domingo, 2 de dezembro de 2012

Trecho do meio de 26.12.2011

Sensação triste essa a de não ser nada nem ninguém, de que os melhores são os outros e de que nunca serei um deles. Certamente jamais serei um deles, e o melhor que posso fazer é ser todo eu, não uma dessas partes só engraçadas porque ensaiadas no meu quarto-esconderijo. O melhor que eu posso fazer é isso de sentar e escrever o que não será lido e ensaiar mais um pouco pra estrear mais uma parte como um todo. Quem sabe de parte em parte, revelo-me... Ou reconhecem-me. Que medo esse de dizer quem sou, não pros outros, antes pra mim. Que pavor. É só carinho, é sincero embora clichê, embora enfeitado... Que até parece falso. Eu sou falso e luto todo dia para que não descubram, antes lutasse para não ser. Talvez esse seja o começo... Ou apenas mais um ensaio, de uma parte podre fantasiada. Uma parte feia maquiada. O melhor que eu posso fazer hoje não é inteiro, é partido, é falsamente completo e apaixonado, eu não sou o comandante desse navio e se assim acreditam, acreditem, vai afundar!

3 comentários:

Rick disse...

O importante é continuar velejando. Quem vai nadando, quem vai contra a corrente, nunca morre na praia.

E não, nenhum dos outros é melhor que ninguém. E talvez você nunca seja igual a um deles, mesmo porque você nasceu pra ser você. Sem mais.

"_"

Donate. disse...

Sempre lembro de você com carinho, vizinho barbudo que nunca mais me chamou pra tomar um chá.

Lindo esse meio, embora triste.

Parole disse...

Seu texto me vestiu... Já fui de pensar assim, mas chega uma hora que temos que sair do esconderijo e enfrentar o mundo e o pior, a nós mesmos.

Beijinhos, querido.