quarta-feira, 7 de novembro de 2012

16.07.2000

A mágoa está no meu abraço, não saiu ainda. Suas palavras de consideração chegaram aos meus ouvidos atrasadas demais. Ainda te abraço magoado, quando te abraço. Me peguei ao apego de não me desapegar de você. E ainda te abraço magoado, quando você me abraça. E você não me abraça mais. As suas palavras atrasadas que anunciariam o seu desapego - se apego houvesse tido - já não eram mais necessárias. O seu desapego já havia batido, socado, partido. Deixou de dizer na hora certa que apego não havia tido. Esqueceu da hora. Ultrapassou os quinze minutos de tolerância. E na hora certa ficou em silêncio, indiferente, desapegando-se sorrateiramente. Meu apego ficou só. Que nem figurinha autocolante gasta, sem onde pegar. Tanta coisa poderia ter evitado, se ao invés do silêncio, do desapego tivesse falado. Os abraços seriam mais apertados, menos magoados.

Um comentário:

Evanir disse...

Encontrei seu blog hoje li com atenção não sei explicar mais me identifiquei muito com sua postagem.
estou seguindo seu blog deixando convite para seguir o meu se gostar beijis,Evanir.