quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

30.12.2015

Da falta de garantia sobre o futuro, resolveu se dar de presente aquela parcela do imprevisível que oferecesse mais probabilidades de saudável criação. Daquele dia em diante priorizou os detalhes que favorecem a formação de laços, apostou mais em gestos firmes e leves, olhos nos olhos, abraços mais apertados. Desde então, o futuro amanhece mais doce a cada dia. Não que esteja imune à dor ou isento de desarmonia. O tempo apenas passou a ser visto como um semeador de possibilidades de vida, menos tirano e muito mais um aliado.

02.12.2015

É de ficção que você se alimenta. Não importa se verdade ou mentira, a sua medida não é o real. O seu parâmetro é o quântico. Espaço e tempo dos seus passos se distorcem, contorcem, engalfinham-se apenas para atender os caprichos dos seus volúveis desejos. Sua trama é uma gosma gelatinosa e sufocante tanto mais se tente sair dela. Você é personagem em contínua criação, narração autossuficiente e despreocupada com o destino daqueles com quem trava diálogos. Você não passa de "era uma vez..." já ida, fodida em seu enredo, clímax previsível, falível em seu estilo de história mal contada.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

31.12.2014

Sensação louca essa, e constante,
de que sempre gasto o tempo
com o que pode ficar para depois.
Como a sobremesa antes do almoço,
e quando olho para o prato,
já sem apetite algum,
mal trisco no arroz.

23.12.2015

Tenho cuspido tanto amargor nos últimos dias, expelido a tristeza e o pessimismo latentes em meu pensamento, não é para ver a casa escurecer e afundar numa atmosfera densa e insuportável. Tenho dito toda essa dor e agonia antes como quem tenta se livrar de um veneno despojado que corre à vontade na corrente sanguínea, dissolvendo a vida já tão amarga. É na tentativa de sorrir que grito essa raiva diariamente para ver se me esvazio desses nós que me incomodam o sono mesmo nas mais ortopédicas noites de sexo. É no desejo de ser feliz que seguro as paredes com as mãos espalmadas e os olhos fechados deixando que a incompreensão e toda tensão que ela acarreta escoe para a terra e lá se disperse. Tento enterrar os maus presságios, especialmente os infundados, tanto quanto as minhas unhas suportam o atrito com as pedras que encontram no caminho. Não é cemitério que quero construir ao meu redor, é jardim.

domingo, 20 de dezembro de 2015

30.11.2015

Uma correnteza incontrolável flui por baixo desse silêncio todo. Em breve, as margens de todo esse gesto comedido e educado serão arrastadas pela ira omitida e alimentada secretamente entre nós. Haverá gritos e ninguém que puder se salvará. Seremos tragados pelo faminto redemoinho de incompreensão e dor de não sabermos lidar uns com os outros. Se toda essa água não afogar o pouco amor que boia cansado de tanto lutar contra as ondas intermitentes e cada vez maiores, talvez reste uma ilha logo ali que nos acolha e sirva de base ainda que temporária para um recomeço difícil e quase fadado ao fracasso.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

06.12.2015

O par de sandálias que você deixou aqui caminha pela casa levando meus pés por todos os cômodos e assim incomoda os vizinhos toda madrugada, assombrando de saudade o piso azulejado de poeira e pelo do gato.

domingo, 13 de dezembro de 2015

07.12.2015

Desce lágrima maldita e desentope essa goela fechada de frustração e rancor.

13.12.2015

Definho em silêncio diante do que não consigo mudar em mim. É tanta tentativa frustrada, tanta promessa descumprida. A culpa já não dói, de tão ininterrupta. Os dias seguem ligeiros e carregam com eles a esperança verde musgo quase erva daninha. Não sei do dia de amanhã, até vislumbro. Sucumbo na diferença entre o desejo ofegante e o que se ergue diante de mim, fruto das desajeitadas mãos que possuo. Sei da minha falta total de controle e a uso como cúmplice da minha incapacidade de superar a tola tarefa de ser algo melhor, algo inteiro, algo digno de participar.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

06.12.2015

Sou de esperar, carrego no peito uma coisa de pensar que algo bom está sempre para acontecer. Não acontece, claro, mas desejo calado e quase realizo. Nisso da vontade tensionar em silêncio dentro do peito, ofego, transpiro, dilato as pupilas e pisco até cansar e dormir. No dia seguinte, quem sabe, desespero até alcançar.

