quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

27.02; 08.03 e 31.12.2014

Fazer do tempo -
o pouco que seja
(na madrugada
ou no almoço,
no trânsito
ou na sala de espera);
ou o muito que se tenha -
um espaço propício
para se criar com
o que (ainda) não sabemos lidar -
uma peça ou um poema,
um novo jeito de viver
ou tratar o outro -
é sempre
uma boa forma
de continuar.

Série "Infame Amor" - 3/5*

- Quem vai lavar os pratos, hein?
- Quem?... Quem?
- Quem será?
- Ai que suspense!
- ... Você!
- Eita, não sabe nem guardar segredo!


* 02.12.2014

domingo, 28 de dezembro de 2014

15.10.2012

Ponho o perigo na boca
e o engulo te olhando nos olhos
Vejo a alegria suada
das suas trêmulas
pernas cabeludas
Respiro ofegante
igualmente molhado
aguardando seu corpo
desabar sobre o meu.

16.12.2014


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Série "Infame Amor" - 2/5*

- Quem vai fazer o almoço, hein?
- Vamos comer fora hoje, que tal?
- Olha a preguiça aí gente!
- Tá eu faço, corta as verdura pra mim, por favor!
- A gente vai no japonês ou no PF aqui do lado?!


* 02.12.2014.

24.12.2014

Há um peixe, meu amor, não sei exatamente qual, um lá no Japão, talvez um baiacu, bagre, não sei ao certo, sei que é com B. Há um peixe que desenha mandalas no fundo do oceano com a própria cauda. Ele arrasta a cauda incansavelmente e de forma tão precisa que por fim deixa registrada na areia fina do fundo do oceano, lá onde só se pode ir com roupa apropriada e muito oxigênio ou talvez nem se possa ir, mas apenas mandar uma câmera, lá ele cria uma espécie de mandala, sim, arrastando a cauda na areia. Como alguém, um peixe, meu amor, consegue desenhar um círculo de sulcos no fundo do mar? Ele, sozinho, e talvez por isso mesmo, por sua solidão, desenha um círculo, uma mandala, um sol, algo que ele faz sem sequer ter noção da beleza, ou talvez tenha, mesmo na escuridão. E sabe porque ele faz isso, meu bem? Para atrair uma fêmea da sua espécie, de forma que consigam acasalar. Os sulcos, dizem, servem para protegê-los da correnteza. Uma fêmea de gosto refinado, distraída, uma hora passa por ali e fica, se encanta com o trabalho daquele artista. Há um peixe, meu amor, cavando nesse instante uma mandala no fundo do mar do Japão, um peixe venenoso e solitário, um peixe artista que não perde tempo fingindo ser um golfinho ou tubarão; ele é um peixe pequeno, venenoso e criativo, romântico e solitário, que numa certa idade, quando se incha de desejo, não muda de cor ou emite sons estranhos, ele desenha, ele se arrasta no chão do oceano como se tivesse T.O.C. até formar uma escultura capaz de mudar o sentido das correntezas, enganar as sereias e atrair uma fêmea que deseje atenção.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

15.12.2014


Série "Infame Amor" - 1/5*

- Queria tanto um chá...
- De que, meu bem?!
- Pode ser de hortelã!
- Aproveita e ferve água pro meu café também, por favor.


* 02.12.2014.

domingo, 14 de dezembro de 2014

11.2014

Os nomes não são portos seguros, são antes dunas móveis, que viajam na direção do vento. E os ventos correm por onde o espaço permite.

Versão 21.05.2014 de 04.01.2014

A vida é uma interrogação
desse tamanhozão aqui ó
(abra bem os braços
e multiplique pelo número
lá do fim da fila)
toda repartida em assustadas
exclamações.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

07.12.2014


16.01.2013

Eu imprecisão acerto sem querer
e quando quero miro no sim
acerto no não.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Versão 07.12.2014 de 07.06.2014

segue um único sentido
o irrecuperável
tempo corrido:
imprevisível.

24.06.2014

Tem dias, dá nisso, caminho de costas para onde desejo ir. Desvio-me, tão fácil que sou de me corromper. Tem dias, os passos quase me levam onde preciso. Regresso com medo, dou meia volta, paro, parece não sou eu, parece que não é meu o desejo de chegar. Onde for, não importa, dou sempre um jeito de atrasar, saboto-me como se sabotagem fosse brinquedo e eu criança sem hora para dormir. E por falar no sono, já falei sobre isso, não parece ter mudado muito; repito o padrão, mal penso ter me corrigido. E por falar no que há de errado, tenho tentado desconsiderá-lo ou ao menos entendê-lo como parte do acerto, como duas coisas inseparáveis porque simplesmente uma. Duelo, sou um duelo entre o desejo de separar tudo, dar o lugar das coisas que não param de andar e o de entende-las inseparáveis. Elas precisam me ensinar não o que já sei - que elas não param - mas o que ainda é incerto para mim, confuso, insondável: elas não se separam. Repito, sei, parece já entendi. Errado, não sinto essa compreensão. Meu corpo não conhece essas palavras em sua plenitude; meu corpo não entende, apesar de falar, como as coisas estão conectadas. Meu corpo caminha para toda direção que não seja para onde a língua aponta.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

08.05.2013

Fiquei tanto tempo sem fazer a barba
Que outro dia me subiu uma agonia
Uma coceira danada,
decidi arrancar os pelos da cara,

Barbeador a postos, minha mão tremia
Estava destreinado,
tanto que encerrado o ofício
parecia mais que tinha tentado
suicídio...

