quarta-feira, 8 de maio de 2013

Versão 08.05.2013 de 11.10.2010

Quando quase sonhava, acordou. Seu sono que nunca fora tão pesado passou então a flutuar. Bateu a insônia anunciada com as palavras misturadas de Clarice, lidas um pouco antes de deitar - as mesmas palavras que o embalaram no seu leve sono, agora o roubavam como um pesadelo. Abriu os olhos. De repente o travesseiro fisgou seu pescoço, o colchão tencionou seus músculos e o lençol passou a lhe beliscar o corpo inteiro. Revirou-se inquieto e impaciente. Não resistiu. Saltou da cama, acendeu a luz e pôs-se a escrever com a letra corrida mesmo sobre o medo de não estar vivo, de estar enganado esse tempo todo sobre a vida que ganhou (de quem?). Não era sonho.

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