Série "Aleatórias Inspirações" - 4/8*

Há uma coisa qualquer
em mim mexendo
Não é vento
é berro doido
é avexamento
por isso bato papo
estranho te arranho
até de manhã
tiro sarro de você
até você me apanhar
pra lá de Teerã


* Inspiração em: https://www.youtube.com/watch?v=iNUsnjV3FIc. 09.12.2015.

domingo, 6 de dezembro de 2015

06.12.2015

A luz amarela da luminária veste o quarto de pôr do sol em eterna suspensão, enquanto aqueles dois anoitecem no horizonte da cama entre os montes de livros e os estreitos cânions quentes e úmidos que separam seus corpos. Afetos mudarão a paisagem até amanhecer.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

24.09.2015

Esse é um lugar incerto, dizia a si mesmo, justamente porque repleto de cômodas certezas e estabilidades. Transitórias todas, ele bem sabia. Um equilíbrio precário e ele agindo como se o futuro fosse previsível e palpável. Se podia tocar algo do amanhã, não seria mais que areia escorregando entre os dedos, farelos de objetivos mal planejados. Esse lugar incerto não lhe assombrava, mas nem por isso deixava de entristecê-lo, vislumbrando os pedaços rachados de desejos constantemente adiados.

30.11.2015

Explodo da falta de certeza
em minha boca muda.
Mudo calado os estragos,
estilhaços e ruínas
na esperança de cavar espaço
onde possamos ver crescer
outra casa, outro teto
menos frágil.

domingo, 29 de novembro de 2015

19 e 29.11.2015

Para os que arrotam arrogância depois que tomam certas verdades como absolutas; vale às vezes mudar a dieta de ideais e tomar um pouco mais de cuidado.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

24 e 27.06 e 25.10.2015

Houve
Ouve
Houve um tempo
Ouve-me
Houve um tempo em que
Escuta por favor
Houve um tempo em que a gente
Ei, presta atenção
Houve um tempo em que a gente se entendia
Olha
Olha para mim e
Me olha e diz que
Ouve-me
Diz que ainda há jeito
Sente
Senta um pouco e me ouve
Olha
ouve o que te digo
Sente minha angústia
e diz algo bom.

Série "Aleatórias Inspirações" - 3/8*

Ela pede um olhar-escavação, algo de perícia e passeio. Mas alerta para a confusão que é sua alma, seu dentro, seu peito-armadilha. Ela convulciona esse pedido e aguarda o brilho dos teus olhos vadios e dispersos varando todo o espaço abandonado que é ela em sua cama. Não pisque, aguente firme, e descobrirá que toda essa poeira dançando entre os feixes de luz amarelados de dor aguda e embaralhada é somente amor desregrado. 


* Inspiração em: http://manchareiseunome.blogspot.com.br/2015/11/reparar.html. 25.11.2015.

domingo, 15 de novembro de 2015

15.11.2015

A senhora esquecida queima o arroz
e com ele o tempero do carinho de sua neta
uma jovem mal criada azeda em sua memória
a dívida eterna de amor e almoços
de uma dedicação incondicional
O próximo prato de tanta vida insossa
servirá culpa por maus tratos.

domingo, 8 de novembro de 2015

08.05.2015

 Para E. M. e para os que ficaram, por enquanto.

Seu corpo emergiu
apodrecido de silêncio
de dor secreta
de distância desnecessária.

Seu corpo brotou em lágrimas
e afogou as lembranças
em pedaços mal colados

Seu corpo ecoou
palavra engasgada
garganta embargada
de dor e nó

Seu corpo se afastou
do pulso, do calor
para gelar nu
e triste
sobre a solidão

Seu corpo esperou
calado e frio
chamando pelo cheiro
o socorro que você
optou não ter pedido,
em vida.

domingo, 1 de novembro de 2015

Série "Aleatórias Inspirações" - 2/8*

Inferno
essa contingência
do que se espera
são
esses excessos
imprevistos
tudo o que aquece
a ausência de razão
imposta entre mim e
os outros


* Inspiração em Sartre. 01.11.2015.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

