domingo, 31 de março de 2013

18.11.2012

Eles estavam tão perto que se resolvessem olhar um para o outro suas bocas se encontrariam num beijo. Espremidos no parapeito da janela conversavam sobre suas vidas, suas mortes, seus encontros e despedidas. Ali tão juntinhos, de frente para o céu quase sem estrelas, mas não nublado, diziam do perigo de estarem abandonados, do desejo de dançar, enquanto o vento que passava ameaçava derrubar as latas vazias de cerveja. Às vezes se olhavam, não ao mesmo tempo, para não correrem o perigo ou na esperança de... O diálogo foi para tantos lugares durante aquele longo tempo em que ficaram quase estáticos. Foi quando resolveram deixar a varanda e ir para a sala, no mesmo instante.

domingo, 24 de março de 2013

12.11.2012

Está tudo tão errado
que nem adianta
mudar de lado
Fique onde está
seja como for
o barco vai virar
E não há colete
salva-vidas
Torça para os tubarões
não farejarem
nossas feridas
Sim, o estrago
é grande,
e não estranhe
se por acaso
aparecer
um tsunami

quarta-feira, 20 de março de 2013

18.03.2013

Não é apenas
saudade
é muito medo
de nunca saber
como, por que.
Em um ano
isso mudou tão pouco
e toda noite pergunto
por você.
Quando não,
no amanhecer.
É tanto desejo
de te ver novamente;
que quando sonho,
esqueço: o tempo
só anda pra frente.

domingo, 17 de março de 2013

13.03.2013

Um cisco dançou no vento
e encontrou meus olhos castanhos.
Foi engraçado esse momento;
Chorei, para os estranhos.

27.06.2010

Tenho medo de tudo que é assim
tão rápido e bonito
De tudo que parece ser exatamente
o que desejamos para nós
O que os outros desejam para si
Tenho medo da crença dos outros em mim.

domingo, 10 de março de 2013

Trecho de 12.12.1998

Ninguém entende.
Ninguém vê o que não mostro.
Mas é visível. Eu olho.

02.10.2011

Às vezes é assim...
Mesmo de mão dupla,
as vias insistem
em se confundir!

domingo, 3 de março de 2013

Trecho de 03.06.2012

A estrada não é visível em sua completude. Mas é possível saber sua infinitude, basta olhar sem medo para o horizonte onde ela parece terminar, afunilando, duas linhas paralelas se encontrando, ali bem ali ela está apenas começando, no infinito as coisas não acabam, permanecem em transformação. O que vem agora é o infinito, o instante exato do encontro das linhas, o recomeço...

Palmeira dos Índios/AL, 2010.