Sem saber bem qual das veias
era a jugular.

Perdoe*

Sinto muito, mas sonhei com você!
Lamento, mas você pareceu gostar!
Desculpa, mas eu não neguei seu beijo!
Sim, naturalmente, você me beijou!
Para nossa alegria, não nos flagraram!
Paciência, mas você me acordou!


* Versão 03.12.2014 de 25.02.2011.

22.01.2009

Ainda penso que talvez...
Ainda, mesmo que secretamente, desejo quem sabe...
Ainda torço para que...
Ainda gostaria de...
Ainda espero que um dia...

domingo, 30 de novembro de 2014

14.01.2012

Os outros são como areia movediça. Não dá pra tê-los como referência, senão nos perdemos no deserto.

domingo, 23 de novembro de 2014

20.11.2014

Não me sobra mais faltas.
Não me falta mais aftas.
Não me afta mais nada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

16.11.2014

Relações implicam movimento.
Movimento implica mudança. 
Mudanças reorganizam relações, 
continuamente.

domingo, 9 de novembro de 2014

09.11.2014

Você mudou e sabe disso. Ainda que fazendo tudo do mesmo jeito, sabe que o faz de modo diferente. Acontece, não lamente. Toda ação ritualizada sofre alterações ao longo do tempo. Movimento que se repete, esconde por trás das semelhanças entre o feito e o refeito, todas as mínimas diferenças geradas pelo fluxo ininterrupto do tempo, que segue sempre em frente, provando que passado e futuro não são equivalentes.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

05.11.2014

Foi atropelado pelo sol se pondo, mesmo sabendo que quem gira é a terra. Parou sem medo da luz bater-lhe nos olhos, toda espalhada pelo céu cheio de nuvens irregulares, mas arranjadas de tal forma que quem tem fé diz ser coisa feita por alguém com D maiúsculo. Uma luz gigante e laranja, apocalíptica. O sol encaixado justo no fim da rua que atravessava cansado a caminho de casa. Se fosse o fim de tudo, não reclamaria daquela hora nem da maneira que o tempo arrumou de acabar com as coisas. Os olhos não demoraram muito porque a luz era intensa e confundia a razão, passando então a admirar apenas as bordas, os cantos onde a luz não conseguia tocar direito, deixando contornos dourados possíveis de acesso visual. Mesmo sem conta no instagram ou facebook, não se furtou de erguer o celular e capturar aquele ensaio de fim de mundo. Poderia ser o fim de fato e caso sua intuição estivesse certa, achou justo que o evento fosse registrado. Mas também poderia ser apenas uma bela oportunidade de ser assaltado, com o celular à mostra, abobalhado feito turista deslumbrado diante do cartão postal de qualquer cidade cenográfica globalizada. Nem um nem outro. Tudo correu sem sobressaltos. Guardou o aparelho e seguiu caminho, deixando a luz para trás, no fim daquela rua a caminho de casa. Não sem antes pensar com carinho que se aquele momento fosse mesmo o fim de tudo, certamente seria um belo final feliz.


domingo, 2 de novembro de 2014

28.10.2014

Sim, há palavras que não são minhas e que adoraria que fossem. Adoraria dizê-las porque quando as ouço, embora não se ajustem à minha boca, se acomodam facinho na minha alma. Há palavras dos outros tão bem arranjadas que parecem de todos. Sei, sou apenas um, mas é que essas palavras, por não serem minhas, quando as ouço, me dizem que não estou tão só assim no mundo. Essas palavras que sinto como minhas mas ditas pelos outros, são minhas porque ecoam noutra forma que não em letras ou sílabas. São minhas porque, antes de serem gramática ou fonética, são sangue, suor, tremor, pulso, dor, lágrima, sorriso, enfim, todas essas coisas que não cansam de lembrar que ainda estamos vivos.

https://www.youtube.com/watch?v=VasLnEWnAxY


domingo, 26 de outubro de 2014

14.10.2014

- Você sonha?
(pausa)
- Ah, às vezes.
(mais pausa)
- E o que você sonha nessas vezes?
(pouca pausa)
- Ah, às vezes eu sonho bobagens.
(sem pausa)
- E nas outras vezes?
(outra pausa)
- Ah, nas outras vezes... Nas outras vezes, eu realizo.

26.10.2014

Foi azar, querido. Nada mais que isso. Mas apesar de todas as evidências, a sensação de total insegurança não pode ser alimentada, ela não é de toda verdadeira. É muito provável que o trauma das experiências anteriores se fortaleçam com mais essa. Contudo, espero que você descubra uma maneira tranquila de escoar isso para fora da alma, que não incruste no seu pensamento nem tolhe o desejo de fazer coisas que gosta e que planeja.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

22.10.2014

Dúvidas passeiam
nos fios vermelhos
de seus despenteados cabelos
ao vento, as súplicas
agitam-se dispersas
pelos múltiplos espaços
do seu pensamento

domingo, 19 de outubro de 2014

19.10.2014

Feito limonada suíça,
deixaram de beber a vida juntos
e tão logo quando servida
que amargaram-se dela esquecida