13.10.2015

Essas coisas todas
na sua frente
não são nada
se você não tocá-las

Essa sua inteireza toda
aos meus olhos
não é nada
se você não doá-la

domingo, 25 de outubro de 2015

25.10.2015

Freio às pressas
mas não a tempo
as razões que te dou
de fugir de mim
a todo instante

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Série "Aleatórias Inspirações" - 1/8*

Acende teus olhos escuros
e vem ver a revoada
de lágrimas felizes
que soltei por te ter
novamente


* Inspiração em: http://flores-na-cabeca.blogspot.com.br/2015/10/ele-e-o-passaro-dos-meus-dias.html. 21.10.2015.

domingo, 18 de outubro de 2015

18.10.2015

Chocam-se as ideias
entre as palavras
desordenadas
relutante
nasce na tela
outro poema
insignificante

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

27.09.2015

Produziu-se um ruído
entre meus olhos
e o teu sorriso

Hoje não vejo graça
no brilho dos teus caninos.

domingo, 11 de outubro de 2015

11.10.2015

É de cerveja o gosto que escorrega na garganta agora antes de deitar, certo de que seus pesadelos me acordarão daqui a pouco. É de calma que preciso e na sua ausência sei que você se angustia porque teme ser eu não o que você deseja. Sou, mesmo você não sabendo, mesmo não crendo. Sou, mas nem sempre. E quando você não está, sou sem você quase nada.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

domingo, 4 de outubro de 2015

Nós*

É do mínimo,
do sutil,
do micro
acumulado
e revolvido
continuamente
que
o significativo
surpreende
os sentidos


* 04.10.2015.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

30.09.2015

Mordida
assim
a dura
vida

Restara
então
puras
lambidas

29.09.2015

Para João


Anonimou-se
o animado
rapaz

Se antes
nomeara-se
demais

Escondeu-se
hoje em nome
de paz

domingo, 27 de setembro de 2015

Parte de 04.07.2015

Narrativas repetidas
de orgasmos apoteóticos,
irreproduzíveis
na sua cotidiana existência,
preenchiam suas madrugadas
insones de melancolia.

domingo, 20 de setembro de 2015

03.12.2014

Leite amargo.
Azedou o amor.
Olhei de baixo a cima
e no meu olhar
você não se encontrou

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

15.09.2015

Seu dedo cortado ardeu muito mais tarde, em mim, quando o ácido sulfênico das suas ações me fez chorar.

domingo, 13 de setembro de 2015

13.09.2015

- Você está percebendo isso? Que merda!
- O que?!
- Isso, esse ruído.
- Ruído? Que ruído?
- Isso, esse ruído entre nós nesse momento, não tá vendo, não?!
- Que porra de ruído?!
- Você não percebe mesmo, né?!
- Do que você está falando, inferno?!
- Disso que você acabou de fazer, caralho!
- O que?
- Ou será que sou eu?! Que merda!
- O que, porra?!
- Essas perguntas, você não percebe? Não tá vendo, não?!!
- Acho que é você! Você que tá vendo demais!!!
- Será?
- É sério, você está bem?!
- Deixa pra lá...
- Não, fala. O que houve? Do que você está falando? Que ruído é esse?! Qual o problema das perguntas?!! Puta que pariu!!
- As respostas! O problema são as respostas!
- ...

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

03.08.2015

Fui tomado de silêncio diante da minha ignorância, da minha prepotência, do meu egoísmo. Calei quando me vi cheio de mim, incapaz de acolher o outro. E quando percebi, um pouco tarde, minguei, engelhei, feito uva passa, envelheci desnecessariamente de falta e autossuficiência. Ainda não sei se é de perdão que se resolve essas coisas, penso que talvez seja apenas de calma. Calma que daqui a pouco me abro, aceito, relaxo os poros e paro de tentar interromper o que me afeta. Você me afeta e não posso impedir, não quero, embora às vezes, como dessa vez, caminhe nesse sentido idiota e mesquinho. Você me afeta e eu te afeto e sem essa afetuosidade não sei sigo. Sei apenas que não quero seguir sem seu afeto.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

02.09.2015

De inícios interrompidos
definham minhas
histórias inconclusas.
Nisso de descontinuar
coleciono então
fins imprevisíveis
de realidades
fantásticas.

domingo, 30 de agosto de 2015

09 e 26.08.2015

Eu disse não
Você deu nó
Eu não desatei
E nunca mais
fomos nós.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Desejo flutuante*

Talhei seu corpo no meu pensamento
e agora, nessas noites quentes
ao deitar suado na cama
imprimo no lençol os contornos
de um desejo que nunca realizaremos


* 26.08.2015.

domingo, 23 de agosto de 2015

Capaz*

É de desejo inventado
os olhos que te miram
rapaz
É de pressa fingida
as pernas que te escapam
capaz
de tropeçarem no imprevisto
dessa invenção:
tornar-se genuína
paixão.


