quarta-feira, 29 de agosto de 2012

27.08.2012

A cabra foi soterrada
O peixe nadou
em água envenenada
A lua saiu de órbita,
desequilibrada.
E nenhum planeta
fez nada
para evitar o mal.
Todos ficaram parados
apenas assistindo
ao fim
do meu mapa astral.


(Versão 2: ... Todos ficaram parados
                      apenas assistindo
                      ao início
                      do meu inferno astral) - 26.11.2012.

domingo, 26 de agosto de 2012

Uma lembrança de farofa e sorrisos*

A farofa acabara de sair do forno.
- sopra que tá quente.
E foi farofa por toda a mesa.
- menino, sopre devagar.
(gargalhadas)

* 13.10.2010.

Poltergeist Wi-fi*


* 19.08.2012. Por M.A.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

08.12.2010

É preciso mesmo estar prestes a morrer, com a faca pendurada sobre a cuca, só assim é possível sorrir com mais verdade e vontade. Só assim caminha-se firme e decidido e o tempo é antes de mais nada um aliado, amigo sincero sempre apontando o que realmente importa. É preciso saber da própria morte como algo agendado para as 6 da tarde de todos os dias, que antes disso sempre será happy hour. Apenas com a morte coladinha no cangote a gente ama com mais generosidade. Fora dessa condição só há vida desperdiçada.

domingo, 19 de agosto de 2012

Versão 04.09.2011 de 06.08.2011

Mais um gole e tudo ficará bem.
Remédio ardido em garganta gasta.
Essa gripe, Senhor, que não passa!
Será fome, será falta d'água?
E nesse sono torto, inquieto,
Acordo suado, lençol descoberto.
Queira Deus a calma no meu coração;
Porque se quando durmo, o sonho é pesadelo;
O remédio desce inteiro e então me deito
aos pedaços.
Se tornou morada esse meu leito.
E eu, hóspede permanente de cama
sem travesseiro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Um arco-íris*

video
* 06.07.2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

10.01.2012

Às vezes esqueço as palavras mágicas do sorriso e então o olhar acinzenta o mundo. Quero tanto te fazer feliz, mas não sei se ainda tenho créditos. Tua tristeza me entristece. Onde se aperta para dar marcha-ré? Onde para e se começa de novo? Onde estão os primeiro-socorros para sararmos todas essas feridas? Precisamos conversar, uma vez mais. Não, precisamos conversar porque nunca o fizemos. Precisamos ir além do "tá tudo bem". Depende somente da gente. Não quero contar culpas, nem mágoas. Nem disputar a razão e ensinar procedimentos e condutas. Também preciso de aulas, também preciso aprender. Uma lição que seja.

Pensamento intrusivo, TOC e afins

Não é isso que eu estou pensando. E mesmo não sendo, atrapalha tudo. Muda o clima, o ânimo, o humor. Eu penso e já vivo o que não é, talvez até seja, um dia, talvez nunca, mas só de pensar mudo o viver. Mudo o agir. Mudo. Penso e mudo tudo sem sair do lugar. Mudo as pessoas, inverto os papéis, condeno inocentes, destruo paisagens e se ninguém fizer nada a tempo para reverter a catástrofe do meu pensar, basta um telefonema, afundo junto numa realidade inexistente, porém potencial. Se não pisco, não me salvo, sigo sem freios insano numa história infeliz. Se não paro e penso melhor, não salvo as cores e os sorrisos, sigo cego e incontrolável devastando o que de fato é, para deixar no lugar o que nem depende de mim para ser.

* 07.01.2012.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Poder da Asa Quebrada: breve terror doméstico*

Uma barata de asa quebrada não é simplesmente uma barata desprovida de vaidade; é uma guerreira, um indivíduo superior entre seus pares, aliás ela não tem par, ela é ímpar, banida do seu grupo por canibalismo; é uma protagonista em potencial de um Jean Genet ou de qualquer outro autor que o valha. Ela não cabe em pecinhas infantis ou romances poéticos-metafóricos. Ela é um ser cru, sem meias palavras. Inclusive ela não fala, mas emite sons guturais, ancestrais, indecifráveis e, especialmente, a-me-a-ça-do-res. Sua asa quebrada é a prova assimétrica do seu instinto sanguinário de sobrevivência, a confirmação incontestável de todas as batalhas vencidas contra escorpiões, ratos, inseticidas, sandálias, radiações ou gritos supersônicos. É história de vida, como uma cicatriz no meio do rosto do criminoso mais impiedoso. A história que ela não esquece, a história que a faz seguir implacável e destemidamente por entre esgotos, lixeiros, ruas e ralos. Elas são raras, mas existem e podem estar te vendo agora, pela janela do seu quarto, no canto escuro do seu guarda-roupa, nas sombras do seu banheiro...

