domingo, 23 de março de 2014

Versão 23.03.2014 de 21.07.2010

A C. F. Abreu


Caio tem esse hábito de lambuzar meu ouvido com sua língua úmida e afiada e deixar um mar de ideias confusas na minha cabeça. Como tudo isso me excita. E ele sabe disso, por isso ri e não se cansa das minhas tentativas vãs de evitá-lo encolhendo a cabeça para junto do ombro enquanto o resto todo do meu corpo se contorce arrepiado. O prazer de ter Caio comigo custa-me a confusão de digerir suas ideias e histórias tristes e intensas, tão intensas que me dão a sensação de serem minhas e não deles as histórias. Mas são dele. No entanto, é minha também, e não apenas dele, toda a dor de carregá-las em seu corpo triste e cansado.

Um comentário:

Gracita disse...

Muitas vezes nos identificamos tanto com uma história que sentimo-nos personagens e autores pela força com qual ela retrata o nosso viver e sentir
Um carinhoso abraço