domingo, 29 de abril de 2012

Mais um trecho de 15-16.11.2010

Sobre rezar, lembro que suava quando juntava as mãos e pedia a Deus proteção. Algo mágico acontecia, não se sua quando reza, mas eu sim, sentia um calor ao redor do corpo a cada frase da oração. Hoje não, hoje por mais que eu reze, sinto um vazio, um oco, um frio. Me sinto longe de toda a fé de menino. Parece que estou fingindo, Deus deve rir de mim, talvez lamentar por todo esforço que faço em vão. Aí tento ser bom, justo, amigo, leal, honesto e quando erro peço desculpas. Nem isso alivia mais, porque no fundo eu sinto, e como me angustia dizer isso, no fundo eu estou pouco me importando. Sou movido à culpa. Ou à necessidade de dormir com a certeza de que não tirei nada de ninguém ou nada de lugar. A minha consciência é a imagem de bom moço que fazem de mim. Se ponho essa imagem em risco, tropeço, gaguejo, não durmo. Na verdade sou um cristão frustrado. Um espírita desregrado. Um ateu enrustido. Imagina quando eu reler tudo isso amanhã ou depois e me deparar com... Eu era. Eu sou. Eu não sei, demoro a aprender.


(Tenho tido tanta dúvida e medo. Estou tão em falta com a fé, de todo tipo, parece que perdi a capacidade de acreditar. São só perguntas e nenhuma certeza. Queria lembrar de vidas passadas ou ser assombrado por fantasmas, talvez assim ao menos essa dúvida se dissipava. Será o fim depois que acaba?) - 25.08.2012.

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