quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

27.02; 08.03 e 31.12.2014

Fazer do tempo -
o pouco que seja
(na madrugada
ou no almoço,
no trânsito
ou na sala de espera);
ou o muito que se tenha -
um espaço propício
para se criar com
o que (ainda) não sabemos lidar -
uma peça ou um poema,
um novo jeito de viver
ou tratar o outro -
é sempre
uma boa forma
de continuar.

Série "Infame Amor" - 3/5*

- Quem vai lavar os pratos, hein?
- Quem?... Quem?
- Quem será?
- Ai que suspense!
- ... Você!
- Eita, não sabe nem guardar segredo!


* 02.12.2014

domingo, 28 de dezembro de 2014

15.10.2012

Ponho o perigo na boca
e o engulo te olhando nos olhos
Vejo a alegria suada
das suas trêmulas
pernas cabeludas
Respiro ofegante
igualmente molhado
aguardando seu corpo
desabar sobre o meu.

16.12.2014


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Série "Infame Amor" - 2/5*

- Quem vai fazer o almoço, hein?
- Vamos comer fora hoje, que tal?
- Olha a preguiça aí gente!
- Tá eu faço, corta as verdura pra mim, por favor!
- A gente vai no japonês ou no PF aqui do lado?!


* 02.12.2014.

24.12.2014

Há um peixe, meu amor, não sei exatamente qual, um lá no Japão, talvez um baiacu, bagre, não sei ao certo, sei que é com B. Há um peixe que desenha mandalas no fundo do oceano com a própria cauda. Ele arrasta a cauda incansavelmente e de forma tão precisa que por fim deixa registrada na areia fina do fundo do oceano, lá onde só se pode ir com roupa apropriada e muito oxigênio ou talvez nem se possa ir, mas apenas mandar uma câmera, lá ele cria uma espécie de mandala, sim, arrastando a cauda na areia. Como alguém, um peixe, meu amor, consegue desenhar um círculo de sulcos no fundo do mar? Ele, sozinho, e talvez por isso mesmo, por sua solidão, desenha um círculo, uma mandala, um sol, algo que ele faz sem sequer ter noção da beleza, ou talvez tenha, mesmo na escuridão. E sabe porque ele faz isso, meu bem? Para atrair uma fêmea da sua espécie, de forma que consigam acasalar. Os sulcos, dizem, servem para protegê-los da correnteza. Uma fêmea de gosto refinado, distraída, uma hora passa por ali e fica, se encanta com o trabalho daquele artista. Há um peixe, meu amor, cavando nesse instante uma mandala no fundo do mar do Japão, um peixe venenoso e solitário, um peixe artista que não perde tempo fingindo ser um golfinho ou tubarão; ele é um peixe pequeno, venenoso e criativo, romântico e solitário, que numa certa idade, quando se incha de desejo, não muda de cor ou emite sons estranhos, ele desenha, ele se arrasta no chão do oceano como se tivesse T.O.C. até formar uma escultura capaz de mudar o sentido das correntezas, enganar as sereias e atrair uma fêmea que deseje atenção.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

15.12.2014


Série "Infame Amor" - 1/5*

- Queria tanto um chá...
- De que, meu bem?!
- Pode ser de hortelã!
- Aproveita e ferve água pro meu café também, por favor.


* 02.12.2014.

domingo, 14 de dezembro de 2014

11.2014

Os nomes não são portos seguros, são antes dunas móveis, que viajam na direção do vento. E os ventos correm por onde o espaço permite.

Versão 21.05.2014 de 04.01.2014

A vida é uma interrogação
desse tamanhozão aqui ó
(abra bem os braços
e multiplique pelo número
lá do fim da fila)
toda repartida em assustadas
exclamações.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

07.12.2014


16.01.2013

Eu imprecisão acerto sem querer
e quando quero miro no sim
acerto no não.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Versão 07.12.2014 de 07.06.2014

segue um único sentido
o irrecuperável
tempo corrido:
imprevisível.

24.06.2014

Tem dias, dá nisso, caminho de costas para onde desejo ir. Desvio-me, tão fácil que sou de me corromper. Tem dias, os passos quase me levam onde preciso. Regresso com medo, dou meia volta, paro, parece não sou eu, parece que não é meu o desejo de chegar. Onde for, não importa, dou sempre um jeito de atrasar, saboto-me como se sabotagem fosse brinquedo e eu criança sem hora para dormir. E por falar no sono, já falei sobre isso, não parece ter mudado muito; repito o padrão, mal penso ter me corrigido. E por falar no que há de errado, tenho tentado desconsiderá-lo ou ao menos entendê-lo como parte do acerto, como duas coisas inseparáveis porque simplesmente uma. Duelo, sou um duelo entre o desejo de separar tudo, dar o lugar das coisas que não param de andar e o de entende-las inseparáveis. Elas precisam me ensinar não o que já sei - que elas não param - mas o que ainda é incerto para mim, confuso, insondável: elas não se separam. Repito, sei, parece já entendi. Errado, não sinto essa compreensão. Meu corpo não conhece essas palavras em sua plenitude; meu corpo não entende, apesar de falar, como as coisas estão conectadas. Meu corpo caminha para toda direção que não seja para onde a língua aponta.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

08.05.2013

Fiquei tanto tempo sem fazer a barba
Que outro dia me subiu uma agonia
Uma coceira danada,
decidi arrancar os pelos da cara,

Barbeador a postos, minha mão tremia
Estava destreinado,
tanto que encerrado o ofício
parecia mais que tinha tentado
suicídio...

Sem saber bem qual das veias
era a jugular.

Perdoe*

Sinto muito, mas sonhei com você!
Lamento, mas você pareceu gostar!
Desculpa, mas eu não neguei seu beijo!
Sim, naturalmente, você me beijou!
Para nossa alegria, não nos flagraram!
Paciência, mas você me acordou!


* Versão 03.12.2014 de 25.02.2011.

22.01.2009

Ainda penso que talvez...
Ainda, mesmo que secretamente, desejo quem sabe...
Ainda torço para que...
Ainda gostaria de...
Ainda espero que um dia...