domingo, 31 de agosto de 2014

23.03.2014

É preciso sangue pulsante
para se abrir o caminho
e sentir a paz passar,
invadindo os corpos
e tomando-os com
toda alegria
que lhe é própria.
Uma vez absorvida,
é comum fechar os olhos
e repousar sobre
o campo suado e sangrento
da ardente batalha
por sua conquista.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

08.09.2012

Talvez seja melhor dormir, aproveitar que há sono, que é tarde, que acordará cedo. Talvez esqueça esse desejo. É tudo questão de pensamento, mude o pensar e mudará o agir. Aja com naturalidade e ninguém suspeitará... Logo logo passa, passará; certamente, não haverá mais razão para mudar tanta coisa de lugar por tão pouco, por tão breve, por quase nada. Evite, respire, enxergue o que de fato há, se dê conta do que não pode haver, do que não haverá. Não vale a pena, se concentre, se distancie... Se isso não der certo, fodeu.

domingo, 24 de agosto de 2014

06.06.2013

O que acontece em meu pensamento me engana constantemente porque não dá conta do que houve nem do que haverá. Não tenho o controle, penso na esperança de saber lidar melhor com a vida, mas a vida é mais rápida que meu pensamento e até quando não é, não deixa de me surpreender.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

01.07.2014

Aguardo meu diagnóstico ansiosamente. Quem o dará? Quando os sintomas se revelarão? Quando me darei conta de que talvez eles já estejam evidentes, apesar de sutis? Quem há de me dizer que certas manias ou indisposições, alterações ou desvios, coceiras e agonias já não são a morte me lanchando recheado por um mal lento e fatal? Não é possível ser o único são. Quais minhas chances de passar impune diante de um quadro nada inspirador? Como não pensar que serei o próximo a me deteriorar por ser como sou?

domingo, 17 de agosto de 2014

Versão 15.06.2014 de 18.05.2014

Sua palavra apaga o que me ofusca,
deixa visível o que meus olhos
não conseguem alcançar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Os dedos*

Arquivo pessoal. Foto de M.A.


Se acalme
que desse
jeito
não tem
tropeço


* 13.08.2014.

domingo, 10 de agosto de 2014

10.08.2014

Nosso maior erro, o principal, o único incorrigível, o único ignorado, foi termos agido como se não pudéssemos errar. Erramos. E tanto. E tão calados que não percebemos que o silêncio não era remédio. E hoje jogamos uns nos outros a impaciência pelos erros que não soubemos reconhecer, que não soubemos acertar, reverter, compartilhar. Erramos sozinhos, acreditando que não eram erros, que eram nossos apenas, que era algo menor pedir ajuda. Erramos juntos e agora não sabemos qual o nó está menos apertado para começar a desatar tanta dor desnecessária, tanto amor inconsequente.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

09, 11 e 13.04.2014

Eu sempre penso
que o que te devolvo
ainda é pouco;
tanto que talvez
balance solto
em seu coração.

Será que meu abraço
te cobre inteiro,
te basta até
chegar em casa?

Será que meus olhos
brilham direito,
para te fazer
seguir sem medo
pela estrada?

Será que minhas piadas
sustentam teu sorriso
a noite toda, até o fim
da madrugada?

Será que o meu corpo
é o melhor alento
para suprir
a sua ânsia e
fantasias projetadas?

Desejo então que esses versos
mal rimados ocupem ao menos um pouco
do espaço que lhe deixo desocupado.

domingo, 3 de agosto de 2014

08.06.2014

Fala-se sobre o que se pensa que sabe. Fala-se sobre o que se sabe como se o que se soubesse abarcasse a complexidade do que se está falando. Ouve-se e descobre-se que há outras maneiras de saber sobre o que se falava. Ouve-se e descobre-se que se sabia sobre o que se falava, mas também que há sempre mais o que aprender sobre o que se sabe.

08.10.2012

Ejaculo diariamente
vontades secretas
desejos indecentes
Tremo sozinho
diante da tela
o gozo particular
do imaginado carinho
As pernas suadas
levantam bambas
seguindo a respiração
da barriga lambuzada
O ritual se repete
dia após dia
em solitárias
madrugadas.