domingo, 7 de dezembro de 2014

24.06.2014

Tem dias, dá nisso, caminho de costas para onde desejo ir. Desvio-me, tão fácil que sou de me corromper. Tem dias, os passos quase me levam onde preciso. Regresso com medo, dou meia volta, paro, parece não sou eu, parece que não é meu o desejo de chegar. Onde for, não importa, dou sempre um jeito de atrasar, saboto-me como se sabotagem fosse brinquedo e eu criança sem hora para dormir. E por falar no sono, já falei sobre isso, não parece ter mudado muito; repito o padrão, mal penso ter me corrigido. E por falar no que há de errado, tenho tentado desconsiderá-lo ou ao menos entendê-lo como parte do acerto, como duas coisas inseparáveis porque simplesmente uma. Duelo, sou um duelo entre o desejo de separar tudo, dar o lugar das coisas que não param de andar e o de entende-las inseparáveis. Elas precisam me ensinar não o que já sei - que elas não param - mas o que ainda é incerto para mim, confuso, insondável: elas não se separam. Repito, sei, parece já entendi. Errado, não sinto essa compreensão. Meu corpo não conhece essas palavras em sua plenitude; meu corpo não entende, apesar de falar, como as coisas estão conectadas. Meu corpo caminha para toda direção que não seja para onde a língua aponta.

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