domingo, 30 de novembro de 2014

14.01.2012

Os outros são como areia movediça. Não dá pra tê-los como referência, senão nos perdemos no deserto.

domingo, 23 de novembro de 2014

20.11.2014

Não me sobra mais faltas.
Não me falta mais aftas.
Não me afta mais nada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

16.11.2014

Relações implicam movimento.
Movimento implica mudança. 
Mudanças reorganizam relações, 
continuamente.

domingo, 9 de novembro de 2014

09.11.2014

Você mudou e sabe disso. Ainda que fazendo tudo do mesmo jeito, sabe que o faz de modo diferente. Acontece, não lamente. Toda ação ritualizada sofre alterações ao longo do tempo. Movimento que se repete, esconde por trás das semelhanças entre o feito e o refeito, todas as mínimas diferenças geradas pelo fluxo ininterrupto do tempo, que segue sempre em frente, provando que passado e futuro não são equivalentes.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

05.11.2014

Foi atropelado pelo sol se pondo, mesmo sabendo que quem gira é a terra. Parou sem medo da luz bater-lhe nos olhos, toda espalhada pelo céu cheio de nuvens irregulares, mas arranjadas de tal forma que quem tem fé diz ser coisa feita por alguém com D maiúsculo. Uma luz gigante e laranja, apocalíptica. O sol encaixado justo no fim da rua que atravessava cansado a caminho de casa. Se fosse o fim de tudo, não reclamaria daquela hora nem da maneira que o tempo arrumou de acabar com as coisas. Os olhos não demoraram muito porque a luz era intensa e confundia a razão, passando então a admirar apenas as bordas, os cantos onde a luz não conseguia tocar direito, deixando contornos dourados possíveis de acesso visual. Mesmo sem conta no instagram ou facebook, não se furtou de erguer o celular e capturar aquele ensaio de fim de mundo. Poderia ser o fim de fato e caso sua intuição estivesse certa, achou justo que o evento fosse registrado. Mas também poderia ser apenas uma bela oportunidade de ser assaltado, com o celular à mostra, abobalhado feito turista deslumbrado diante do cartão postal de qualquer cidade cenográfica globalizada. Nem um nem outro. Tudo correu sem sobressaltos. Guardou o aparelho e seguiu caminho, deixando a luz para trás, no fim daquela rua a caminho de casa. Não sem antes pensar com carinho que se aquele momento fosse mesmo o fim de tudo, certamente seria um belo final feliz.


domingo, 2 de novembro de 2014

28.10.2014

Sim, há palavras que não são minhas e que adoraria que fossem. Adoraria dizê-las porque quando as ouço, embora não se ajustem à minha boca, se acomodam facinho na minha alma. Há palavras dos outros tão bem arranjadas que parecem de todos. Sei, sou apenas um, mas é que essas palavras, por não serem minhas, quando as ouço, me dizem que não estou tão só assim no mundo. Essas palavras que sinto como minhas mas ditas pelos outros, são minhas porque ecoam noutra forma que não em letras ou sílabas. São minhas porque, antes de serem gramática ou fonética, são sangue, suor, tremor, pulso, dor, lágrima, sorriso, enfim, todas essas coisas que não cansam de lembrar que ainda estamos vivos.

https://www.youtube.com/watch?v=VasLnEWnAxY