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

14.10.2014

- Você sonha?
(pausa)
- Ah, às vezes.
(mais pausa)
- E o que você sonha nessas vezes?
(pouca pausa)
- Ah, às vezes eu sonho bobagens.
(sem pausa)
- E nas outras vezes?
(outra pausa)
- Ah, eu não sonho. Só sonho às vezes!
(silêncio)

domingo, 12 de outubro de 2014

09.10.2014

Arrastou aquele pensamento consigo o dia inteiro, tão surdo de outra coisa que pensar. Deu-lhe alimento a todo instante. Tanto e da melhor safra de raiva, que ganhou corpo possesso, esse mesmo que o pensou. E agiu, sem pensar. Descontrolou-se como criança aprendendo a andar. Correu esbarrando onde pôde, ferindo e causando tumulto, tropeçando, não sabendo explicar-se, caiu!

domingo, 5 de outubro de 2014

10.10.2012

E agora,
toda noite
quando me deito
me sobe um desejo
e te imagino ao meu lado

Desde que você prometeu
aparecer
fantasio nós dois
nesse quarto

Apago a luz
querendo te ter
imagino o perigo
dos nossos corpos
tão próximos
que no meio da escuridão
eu penso que

quando você vir
me visitar
talvez seja melhor
eu dormir no sofá.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Continuação de 06.12.2010

Talvez um único beijo
apague esse fogo
Um beijo
sem pudor,
apertado, sufocante
e teremos a resposta precisa
para tudo o que não houve, 
para tudo o que ficou 
nesse lugar invisível
do pensado 
e não realizado
que a gente
parou.

domingo, 28 de setembro de 2014

Trecho de 22.11.2012

Minha vontade é de passar horas contigo falando do que aconteceu, do que fizemos, para ver se gastamos todas as confusões, todas as dúvidas, todos os "e se"; para ver se rimos, se achamos graça, se desencanamos. Minha vontade é fazer qualquer coisa que minimize o possível impacto negativo do que fizemos sobre nossa vida e sobre a vida de quem amamos. Minha vontade é destronar essa agonia que a solidão está me proporcionando agora, depois que você foi embora, sem termos tempo direito de nos olharmos sem tanto constrangimento e desconforto. O que me resta é escrever.

domingo, 21 de setembro de 2014

Série XXX - 1/?

Olha pra mim
Abre a boca
Isso, aaaaa
ssiiiiiimmm!


* 27.11.2012.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

03.06.2014

Implodo de não querer fazer tudo o que devo. Deito, não me mexo. Durmo como se atropelado de cansaço, não faço ideia de onde brota todo esse sono falso. Caio em mim e não me tiro do buraco, o poço é alto. A vista não alcança e não me diz ao certo se escalo ou me rasgo tentando subir. Penduro-me de um dia para o outro deixando-me todo hoje incompleto de ontem. Temo não chegar, não fazer, não terminar, atrasar tudo e me perder por mais simples e reto que se apresente o caminho. Curvo-me em monotonia, tédio na espinha, arrepio-me infeliz.

domingo, 14 de setembro de 2014

26.07.2014

Tem coisas que são ditas ou feitas e assim que acontecem mudam tudo, numa só tacada. Tem coisas que mudam o resto sem pressa, quase como se não quisessem que tudo saia do lugar. Mas sai. As coisas são ditas e feitas a todo instante e se não rompem a represa de uma vez o fazem gradativamente até ver a água correr sem empecilho. Doerá mais cedo ou mais tarde. E seja eu ou você, nos magoaremos, nos alegraremos, nos separaremos de nós apesar de inseparáveis. Diga-me com cuidado. Ouça-me com atenção. Seja como for, nesse trânsito nem sempre seremos capazes de desviar dos buracos, dos obstáculos. Haverá vezes em que seremos nós mesmos essa estrada esburacada, mal sinalizada, carente de reparos. Haverá vezes em que caminhando até você ou você até mim, desviaremos sem perceber que o combustível não é suficiente para retornar. 

domingo, 7 de setembro de 2014

31.08.2014

Tudo o que eu não sei, por mais absurdo, ilógico ou insondável, dispensa Deus como explicação. Dispenso-O do que desconheço. Ele não se encaixa nas lacunas e vazios, nos mistérios e incertezas. Os vultos, arrepios, intuições, sonhos e as cumplicidades oculares se negam à explicação divina; permanecerão indecifráveis, mas não se entregarão ao injustificável poder do sagrado. Deus é sempre uma resposta errada anulando uma certa!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Versão 03.09.2014 do trecho central de 27.07.2008

Falo dos dias, das horas, de todos os momentos em que me dediquei (em vão) ao desconhecido, na tola crença de (sempre à minha espera) um dia sabê-lo; mas que mesmo assim (nunca encontrado), não me doeram (tanto) nem me levaram nada que me custe (muito).

