domingo, 25 de novembro de 2012

03.09.2012

Na vida não tem isso de de repente, de repente nada. Não há o que aconteça que já não venha acontecendo, mesmo que apenas na cabeça, no desejo, no pensamento. Na vida não se nasce uma amizade de um aperto de mão, senão de vários até formar um abraço, insuspeito, depois de tantos sorrisos e dias compartilhados. Também não se finda um romance do nada, que antes algo já azedava, roía e sem perceber ou sem saber por que ou como o que era beijo na boca vira grito no ouvido, até-nunca-mais-que-deus-me-benza-e-me-perdoe-desse-equívoco. Tão pouco um câncer brota no crânio, mesmo que benigno, sem uma sucessão de traumas físicos e/ou psicológicos, alguns pensamentos errados e outros maldosos. Pode-se até dizer que não sabia, que não viu, não sentiu e "de repente" o ontem que foi hoje já sumiu; mas com um mínimo de cuidado, alguma atenção, tudo fica claro, as peças se encaixam e a mistura do que hoje fez algo ser surpresa ou novidade ganha forma, dá sinais, pistas, indícios da transformação. E entre uma claridade e outra escuridão, é possível perceber que para permanecer há de se mudar um pouco, muda-se inevitavelmente. E quando tudo parece ser de repente, seja bom, mal, indiferente, alegre ou triste, é porque nem toda mudança nos garante a continuidade do que existe.

2 comentários:

João disse...

É incrível a visão que eu tenho sobre tudo que você escreve, agora que sei um pouco mais além das reticências.

Gracita disse...

Olá Sr. Reticente.
A vida nos envia sinais a todo momento. Nós fazemos questão de ignorá-los e quando o mal acontece agimos se tivéssemos sido pegos de surpresa. Na maioria das vezes não queremos enxergar o óbvio. É mais enterrar a cabeça na areia e culpar o mundo pelos nossos fracassos.
Um bom dia pra você
Um carinhoso abraço
Gracita