domingo, 21 de outubro de 2012

08.09.2012

Como é possível dizer como o outro deve viver, quando nem sabemos o que temos feito da nossa própria vida? Há uma rede trançada, ligando nossas existências, às vezes ela tenciona às vezes afrouxa. Quando parte, é preciso remendá-la com o que sobrou, com novos laços; tentamos nós, tão apertados que sufocamos, tão frágeis cada um desses embaraços... Sorria diz uma voz aqui; como? - pergunto; o mundo ruindo, a vida, a casa, a minha rede está tão desgastada, tão debilitada, que as mãos sangram, tremem enquanto seguro com toda a força essa corda escorregadia, que se esvai, que... Um dia, o que se faz num dia para mudar tudo? O que é tudo? Somos tão poucos, tão sós, tão maus uns com os outros, não de propósito, mas somos... Nós construímos a rede e nós mesmos a partimos, gastando fio a fio, sem pensar, sem olharmos direito o outro lado, sem darmos conta do quanto o outro lado ajuda a nos sustentar, mas ignoramos. Até que parte e caímos, e evidencia-se o erro. O que é errado? Me pergunto todos os dias, como descobrir, como encontrar respostas... Invento-as, devaneio, surto até, quero apenas saber, ter uma noção clara, justa, correta dos passos que damos, que dou. Tropeço tanto. Um dia, a voz insiste, um dia é a síntese de toda a esperança; tão equivocada, não há um dia no meio de tantos, há um apenas, um dia tão longo ou tão curto. As noites iludem, enfeitam, confundem nossa existência. É tudo um dia apenas. Ainda, eis a palavra de tudo o que insiste. Ainda há tempo, ainda há vida. "Ainda" não deixa que as coisas acabem, mas alerta, ainda podem acabar. O que fazer com o tempo que nos resta? Com a vida? Não nos resta tempo, não temos tempo nunca, nos enganamos, insistimos, somos um monte de "ainda", que um dia acaba.

Um comentário:

Aryane Pinheiro disse...

Ei...já estamos a tanto por aqui, deveria saber que é mais fácil dizer aos outros o que fazer, que a nós mesmo, afinal somos os seres mais cabeça-dura. E viver na diversidade, no diferente, sobrepondo o que parece ser, AINDA, é a coisa mais magnífica dessa viagem desafiadora, que é viver. E quanto ao certo ou errado, a resposta nunca será uma verdade absoluta, temos apenas que buscar a nossa verdade, e estar bem com ela.
Beijos