quarta-feira, 12 de março de 2014

A solidão me veste a dúvida*

Já não sei mais se sou de capricórnio
Ou se peixes é meu ascendente.
Não sei em que sol nasci
Ou se o horóscopo de jornal mente.

Não sei se saio do corpo quando sonho
Ou se estou cercado de espíritos.
Não me perguntem por religião
Sei lá qual deus atende
todos pré-requisitos.

Rezo orações inexistentes, inventadas
conforme a agonia ou graça a ser alcançada.
Anseio tanto ver para crer
que sigo cego lendo livros sagrados
buscando respostas a perguntas
que nem sei fazer.

Entro em contato com a natureza
Olho o céu, o mar e as estrelas,
observo amigos, família e animais.
Não sei ao certo onde tudo começa
Não sei como termina.
Peço ao universo compreensão.
Mas duvido e volto atrás.

Rio com meus sobrinhos
Faço as pazes com meus irmãos
Brinco com meu cão
Sofro com a decadência dos meus pais
Encontro velhos e novos amigos
Pergunto como estão
Me despeço sem saber se volto a vê-los
Já não aguento mais os funerais.


* Versão 24-25/08/2012 de 22/08/2012.

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