Sem data exata*

você foi infiel
com meu amigo
e desleal
comigo
mas ainda assim
te privamos de castigo
pedimos apenas
respeito aos amigos
que fomos
que você se vá
em silêncio
sem reclamar
o que não tem direito
sem chorar
porque
o que está feito
está feito
vá consigo

sem amante
nem amigos


* Algo entre 2005 e 2006.

domingo, 31 de agosto de 2014

23.03.2014

É preciso sangue pulsante
para se abrir o caminho
e sentir a paz passar,
invadindo os corpos
e tomando-os com
toda alegria
que lhe é própria.
Uma vez absorvida,
é comum fechar os olhos
e repousar sobre
o campo suado e sangrento
da ardente batalha
por sua conquista.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

08.09.2012

Talvez seja melhor dormir, aproveitar que há sono, que é tarde, que acordará cedo. Talvez esqueça esse desejo. É tudo questão de pensamento, mude o pensar e mudará o agir. Aja com naturalidade e ninguém suspeitará... Logo logo passa, passará; certamente, não haverá mais razão para mudar tanta coisa de lugar por tão pouco, por tão breve, por quase nada. Evite, respire, enxergue o que de fato há, se dê conta do que não pode haver, do que não haverá. Não vale a pena, se concentre, se distancie... Se isso não der certo, fodeu.

domingo, 24 de agosto de 2014

06.06.2013

O que acontece em meu pensamento me engana constantemente porque não dá conta do que houve nem do que haverá. Não tenho o controle, penso na esperança de saber lidar melhor com a vida, mas a vida é mais rápida que meu pensamento e até quando não é, não deixa de me surpreender.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

01.07.2014

Aguardo meu diagnóstico ansiosamente. Quem o dará? Quando os sintomas se revelarão? Quando me darei conta de que talvez eles já estejam evidentes, apesar de sutis? Quem há de me dizer que certas manias ou indisposições, alterações ou desvios, coceiras e agonias já não são a morte me lanchando recheado por um mal lento e fatal? Não é possível ser o único são. Quais minhas chances de passar impune diante de um quadro nada inspirador? Como não pensar que serei o próximo a me deteriorar por ser como sou?

domingo, 17 de agosto de 2014

Versão 15.06.2014 de 18.05.2014

Sua palavra apaga o que me ofusca,
deixa visível o que meus olhos
não conseguem alcançar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Os dedos*

Arquivo pessoal. Foto de M.A.


Se acalme
que desse
jeito
não tem
tropeço


* 13.08.2014.

domingo, 10 de agosto de 2014

10.08.2014

Nosso maior erro, o principal, o único incorrigível, o único ignorado, foi termos agido como se não pudéssemos errar. Erramos. E tanto. E tão calados que não percebemos que o silêncio não era remédio. E hoje jogamos uns nos outros a impaciência pelos erros que não soubemos reconhecer, que não soubemos acertar, reverter, compartilhar. Erramos sozinhos, acreditando que não eram erros, que eram nossos apenas, que era algo menor pedir ajuda. Erramos juntos e agora não sabemos qual o nó está menos apertado para começar a desatar tanta dor desnecessária, tanto amor inconsequente.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

09, 11 e 13.04.2014

Eu sempre penso
que o que te devolvo
ainda é pouco;
tanto que talvez
balance solto
em seu coração.

Será que meu abraço
te cobre inteiro,
te basta até
chegar em casa?

Será que meus olhos
brilham direito,
para te fazer
seguir sem medo
pela estrada?

Será que minhas piadas
sustentam teu sorriso
a noite toda, até o fim
da madrugada?

Será que o meu corpo
é o melhor alento
para suprir
a sua ânsia e
fantasias projetadas?

Desejo então que esses versos
mal rimados ocupem ao menos um pouco
do espaço que lhe deixo desocupado.

domingo, 3 de agosto de 2014

08.06.2014

Fala-se sobre o que se pensa que sabe. Fala-se sobre o que se sabe como se o que se soubesse abarcasse a complexidade do que se está falando. Ouve-se e descobre-se que há outras maneiras de saber sobre o que se falava. Ouve-se e descobre-se que se sabia sobre o que se falava, mas também que há sempre mais o que aprender sobre o que se sabe.

08.10.2012

Ejaculo diariamente
vontades secretas
desejos indecentes
Tremo sozinho
diante da tela
o gozo particular
do imaginado carinho
As pernas suadas
levantam bambas
seguindo a respiração
da barriga lambuzada
O ritual se repete
dia após dia
em solitárias
madrugadas.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

30.07.2014

"Vai com Deus",
dizia o mendigo encostado
na porta do banco.
Abria-a e fechava-a
esperando um agrado
pelo favor
desnecessário.
Quem sabe alguém
carrega Deus no bolso?
E ao sair da agência,
o homem sem saldo,
descrente,
jogou-lhe uma moeda
respondendo:
"Fique com ele!"

domingo, 27 de julho de 2014

20.11.2012

Eu fiquei
do lado de fora
te esperando
Eu fui ver o mar
e acabei
chorando
Você chegou
pedindo desculpas
Eu sorri
como se não fosse
comigo
Eu disse relaxe
Eu ensaiei
o disfarce
da dor
que senti
ali tão só
ali tão sem amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Versão 22 de 15.06.2014

Sei de ti melhor que ontem, melhor que antes.
E justo por isso, me perco de nós a cada instante.

domingo, 20 de julho de 2014

17.02.2012

Que enrascada:
carnaval longe da folia.
Nada contra essa pouca alegria
mas o meio do caminho
não é uma boa fantasia.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

29.04.2014

O que posso dizer dos outros
se até o que sei de mim esqueço.
Se não me reconheço
em menos de um breve silêncio,
quem sou eu para saber de quem não vejo.

domingo, 13 de julho de 2014

13.07.2014

Os livros estão todos divididos por lápis afiados, todos rabiscados, sublinhados nos trechos que separam o meu conhecimento daquilo que não compreendo. Os livros estão todos espalhados na mesa suja de migalhas, todos manchados das refeições improvisadas para dar mais tempo de devorá-los e quem sabe descobrir o melhor jeito de regurgitá-los. Os livros estão todos acordados, sobrepostos e desordenados, todos embaralhados só para ver se as palavras e conceitos me embalam na realização desse sonho desgastado.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

25.03.2014

Diariamente
me empenho
em desvendar
o mistério
que lhe cerca.
Mas sempre
que pareço
estar prestes
a descobrir
o segredo,
você inventa
de me amar
diferente.

domingo, 6 de julho de 2014

12.11.2010

Sou apenas um reticente estado de ânimo.

