domingo, 29 de abril de 2012

11.08.2011

- O que?
- Nada.
- Não, você disse alguma coisa...
- Não, não disse.
- Sim, você disse, eu ouvi você sussurrar alguma coisa.
- Eu só pensei alto...
- O que?
- Nada
- Você pensou alto nada?!!
- Foi. Eu pensei... "nada!"
- Ninguém pensa "nada".
- Ué eu penso.
- Você não pensa.
- Eu penso sim!
- Pensa nada!
- Penso muitas coisas...
- O que?
- O que o que?
- O que você pensa além de nada?
- Nada... Nada.
- O que você disse?!
- Nada... Nada.
- Eu ouvi!
- E por que perguntou?
- Não, eu ouvi, mas não entendi o que você pensou alto.
- Mas eu já disse, nada!
- Nada nada.
- Você não é normal!
- O que você disse?
- Deixa pra lá...
- O que?
- O que o que?
- Não, você disse alguma coisa...
- Não, não disse!
(...)

4 comentários:

Gracita disse...

Oi amigo!
Que poema mais enigmático! Um tortura para o leitor que imagina encontrar no final uma resposta concreta. Quem sabe no próximo você nos diga o que foi dito. Até lá resta-me a curiosidade da espera. Belo poema! O jogo de palavras dá uma musicalidade deliciosa ao texto.
Beijos de saudade!
gracita

João Krustin Guimarães disse...

Típico seu, caro Reticente. nada melhor que terminar um texto com sua maior assinatura. Você me fascina...

Parole disse...

Apesar de não dizer nada, um diálogo delicioso que acabou ficando engraçado, mas eu acho, só um palpite, que os dois estavam pensando a mesma coisa, só não tiveram coragem de abrir o coração.

Beijo grande, meu querido.Espero que tenha corrido tudo bem na mudança.

João Krustin Guimarães disse...

pretendo te responder ainda essa semana. obrigado.