quarta-feira, 30 de julho de 2014

30.07.2014

"Vai com Deus",
dizia o mendigo encostado
na porta do banco.
Abria-a e fechava-a
esperando um agrado
pelo favor
desnecessário.
Quem sabe alguém
carrega Deus no bolso?
E ao sair da agência,
o homem sem saldo,
descrente,
jogou-lhe uma moeda
respondendo:
"Fique com ele!"

domingo, 27 de julho de 2014

20.11.2012

Eu fiquei
do lado de fora
te esperando
Eu fui ver o mar
e acabei
chorando
Você chegou
pedindo desculpas
Eu sorri
como se não fosse
comigo
Eu disse relaxe
Eu ensaiei
o disfarce
da dor
que senti
ali tão só
ali tão sem amor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Versão 22 de 15.06.2014

Sei de ti melhor que ontem, melhor que antes.
E justo por isso, me perco de nós a cada instante.

domingo, 20 de julho de 2014

17.02.2012

Que enrascada:
carnaval longe da folia.
Nada contra essa pouca alegria
mas o meio do caminho
não é uma boa fantasia.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

29.04.2014

O que posso dizer dos outros
se até o que sei de mim esqueço.
Se não me reconheço
em menos de um breve silêncio,
quem sou eu para saber de quem não vejo.

domingo, 13 de julho de 2014

13.07.2014

Os livros estão todos divididos por lápis afiados, todos rabiscados, sublinhados nos trechos que separam o meu conhecimento daquilo que não compreendo. Os livros estão todos espalhados na mesa suja de migalhas, todos manchados das refeições improvisadas para dar mais tempo de devorá-los e quem sabe descobrir o melhor jeito de regurgitá-los. Os livros estão todos acordados, sobrepostos e desordenados, todos embaralhados só para ver se as palavras e conceitos me embalam na realização desse sonho desgastado.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

25.03.2014

Diariamente
me empenho
em desvendar
o mistério
que lhe cerca.
Mas sempre
que pareço
estar prestes
a descobrir
o segredo,
você inventa
de me amar
diferente.

domingo, 6 de julho de 2014

12.11.2010

Sou apenas um reticente estado de ânimo.

06.08.2012

Quando é para optar sempre deslizo para o fugaz... Tem tanta culpa em mim que já me acostumei a errar. Não é medo de ser punido, mas de nunca me perdoar, medo de não ver essa sensação de sempre tomar a escolha mais imbecil nunca se afastar. Sempre e nunca, sou extremista, minha vida, meu desejo de vida, minha ideia do viver é tão reta e previsível, maniqueísta e egoísta. Meu olhar é leigo e facilmente conduzido ao fútil e idiota. Devo cheirar à sujeira mesmo sorrindo, apesar da meiguice. Não sei me dar rédeas, desejo-as fervorosamente, mas ando e ajo tão insanamente que esqueço de me censurar, extrapolo e depois me pergunto "por que?". Como por que?! Como pudera não ser, se só desperto depois do tempo gasto com o efêmero?!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

05.02 e 25.05.2014

Calo-me por instantes
E ouço as ameaças delirantes
dos adversários petulantes
que não possuo.