06.08.2012

Quando é para optar sempre deslizo para o fugaz... Tem tanta culpa em mim que já me acostumei a errar. Não é medo de ser punido, mas de nunca me perdoar, medo de não ver essa sensação de sempre tomar a escolha mais imbecil nunca se afastar. Sempre e nunca, sou extremista, minha vida, meu desejo de vida, minha ideia do viver é tão reta e previsível, maniqueísta e egoísta. Meu olhar é leigo e facilmente conduzido ao fútil e idiota. Devo cheirar à sujeira mesmo sorrindo, apesar da meiguice. Não sei me dar rédeas, desejo-as fervorosamente, mas ando e ajo tão insanamente que esqueço de me censurar, extrapolo e depois me pergunto "por que?". Como por que?! Como pudera não ser, se só desperto depois do tempo gasto com o efêmero?!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

05.02 e 25.05.2014

Calo-me por instantes
E ouço as ameaças delirantes
dos adversários petulantes
que não possuo.

domingo, 29 de junho de 2014

19.03.2013

Farejo uma rima a parágrafos de distância.

06.08.2013 com pequena alteração em 29.06.2014

Ela calada causa agonia, irritação.
Mas se fala, recebe um não.
Nunca o que diz faz sentido ou interessa.
Nunca é motivo para uma conversa,
porque banal ou desconhecido dela.
Mas daí ela se cala, não aguentam,
imploram que fale
que faça algo diferente.
E quando ela tenta,
lhe retornam com indiferença.

De quem é a culpa?
Não interessa. Nunca será nossa
(incluindo ela).
Sempre será (unicamente) dela.

E ninguém experimenta testar outra coisa,
(efetivamente) outra forma de agir.
Ninguém pensa em mudar a si,
porque quem tem que mudar
é ela, que não pode ser quem é.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Versão 25.06./2014 de 17.12.2012

Ele então sentou-se na cama sem pressa, embora já passasse das 02h da madrugada e precisasse levantar às 07h. Sentou-se lentamente apoiando as mãos sobre o colchão com o cuidado de um bailarino sempre atento aos detalhes da sua sequência coreográfica. Respirou fundo um par de vezes acompanhando suavemente o trajeto do ar no seu corpo. Fosse apenas isso e logo estaria no sétimo sono. Mas seria difícil dormir daquele jeito, com o olhar tão inquieto contrastando com toda aquela languidez do resto do corpo. Era isso que queria acalmar antes de deitar, se não o fizesse certamente não dormiria. Fixou os olhos no guarda-roupa à sua frente, dando-lhes ordem de parar, mas feito crianças mal-criadas eles logo correram para o chão, depois para os sapatos, o tapete, a porta, subindo em seguida para o teto, a lâmpada, a teia, a muriçoca... Cobriu às pressas o rosto com as mãos na mesma intensidade de quem diz "calma", mas sem dizer. Não adiantou muito, os olhos ultrapassavam as frestas entre seus dedos e continuavam livres pelo quarto... Ele insistiu, mantendo as mãos sobre o rosto, fechando o quanto podia as pistas de luz por onde seus olhos fugiam. Sim, dormia com as luzes acesas. Sutilmente passou a se acariciar, levando os dedos pela testa, sobrancelhas, pálpebras, as palmas das mãos sobre as bochechas, depois pela barba... Os olhos, enfim, pareceram entender o recado. Algo naquele toque tranquilizou seu olhar. E fez algo mais. Da mesma maneira lenta como se sentou, seus olhos vagarosamente molharam-se e passaram a lançar lágrimas por entre seus dedos. Não havendo o que fazer, largou o rosto liberando a represa. Agora seus olhos miravam o nada enquanto lavavam sua barba. No tempo que despencava sobre seu colo, não a barba, mas as lágrimas, ele nem se deu conta da sua coluna se curvando e pendendo para o lado até tocar com o tronco o colchão, suas pernas seguiram o movimento e logo ele se encontrava encolhido na beirada da cama. As lágrimas ainda corriam, agora molhando o travesseiro, mas espaçadamente, cessando à medida que o corpo se acomodava por completo na cama. Um longo bocejo apareceu sem avisar e tratou de cerrar os olhos sorrateiramente com a pressão da boca se abrindo. Dormiu antes mesmo de sentir o caminho de lágrimas em seu rosto secar.

domingo, 22 de junho de 2014

22.06.2014

O tempo não para de chegar,
tem dias que ele chega para nos matar.
Tem vezes que quem escorre morto é ele.
Às vezes tudo isso é um grande desserviço.
Mantenha-se inteiro, te peço já gasto...
Mesmo no meio de tanto rumo despedaçado
uma hora corta-se o medo para ver sangrar
um novo caminho, um novo espaço.

