domingo, 30 de dezembro de 2012

30.12.2012

Tudo é de primeira. Até o que se repete. A outra vez é falsa chance. Os sentimentos não são estanques, porque as ações não são gratuitas. Os desejos não são inabaláveis e muitas vezes cedem lugar a outras prioridades. A intensidade é o que sustenta o tempo dos acontecimentos. A rotina nem de longe controla o previsível - ele que é mera probabilidade, finge-se de domado enquanto sorrateiramente acoita a surpresa. É preciso calma para lidar com o que a solidão nos reserva. Nós que tão sós vivemos - mesmo aqueles cercados de tudo o que chamam de felicidade - não temos domínio sobre a vida, nem da nossa tão pouco a dos outros. E por isso tão sós morreremos. Não se trata de fatalidade, ou melhor, é pura e simples fatalidade. A vida é um acidente e nela os constantes tropeços quando não nos alçam voo, nos garantem uma bela queda - talvez nem tão 8 ou 80. Levantemos, contudo. Sigamos, pois é o que nos resta, ir sempre adiante, descobrindo o caminho na própria caminhada. Voltar é tolice, especialmente quando prometemos que tudo será como antes. O destino do antes é nos abandonar, afinal ele sabe que é o depois o que procuramos - mesmo sem nunca encontrá-lo precisamente. Por mais conhecida que seja a sensação de já ter vivido isso, o que temos não é nada mais do que algo parecido - porém não igual. E isso faz toda a diferença.

Fim de tarde*

Maceió/AL. Dezembro/2012
 
Fim de tarde
me arde aqui
no peito que bate
o que queima em ti.


* 30/12/2012.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Perigo ou Comida de peixe*

Arembepe/BA - dez/2012

É ali, na altura da bandeira vermelha que ele se encontra.
Batendo o corpo entre as pedras, sacudido pela correnteza.
Alimentando tubarões, águas-vivas, moréias e sereias.
Se sobreviver certamente trocará o mar pela montanha.


* 26.12.2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

22.11.2012

Tudo parece como antes,
mas não, não se engane,
sinto que desencadeei
uma avalanche.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

12.12.2012

A cidade grita "corra". Tem gente que se faz de louca.
Pedem de tudo, em todos os cantos.
E no canto da boca, nem meio sorriso
ou muito obrigado.
Apenas o cigarro e os olhos assustados
de quem deve de tudo. De quem só é cobrado.

domingo, 16 de dezembro de 2012

16.12.2012

Salvador, 16.12.2012

Madrugada me levou o sono
me deixou com os mesmos planos
não mudou nenhum desejo
acendeu apenas o medo
de não ter aprendido
de só ter me confundido
esse tempo todo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pobre piada*

O circo estava
meio cheio
meio vazio.
O palhaço contou a piada
mas ninguém riu

A parte ocupada
não entendeu
A parte deserta
nem se viu

O palhaço insatisfeito,
repetiu a anedota
foi constrangedor,
pois antes fizesse
o truque da torta

O problema
não era o público
que até pagou
ingresso caro

Nem tão pouco
a piada
que pensando bem
até que era
engraçada

O problema
de tudo
de todo o estrago
era a falsa alegria
daquele palhaço.


* 12.12.2012.

domingo, 9 de dezembro de 2012

06.12.2012

Salvador, nov. 2012

Mudando os tons do dia:
Ora tristeza
Ora alegria
E entre uma hora e outra,
intensa policromia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Desprovido de alegria*

Ela me olhava
e sorria
Eu fingia
que não a via
Ela firme
insistia
Eu por tudo
resistia
Por pouco
acreditei
que dela
uma lágrima
escorria
Ela estava
cheia e logo
gritaria
Eu então cansado
previa
que daquele encontro
não escaparia
Era uma questão
de tempo e
dela em breve
necessitaria
Foi quando percebi
que já caía o dia
e eu com fome
desprovido
de alegria
logo via
que era hora
de lavar
a pia.


* Ainda nesse instante.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Trecho do meio de 26.12.2011

Sensação triste essa a de não ser nada nem ninguém, de que os melhores são os outros e de que nunca serei um deles. Certamente jamais serei um deles, e o melhor que posso fazer é ser todo eu, não uma dessas partes só engraçadas porque ensaiadas no meu quarto-esconderijo. O melhor que eu posso fazer é isso de sentar e escrever o que não será lido e ensaiar mais um pouco pra estrear mais uma parte como um todo. Quem sabe de parte em parte, revelo-me... Ou reconhecem-me. Que medo esse de dizer quem sou, não pros outros, antes pra mim. Que pavor. É só carinho, é sincero embora clichê, embora enfeitado... Que até parece falso. Eu sou falso e luto todo dia para que não descubram, antes lutasse para não ser. Talvez esse seja o começo... Ou apenas mais um ensaio, de uma parte podre fantasiada. Uma parte feia maquiada. O melhor que eu posso fazer hoje não é inteiro, é partido, é falsamente completo e apaixonado, eu não sou o comandante desse navio e se assim acreditam, acreditem, vai afundar!