E foi na pia da minha cozinha que eu a avistei. Já era tarde, todos dormiam, mas eu tinha sede de tórrido verão e resolvi beber um pouco d'água antes de deitar. Assim que acendi a luz da cozinha, meus olhos pousaram sobre ela. Que estava lá entre a pia e o microondas. Não havia prato sujo, talher, farelos ou qualquer outro aperitivo, pois eu mesmo havia limpado a cozinha horas antes, justamente para evitar a visita indesejada de seres dessa natureza. Mas ela estava lá, com sua asa em riste, suas antenas incontroláveis e sua mandíbula insaciável. Ela olhou pra mim. Parei. Logo de cara percebi que não se tratava de uma simples barata, uma pobre barata machucada, frágil e fácil de abater. Havia uma calma, uma frieza naquele ser disforme e faminto. Suas patas, mais grossas do que se espera de uma barata, talvez pela impossibilidade de voar, não se moviam, porém estavam alertas, como a espada de um samurai.

Esqueci sede, sono e calor. Meu sangue parou, minha alma gelou. Moveu as antenas, como quem diz "en garde". O desespero evidente ameaçava a minha honra de dono de casa. Pisquei. Num gesto rápido porém impreciso saquei minha sandália e investi uma tímida pancada sobre ela. Tolice. Rolou como um ninja para baixo do microondas. Silêncio. Arrependimento. Pânico. E eu, onde me escondo?! Sim, porque ela não fugiu simplesmente; ela se protegeu para devolver o ataque, eu sentia. Das sombras do microondas eu sentia o calor do seu olhar vingativo voltado totalmente para mim. Onde eu me escondo?! A geladeira pareceu pequena demais, o armário apertado demais, a mesa baixa demais... Onde eu me escondo, Deus?!! A porta!! Se eu andar com cuidado, de costas, olhos fixos no microondas, eu consigo sair da cozinha, com sorte alcanço o quarto e ganho alguns minutos mais... Nova piscada. Ainda não havia sequer devolvido a sandália ao pé. Mais uma rápida batida sobre a pia e ganhei tempo para correr sem olhar pra trás e não ver os dentes do predador. Corri da cozinha para sala e da sala para meu quarto, na escuridão da casa em uma fração de segundos. Movi quantos móveis encontrei no caminho para deixar o maior número de obstáculos possível entre mim e a caçadora-errante-de-asa-quebrada.

Porta trancada, travesseiros na fresta, janelas travadas, cortinas fechadas. Um instante de alívio. Um instante apenas, pois não demorou muito e percebi a porta sendo arranhada. Jesus, ela é raceada com cupim, só pode!!! Pânico. Uma batida mais forte, e não suportei. Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh!!!!!

- Menino, o que houve?!!! O que foi isso?!! Tá louco?!!... Foi outra barata?!!

¬¬ (fui dormir).


* Escrito entre 22.12.2011 e 19.02.2012.

domingo, 5 de agosto de 2012

31.01.2012

Não sei se imagino
ou se acontece de fato
mas pela fresta
entre o meu e o seu quarto
só penso em você
me olhando excitado

24.09.2010

Ele não amava.
Não se importava.
Não fazia questão.
Ninguém suspeitava.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

12.12.2009

Imagine só:...

Versão 01.08.2012 de 03.06.2012

Eu vi clarear o dia em silêncio. Pensei estar surdo ou trancado hermeticamente. Nenhum ruído. Vi os raios do sol banharem as paredes das casas e edifícios vizinhos, vi os pombos voarem, mas tudo calado. Nenhum som. O céu, as nuvens, as antenas e tudo o mais que minha vista não vê mas sabe que está lá fora, totalmente silencioso. Tão calado o dia a brilhar que pensei ser o último, nem aqui dentro ouvi ruído, todos os sons escondidos. A geladeira dormia, a pia sem goteira, a cortina estática... Calados. Foi quando o sol brilhou mais forte, meus olhos apertaram para se proteger e aí um pássaro distante cantou. Um grito agudo e prolongado. Um canto de bom dia e todos os sons acordaram para o domingo... Hora de dormir.