domingo, 28 de outubro de 2012

27.10.2012

Sobreviva, me diz a vida.
Se puder, logo em seguida.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ntp

Desenhos de P. Lucena - 06.11.2005

domingo, 21 de outubro de 2012

Caindo no escuro ou planando entre sombras

14.02.2012 - por M.A.

08.09.2012

Como é possível dizer como o outro deve viver, quando nem sabemos o que temos feito da nossa própria vida? Há uma rede trançada, ligando nossas existências, às vezes ela tenciona às vezes afrouxa. Quando parte, é preciso remendá-la com o que sobrou, com novos laços; tentamos nós, tão apertados que sufocamos, tão frágeis cada um desses embaraços... Sorria diz uma voz aqui; como? - pergunto; o mundo ruindo, a vida, a casa, a minha rede está tão desgastada, tão debilitada, que as mãos sangram, tremem enquanto seguro com toda a força essa corda escorregadia, que se esvai, que... Um dia, o que se faz num dia para mudar tudo? O que é tudo? Somos tão poucos, tão sós, tão maus uns com os outros, não de propósito, mas somos... Nós construímos a rede e nós mesmos a partimos, gastando fio a fio, sem pensar, sem olharmos direito o outro lado, sem darmos conta do quanto o outro lado ajuda a nos sustentar, mas ignoramos. Até que parte e caímos, e evidencia-se o erro. O que é errado? Me pergunto todos os dias, como descobrir, como encontrar respostas... Invento-as, devaneio, surto até, quero apenas saber, ter uma noção clara, justa, correta dos passos que damos, que dou. Tropeço tanto. Um dia, a voz insiste, um dia é a síntese de toda a esperança; tão equivocada, não há um dia no meio de tantos, há um apenas, um dia tão longo ou tão curto. As noites iludem, enfeitam, confundem nossa existência. É tudo um dia apenas. Ainda, eis a palavra de tudo o que insiste. Ainda há tempo, ainda há vida. "Ainda" não deixa que as coisas acabem, mas alerta, ainda podem acabar. O que fazer com o tempo que nos resta? Com a vida? Não nos resta tempo, não temos tempo nunca, nos enganamos, insistimos, somos um monte de "ainda", que um dia acaba.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Versão 17.10.2012 de 04.04.2010

toda vez que eu acordo
acho graça por tá vivo
chego até o fim do dia
me perguntando pra que isso

domingo, 14 de outubro de 2012

16.06.2012

Calculo minha saudade
em litros
Meço nossa distância
aos gritos
Minha memória já não aguenta mais
os gigabytes das fotos digitais
Já não consigo guardar
as mensagens no celular

Pago passagem, reservo hotel
se quiser varamos a noite ao léu
Mas peço, gasta esses quilômetros
na minha direção,
que meu sangue já vai a 100ºC
de solidão.

Versão 14.10.2012 de 12.05.2010

Lembrar demais
Bem demais
Só para depois
Deixar passar

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ai que saco!

10.10.2012

Versão 10.10.2012 de 08.07.2010

Eu não fui hoje para o dia,
mandei uma sombra,
um corpo vazio
e fiquei flutuando sobre a cama.
Eu não fui para o dia hoje,
fingi que estava presente
sorri por educação
só para não contrariar
e apenas balancei a cabeça
sem nenhuma animação.
Hoje o dia não me viu,
entrei mudo e saí calado.
Não questionei
ou tomei partido.
O que dependeu de mim
não se resolveu,
ficou lá esperando
eu decidir por não ou sim.
Quem sabe amanhã eu vá?

domingo, 7 de outubro de 2012

28.09.2012

Separaram-se. Pararam de se ver, não no sentido de se encontrar. Encontravam-se. Mas em algum momento, mesmo se encontrando, pararam de se ver. Passaram a olhar outras coisas, outras pessoas, outros lugares. Passaram a se enganar, mas sem perceber. Enganavam-se acreditando tudo estar bem. Não estava. Estavam resistindo, fingindo, se iludindo... Agonizavam na esperança de permanecer - quem não deseja que assim seja? Mas fracassaram em seu desejo. Esfriou-se o beijo, os olhos, os braços... O corpo inteiro. Entraram na rotina, perderam o traquejo, seguraram o sorriso, o gozo foi interrompido. Diariamente perderam a frequência, a fragrância, o frescor e nem na cama rimava amor. Interromperam-se e trêmulos entreolharam-se na sala de estar. Não podiam mais fugir, não queriam mais se enganar. E entre lágrimas decidiram separar.

Versão 03.10.2012 de 17.10.2010

Sua língua ainda está
em meu mamilo.
Me nego ao banho
só pra dormir
excitado,
com seu hálito
em meu peito
arrepiado.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

27.01.2011

Um "olá" ou "boa noite" vindos agora de você são o suficiente para me ferir o peito e desnortear os meus sentidos. Nessa sua ausência inevitável, essas palavras vindas do nada depois de tanto silêncio, quando já me acostumando, perco o sono e enlouqueço; mas te respondo para me sentir vivo, para não me dar por vencido e para nutrir uma breve alegria ao supor que no fundo tudo isso é falta do que você deixou sem motivo! Boa noite, durma bem.