domingo, 30 de março de 2014

Versão 30.03.2014 de 14.08.2013

Para toda iniciativa há uma tendência... A própria iniciativa é uma tendência de algo que se iniciou antes dela... O começo (de tudo que é vivo - animal, planta, conhecimento, arte...) é insondável. Seguiremos sempre entre o duelo constante de desejos e necessidades; sempre incertos, pisamos entre o que sabemos, o que queremos e o improvável.

quarta-feira, 26 de março de 2014

04.01.2014

O que tenho construído que não seja com areia?
O que tenho levantado cuja base não seja rasa?
O que deixo atrás de mim que não sejam pegadas apagadas?
Com que força tenho me movido que não seja logo interrompido?

domingo, 23 de março de 2014

Versão 23.03.2014 de 21.07.2010

A C. F. Abreu


Caio tem esse hábito de lambuzar meu ouvido com sua língua úmida e afiada e deixar um mar de ideias confusas na minha cabeça. Como tudo isso me excita. E ele sabe disso, por isso ri e não se cansa das minhas tentativas vãs de evitá-lo encolhendo a cabeça para junto do ombro enquanto o resto todo do meu corpo se contorce arrepiado. O prazer de ter Caio comigo custa-me a confusão de digerir suas ideias e histórias tristes e intensas, tão intensas que me dão a sensação de serem minhas e não deles as histórias. Mas são dele. No entanto, é minha também, e não apenas dele, toda a dor de carregá-las em seu corpo triste e cansado.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Versão 19.03.2014 de 01.05.2013

Não há nunca um passado tão antigo que não possa ser atualizado.

domingo, 16 de março de 2014

03.06.2012

Tem alguma coisa errada comigo. Não quero dormir e quando durmo não desejo acordar. Pior é o trânsito de um para o outro e vice-versa. Os sonhos não são ruins, nem o travesseiro tão incômodo. A cama tem espaço, e eu nem estico tanto meus braços. Mas quando é para deitar ou levantar dói de cansaço e preguiça. E nisso o tempo fica confuso dentro de mim, porque não há nada tão importante para fazer de olhos abertos nem tão pouco sobra vontade de fechá-los. Fico vagando num estado de lerdeza e marasmo. Confudo todos os horários. Não aproveito o dia nem dormindo nem acordado.

quarta-feira, 12 de março de 2014

08.11.2010

Por mais que escreva, ainda não é isso que quero dizer!

A solidão me veste a dúvida*

Já não sei mais se sou de capricórnio
Ou se peixes é meu ascendente.
Não sei em que sol nasci
Ou se o horóscopo de jornal mente.

Não sei se saio do corpo quando sonho
Ou se estou cercado de espíritos.
Não me perguntem por religião
Sei lá qual deus atende
todos pré-requisitos.

Rezo orações inexistentes, inventadas
conforme a agonia ou graça a ser alcançada.
Anseio tanto ver para crer
que sigo cego lendo livros sagrados
buscando respostas a perguntas
que nem sei fazer.

Entro em contato com a natureza
Olho o céu, o mar e as estrelas,
observo amigos, família e animais.
Não sei ao certo onde tudo começa
Não sei como termina.
Peço ao universo compreensão.
Mas duvido e volto atrás.

Rio com meus sobrinhos
Faço as pazes com meus irmãos
Brinco com meu cão
Sofro com a decadência dos meus pais
Encontro velhos e novos amigos
Pergunto como estão
Me despeço sem saber se volto a vê-los
Já não aguento mais os funerais.


* Versão 24-25/08/2012 de 22/08/2012.

domingo, 9 de março de 2014

09.03.2014

Nessa vida que tanto balança
a única coisa firme
é a nossa insegurança