domingo, 28 de setembro de 2014

Trecho de 22.11.2012

Minha vontade é de passar horas contigo falando do que aconteceu, do que fizemos, para ver se gastamos todas as confusões, todas as dúvidas, todos os "e se"; para ver se rimos, se achamos graça, se desencanamos. Minha vontade é fazer qualquer coisa que minimize o possível impacto negativo do que fizemos sobre nossa vida e sobre a vida de quem amamos. Minha vontade é destronar essa agonia que a solidão está me proporcionando agora, depois que você foi embora, sem termos tempo direito de nos olharmos sem tanto constrangimento e desconforto. O que me resta é escrever.

domingo, 21 de setembro de 2014

Série XXX - 1/?

Olha pra mim
Abre a boca
Isso, aaaaa
ssiiiiiimmm!


* 27.11.2012.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

03.06.2014

Implodo de não querer fazer tudo o que devo. Deito, não me mexo. Durmo como se atropelado de cansaço, não faço ideia de onde brota todo esse sono falso. Caio em mim e não me tiro do buraco, o poço é alto. A vista não alcança e não me diz ao certo se escalo ou me rasgo tentando subir. Penduro-me de um dia para o outro deixando-me todo hoje incompleto de ontem. Temo não chegar, não fazer, não terminar, atrasar tudo e me perder por mais simples e reto que se apresente o caminho. Curvo-me em monotonia, tédio na espinha, arrepio-me infeliz.

domingo, 14 de setembro de 2014

26.07.2014

Tem coisas que são ditas ou feitas e assim que acontecem mudam tudo, numa só tacada. Tem coisas que mudam o resto sem pressa, quase como se não quisessem que tudo saia do lugar. Mas sai. As coisas são ditas e feitas a todo instante e se não rompem a represa de uma vez o fazem gradativamente até ver a água correr sem empecilho. Doerá mais cedo ou mais tarde. E seja eu ou você, nos magoaremos, nos alegraremos, nos separaremos de nós apesar de inseparáveis. Diga-me com cuidado. Ouça-me com atenção. Seja como for, nesse trânsito nem sempre seremos capazes de desviar dos buracos, dos obstáculos. Haverá vezes em que seremos nós mesmos essa estrada esburacada, mal sinalizada, carente de reparos. Haverá vezes em que caminhando até você ou você até mim, desviaremos sem perceber que o combustível não é suficiente para retornar. 

domingo, 7 de setembro de 2014

31.08.2014

Tudo o que eu não sei, por mais absurdo, ilógico ou insondável, dispensa Deus como explicação. Dispenso-O do que desconheço. Ele não se encaixa nas lacunas e vazios, nos mistérios e incertezas. Os vultos, arrepios, intuições, sonhos e as cumplicidades oculares se negam à explicação divina; permanecerão indecifráveis, mas não se entregarão ao injustificável poder do sagrado. Deus é sempre uma resposta errada anulando uma certa!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Versão 03.09.2014 do trecho central de 27.07.2008

Falo dos dias, das horas, de todos os momentos em que me dediquei (em vão) ao desconhecido, na tola crença de (sempre à minha espera) um dia sabê-lo; mas que mesmo assim (nunca encontrado), não me doeram (tanto) nem me levaram nada que me custe (muito).

Sem data exata*

você foi infiel
com meu amigo
e desleal
comigo
mas ainda assim
te privamos de castigo
pedimos apenas
respeito aos amigos
que fomos
que você se vá
em silêncio
sem reclamar
o que não tem direito
sem chorar
porque
o que está feito
está feito
vá consigo

sem amante
nem amigos


* Algo entre 2005 e 2006.