22.06.2014

Pedaço de chão
engasga pé suado
joelho-solidão
cai ainda verde
arranha a terra
de suco amargo
vermelho-arranhão

quarta-feira, 18 de junho de 2014

21.04.2014

Tem palavra que não deixa escolha senão apagá-la.
Tem gente que eu nem escrevo.

domingo, 15 de junho de 2014

07.05.2014

Nesses dias de trégua e boas promessas
depois de tanto tempo com o peito tenso
respirar até causa cócegas.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

03.05.2013

A cabeça de um
pendeu sobre o
peito do outro
O travesseiro de
carne bateu
suave na porta
do sono
enquanto se
cobria com o
braço de um
o corpo
desacordado
do outro

07 e 08.06.2014

Aborto palavras e mais palavras, tem dias não dou à luz nada, sequer meia dúzia de sílabas embaralhadas. Talham e matam-me ao vê-las disformes escorrerem para longe de qualquer sentido que pudessem ter. Perdem-se num breve e dolorido intervalo em que, ansioso, antecipo-me na busca pelo ponto final que lhes serviria de berço. Reticente permaneço. Mas não me estremeço, nem guardo trauma que me impeça de preservá-las desse mesmo jeito, mal nascidas ou mortas-vivas; para enfim num outro dia, sem atropelo, olhá-las mais de perto e voltar a enfeitá-las de vida.

domingo, 1 de junho de 2014

08.06.2013

Há de se estar inteiro dentro
do que se é possível fazer hoje,
não porque o hoje acaba, mas
justamente para que o hoje
permaneça.

01.06.2014

Arrastaria o dia inteiro
só para não chegar
onde me chamam
onde me querem
onde pedem por mim
Iria tão lento
que seria obrigado
a desistir de ir.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Versão 28.05.2014 de 10.01.2014

Vou embaralhar os astros e
nascer noutro signo do sol
só pra ver se para de chover
sobre meu ascendente
cabisbaixo.

domingo, 25 de maio de 2014

Última frase de 19.02.2012

Adoraria ter calma para o que me toma e me faz tremer ao me aproximar de mim.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

19.08.2012

O gato de fato
ainda não foi castrado
Será que aguenta depois de velho?
Sequer o vacinamos.
Estamos vacilando.
Descobri que tenho um tumor
na cabeça.
Tomara não cresça.
Tenho consulta marcada,
A médica é histérica
e já me põe medo antes
de ser atendido.
O gato segue inquieto,
tem noites que pupila
dilata, só descansa depois
de rasgar tudo com as unhas afiadas.
Uma noite atacou meu braço
cortou fundo, ardeu e sangrou
Meus nervos não são de aço.
Não sei se aguento,
peço apenas que os dias
sejam corridos.
Lamento informar
Mas eu e meu gato
corremos perigo!

13.05.2014

Tenho os pensamentos fracos,
tão embaralhados e simplesinhos,
coitados.

domingo, 18 de maio de 2014

18.05.2014

Lavei pai de perna bamba
respiração ofegante
e corpo fraco
pensando em como
não pensar que não há
outro jeito,
que o nosso defeito
sempre há de nos acompanhar.
Estou todo molhado

31.03.2014

Falhamos na capacidade de amar e passamos a transbordar impaciência, incompreensão. Adoecemos uns aos outros, sem pedir licença ou merecer perdão.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Versão 26.03.2014 de 15.03.2014

Será é um olhar
desejoso,
são os braços
estendidos
para frente,
por aquilo que
não se sabe
ao certo
onde ou quando
como ou quem
está a nos esperar

domingo, 11 de maio de 2014

12.02.2012

- E quando eu sei que estou fazendo algo de errado com alguém?
- Quando o que você fez não te deixa olhar nos olhos dessa pessoa.
- E quando eu sei que estou fazendo algo de errado comigo?
- Quando você não gosta de olhar para o que está fazendo.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

25.01.2013

Ah, eu sou tanta coisa
e isso não é vantagem
ou elogio, pois entre tudo
o que sou, também posso ser
vazio.

Às vezes sou sem de fato ser
apenas dizem e eu
acredito, às vezes sou mesmo
mas sigo sem saber porque falam
escondido.

E quando digo que sou
não falta muito e já
duvido. É que entre ser  e dizer
há uma longa ponte
de resíduos.

domingo, 4 de maio de 2014

Versão 04.05.2014 de 08.03.2014

Entendo, o tempo nos é indiferente. Por isso mudamos nós. E hoje tenho olhado para ele não como algo que destrói, embora ele possa fazer isso também. Tenho visto o tempo mais como um solo fértil, uma oportunidade (ou várias delas), como adubo que possibilita a planta crescer. Tenho reparado menos as mordidas que ele tem me dado, menos os pedaços arrancados e mais o que tenho levantado com o tempo que tenho passado vivo. Não sei se me sinto decidido exatamente; acordado e atento é mais próximo do que ocorre comigo nesse momento!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

27.03.2014 inconcluso

Se há algo que eu não canso de aprender, mesmo quando me distraio entre as típicas inquietações da minha idade, é sobre o quanto em mim carrego de você. Te levo então em muitos dos meus sonhos e ao acordar trato logo de conferir os rumos da realidade.

