote que esse leão não tem nada de domado, me avisaram. Mas o som estava alto demais para me dar conta do perigo eminente. Dançamos graciosamente como um balé aéreo sem risco de desabar. E dormimos abraçados tão colados que o equilíbrio de um dependia do outro. Estava resolvido, vou fugir com o circo.

* Título provisório (trecho escrito em 04.09.2011 e 07.01.2012).

Versão 04.03.2012 de 10.12.2011

Tenho acumulado tanta coisa para escrever que agora não sei por onde começar. Vontade louca de cuspir todos esses pensamentos eufóricos e conflituosos, mas a saída é tão estreita que eles se apertam e emperram. Vontade de falar do amor, da família, vontade de falar das coisas por fazer, lotando minha agenda e inevitáveis de adiar. De tudo o que aprendi esses dias; não, nada de leis, regras, teorias ou teses, mas sim coisas sem nome, nuances, sutilezas, sentimentos.
Aprendi um pouco mais de vida esses dias e nem sei se me servirá amanhã, porque tudo tem mudado tanto, tão rápido e sem pedir licença que me falta ligeireza para acompanhar... Queria saber continuar daqui, mas tem um fone, um sono, uma fome me confundindo, trocando as palavras e é melhor eu cantar alto ou deitar e dormir antes que as palavras me traiam!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Fora da estação*

Não há mais nada tão antigo que eu já não tenha dito.
Papel em branco, amarelo o sorriso.
Melhor esperar.
Talvez ler um livro.
Melhor calar, guardar esse grito.
Não sou árvore de palavras
e se fosse, essa definitivamente não seria a estação.
Invernou aqui dentro, embora verão.
Letras congeladas, espatifadas no jardim.
Melhor calar, guardar-me de mim.
Esgotou prosa, acabou poesia.
Melhor hibernar...
Talvez eu volte outro dia.

* 11, 22 e 29.01.2012.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Versão 29.01.2010 de um dia em 1997

O vazio me domina agora.
Vejo hoje o que não via antes.
A alegria já não é a mesma.
Qualquer sorriso que dou agora
é a lágrima de logo à noite.
Uma lágrima de saudade.
Um passo em falso
em plena felicidade.

Conceição dos Gatos


* Chapada Diamantina (BA). Janeiro 2012. Imagem de Galinha de Capoeira.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Purificação


* Chapada Diamantina (BA). Dezembro 2011. Imagem de Galinha de Capoeira.

Versão 18.01.2012 de 26.12.2009

O fim passou a ser um começo.
Um novo sabor foi descoberto.
E com o paladar assim
mais apurado,
seu apetite duplicou.
Queria mais,
mas não qualquer coisa.
Queria amor.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Fumaça


* Chapada Diamantina (BA). Dezembro 2011. Imagem de Galinha de Capoeira.

Versão 15.01.2012 de 28.09.2010

Será que antes de dormir ainda haveria o que escrever? Uma frasezinha apenas? Alguma palavra solta? Tanta coisa acontecendo e nada a dizer! O sono trocado e os sonhos confusos. A urgência de mais um dia prestes a raiar. O que fazer com tudo isso? O que de fato me pertence? Uma frasezinha apenas? Uma palavra solta... Nada!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

27.02.2011

Me deu uma tristeza agora. Dessas que ninguém espera, uma mistura de saudade com vazio. Dessas que não se sabe o nome exato. Me deu uma coisa solta aqui dentro, sacudindo entre o peito e o coração. Me deu vontade de algo gostoso que não se conhece, de algo bom desconhecido.


(Vontades sem nome, tristezas sem causa, angústias infundadas. Como lidar?!) - 11.11.2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

06.01.2012

Os outros são sempre uma surpresa iminente.


(Mesmo o generoso exercício de se colocar no lugar do outro não reduz as chances de sermos assaltados pelo imprevisível) - 30.09.2012