22.01.2014

A que horas preciso me deitar para evitar acordar sempre antes que o despertador toque? Onde se escondem as soluções dos problemas (nem sempre meus, mas que me afetam) que insistem em zunir no meu ouvido ou mesmo gritar por atenção justo no meio da madrugada? Que horas dorme essa verme insaciável que não tem tempo ruim para me pedir mais uma migalha ou um banquete?!

domingo, 27 de abril de 2014

26.12.2012

Ele decidiu mudar. Tolice. Apenas inventou outras formas de fazer as mesmas coisas, de chegar nos mesmos lugares.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

23.04.2013

Começou a chover. Já era tempo de amenizar o calor, de secar o suor. Chove grosso e ininterruptamente, no céu não há perspectiva do azul aparecer. Tudo cinza e molhado, o mundo desabando em água, que escorre pelas paredes, respinga nas janelas esquecidas abertas, formando poças de todos os tamanhos.

Maceió/AL - 24.04.2013

domingo, 20 de abril de 2014

Versão 20.04.2014 de 06.04.2012

Tenho medo da hora em que lembranças e fatos se misturam e a única coisa que consigo expressar é o olhar agudo e silencioso da interrogação.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Versão 26.03.2014 de 15.01.2014

A parede abraça
o quadro por trás
Conta-lhe tudo
o que tem ouvido
e o quadro cai.

domingo, 13 de abril de 2014

Trecho final de 10.04.2014

Escrevo para nos salvar de mim e de tudo que há entre nós e eu não sei desatar.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

26.12.2013

Eu imagino que seja assim, estamos cercados por uma membrana invisível que ocupa todo o espaço "vazio" e a cada movimento esse mesmo espaço é obrigado a se reajustar, o que afeta os demais espaços e a vida de quem os habita proporcionalmente à intensidade da ação. Estou aqui escrevendo esse texto e enquanto faço isso sentado e você me assiste ali deitado no sofá, algo entre nós não acontece, embora se projete quando nos olhamos num instante em que não defino a palavra mais apropriada para o que quero dizer... Algo entre nós não acontece nesse momento, é adiado, talvez desmarcado para sempre... Algo acontece no momento em que escrevo essas palavras e o fato de estar aqui sentado, apesar do movimento estar basicamente restrito aos meus dedos tocando o teclado do notebook, eu puxo, estico ou retraio a tal membrana e isso te obriga a fazer outra coisa, não a reagir precisamente ao que faço, mas a fazer algo que preencha o espaço que deixo vazio em você.

domingo, 6 de abril de 2014

Versão adaptada de pequeno trecho de 19.11.2013

E se não houver amanhã como o esperado? Se os meus problemas, os problemas que giram na minha cabeça, destruírem o mundo nessa madrugada; quando eu acordar, quem vai pôr ordem em toda essa desgraça?!

06.12.2010

Esse fogo todo
é por tudo
o que não houve.
Por tudo o que
de tanto adiarmos
tornou-se inviável.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Última frase de 27.04.2013

Tem algo apenas comigo que me faz duvidar do que sinto.

domingo, 30 de março de 2014

Versão 30.03.2014 de 14.08.2013

Para toda iniciativa há uma tendência... A própria iniciativa é uma tendência de algo que se iniciou antes dela... O começo (de tudo que é vivo - animal, planta, conhecimento, arte...) é insondável. Seguiremos sempre entre o duelo constante de desejos e necessidades; sempre incertos, pisamos entre o que sabemos, o que queremos e o improvável.

quarta-feira, 26 de março de 2014

04.01.2014

O que tenho construído que não seja com areia?
O que tenho levantado cuja base não seja rasa?
O que deixo atrás de mim que não sejam pegadas apagadas?
Com que força tenho me movido que não seja logo interrompido?

domingo, 23 de março de 2014

Versão 23.03.2014 de 21.07.2010

A C. F. Abreu


Caio tem esse hábito de lambuzar meu ouvido com sua língua úmida e afiada e deixar um mar de ideias confusas na minha cabeça. Como tudo isso me excita. E ele sabe disso, por isso ri e não se cansa das minhas tentativas vãs de evitá-lo encolhendo a cabeça para junto do ombro enquanto o resto todo do meu corpo se contorce arrepiado. O prazer de ter Caio comigo custa-me a confusão de digerir suas ideias e histórias tristes e intensas, tão intensas que me dão a sensação de serem minhas e não deles as histórias. Mas são dele. No entanto, é minha também, e não apenas dele, toda a dor de carregá-las em seu corpo triste e cansado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Versão 19.03.2014 de 01.05.2013

Não há nunca um passado tão antigo que não possa ser atualizado.

domingo, 16 de março de 2014

03.06.2012

Tem alguma coisa errada comigo. Não quero dormir e quando durmo não desejo acordar. Pior é o trânsito de um para o outro e vice-versa. Os sonhos não são ruins, nem o travesseiro tão incômodo. A cama tem espaço, e eu nem estico tanto meus braços. Mas quando é para deitar ou levantar dói de cansaço e preguiça. E nisso o tempo fica confuso dentro de mim, porque não há nada tão importante para fazer de olhos abertos nem tão pouco sobra vontade de fechá-los. Fico vagando num estado de lerdeza e marasmo. Confudo todos os horários. Não aproveito o dia nem dormindo nem acordado.

quarta-feira, 12 de março de 2014

08.11.2010

Por mais que escreva, ainda não é isso que quero dizer!

A solidão me veste a dúvida*

Já não sei mais se sou de capricórnio
Ou se peixes é meu ascendente.
Não sei em que sol nasci
Ou se o horóscopo de jornal mente.

Não sei se saio do corpo quando sonho
Ou se estou cercado de espíritos.
Não me perguntem por religião
Sei lá qual deus atende
todos pré-requisitos.

Rezo orações inexistentes, inventadas
conforme a agonia ou graça a ser alcançada.
Anseio tanto ver para crer
que sigo cego lendo livros sagrados
buscando respostas a perguntas
que nem sei fazer.

Entro em contato com a natureza
Olho o céu, o mar e as estrelas,
observo amigos, família e animais.
Não sei ao certo onde tudo começa
Não sei como termina.
Peço ao universo compreensão.
Mas duvido e volto atrás.

Rio com meus sobrinhos
Faço as pazes com meus irmãos
Brinco com meu cão
Sofro com a decadência dos meus pais
Encontro velhos e novos amigos
Pergunto como estão
Me despeço sem saber se volto a vê-los
Já não aguento mais os funerais.


* Versão 24-25/08/2012 de 22/08/2012.

domingo, 9 de março de 2014

09.03.2014

Nessa vida que tanto balança
a única coisa firme
é a nossa insegurança

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

05.02.2014


Arquivo pessoal. 2007.

Sobrecarregado
de misérias
Revolto-me
a tempo e
me dou férias.


Arquivo pessoal. 2007.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02.02.2014

Na madrugada
ela se f(l)oi
abot(ã)oada.
triste amor
que não durou
quase nada.

Última trecho de 08.09.2012

O desfecho não é promissor, não garante risadas,
se aproxima cheirando a dor, a sangue e a lágrimas.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

27.01.2013

A boate pegou fogo e
os jovens morreram quase todos
e nos sites de notícias
nas redes sociais
nas rádios, tvs e nos jornais
Esse será o show da semana
não do mês porque daqui a
15 dias já é carnaval.
O espetáculo da dor
é sempre o mais querido
é sempre o mais esperado.
E isso inclui o carnaval também -
mas essa é outra história.
Por ele atropelam os envolvidos,
os parentes desconsolados,
Extrapolam o bom senso,
Exploram todos os lados,
de quem viu, de quem não sabe
mas acha que sabe, de quem
quer saber e de quem acredita
não ter nada a ver.
Esses corpos ainda vão queimar muito
infelizmente. Vão sufocar mais uma, outra
e tantas vezes quantas acharem necessário.
Não por eles ou pela dor de seus pais.
Vão penar e sofrer no calor e na fumaça
porque é ouro para quem só vive de
desgraças!

domingo, 26 de janeiro de 2014

26.01.2014

Saudade é sempre um brinquedo muito bom de desmantelar.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

22.01.2014

Te peço grite,
berre, urre.
Te peço não cumpra
o que te pedem
o que te obrigam
a calar.
Te digo para vomitar
tudo isso entalado
pelo que os outros
não sabem lidar
de ti
pelo que não sabem
ouvir (em seu silêncio)
A culpa não é sua
e também nem deles
e isso já lhes tira
o direito
de te suprimir a fala
não cala
que dói
dente
gengiva
lábio
bochecha
e não é coisa
da sua cabeça
é vida invertida
atordoada, perdida
sem saber onde
fica a saída
não sussurre mais
nem gema escondida
grita!
Que para vida,
há sempre momento,
enquanto ainda
se respira.

domingo, 19 de janeiro de 2014

19.01.2014

Quando
se solta
alguém
dá voltas

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Versão acadêmica em 15.01.2014 de 05.12.2012

Você não entende
Eu não sei explicar
Assim ninguém
saberá bem
o que resolvi
pesquisar.

05.12.2012

Você não entende
Eu não sei explicar
Assim ninguém
saberá bem
o que nos fez
acabar.

domingo, 12 de janeiro de 2014

07.01.2014

Eu espero
Descanse
Eu te espero
crescer.
Espero a estrada
encurtar
Descanse
seus olhos
Eu os espero
brilhantes
diante dos meus
Descanse

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

08.01.2013

Eu acordei mais cedo hoje na esperança
de fazer disso um hábito,
de variar um pouco os passos
para ver se aprendo outra dança
que não seja a do atraso.

domingo, 5 de janeiro de 2014

03.05.2013

Sua mão seguiu
sobre minha
cintura
Apertou dura
a minha carne
marcando nela
os dedos quentes
Não demorou e
logo percebi que
de cócegas
você não entende

Versão 05.01.2014 de 05.11.2012

Apago as luzes, mas mantenho os olhos abertos. Não adianta fechá-los pois não é assim tão simples que o (meu) sono vem. Os pensamentos vem e vão tão rápido e para tantas direções que não faz diferença - tudo permanece escuro do mesmo jeito e eu acordado, virando para todos os lados, lutando contra os travesseiros. Deixo então os olhos abertos para não percebê-los fechar de cansaço.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

23.11.2013

Vai andando, vai fazendo, vai pensando, vai. Não há volta, nem voltando. Cada passo é pé gasto, mas é também caminho formado. O tempo não destrói nada sem antes nos deixar criar. Vai, que recuar é apenas ir pra frente por outro caminho. Não há atalho para o dia de amanhã, nem passagem secreta. O amanhã não está ali, ele nasce a cada instante e é moldado no ato da sua realização. O amanhã de ali adiante só faz sentido quando se vê por onde já se passou. O amanhã distante, aquele tão esperado embora nem sempre realizado, só existe em relação ao passado.