* 23.08.2015.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

18.08.2015

Por que Deus não?

Porque Deus seria senão
uma mesma resposta vazia
para essas distintas perguntas
que me faço todo dia.

domingo, 16 de agosto de 2015

03.08.2015

Que silêncio é esse a dizer que
sem perceber algo estragou
nosso fim de semana?

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

12.08.2015

Amanhã eles se encontrarão
Olhando-se enquanto seguem
caminhos opostos
Imaginarão se seus destinos
se cruzam fora dessa condição.

domingo, 9 de agosto de 2015

29.07.2015

Até parece
que o vivo
não sabe
que morre
mais rápido
quando sofre
de vida
sem parto.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

13.05.2015

Ele não trazia nada de novo. Nada de novo que ele apresentava era tão diferente de antes. Tudo era mais do mesmo. Só ele não percebia que ninguém se importava com isso. Apenas ele não via que ninguém era tão diferente assim.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

18.02.2015

Talvez não seja o caso, meu amor, de anunciarem no noticiário. Mas deixe o rádio ligado! Os raios e trovões que assustam sua gata sou eu chegando molhado para lavar o chão da sua casa. Essa tempestade sou eu cobrindo cada bairro dessa cidade, acordando as crianças nos berços e camas e intimidando os veículos, seguindo na direção da sua morada, sem pena de encharcar as paredes dos edifícios e alargar os buracos da estrada... Se sua porta agora treme, talvez já seja eu querendo entrar iluminado e barulhento a fim de te tirar o sono. Invado cada cômodo na mesma velocidade que seus olhos me acompanham úmidos e arregalados.

22.04 e 29.07.2015

O casal canta
logo ali,
parece feliz.
Eu que
ouço daqui
já decidi
não vou mais
dormir.

domingo, 26 de julho de 2015

26.07.2015

O instante exato
em que a luz pousou
naquele abraço
pareceu momento ensaiado
mas era puro acaso
ficaram lindos
os corpos iluminados

26.07.2015

Os olhos dos dois
não piscaram
enquanto se olhavam
naquele curto espaço
de tempo chuvoso
quando se viram
uma vez mais
por acaso
até seguirem
novamente cada um
pro seu lado

quarta-feira, 22 de julho de 2015

03.06.2015 e 22.07.2015

Você cobriu meu corpo com um ipê amarelo.
Tronco sobre tronco, copa sobre cabeça.
Fechei os olhos e virei imagem.

domingo, 19 de julho de 2015

12.05.2011 e 19.07.2015

Danou-se pelo mundo
da imaginação
sem sair do lugar
perdeu-se em frustração.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Mais outro trecho de 15-16.11.2010

Estou a um passo de mudar de vida, sabe aquele giro de 360º? É pra lá que quero ir agora; aliás quero ir pra qualquer lugar longe de onde estou agora, de como estou agora: nervosoestressadoimpacienteagoniadotristeindeciso... eu sou apenas um reticente estado de ânimo. No meu quintal havia uma goiabeira, digo no quintal da casa dos meus pais, onde cresci. Cresci na praia e no quintal antes da praia havia uma goiabeira enorme onde pintei o sete. E lá vou eu com essa tendência a desfilar saudades e nostalgias do que não guardo nem mesmo em porta-retratos. Mas está tudo aqui em cada gesto, em cada olhar que lanço quando saio na rua, quando vou ao trabalho e quando retorno pra casa cansado do dia que me consumiu a alma e só me deixou energia suficiente para alimentar meu gato antes de deitar. Hoje me degladio comigo mesmo para que nas poucas horas livres eu possa finalmente dar o impulso que resultará nesse giro de 360º, mas tudo que acabo fazendo é aumentar minha coleção de pornografias.

22.12.2010

Lascando o peito com dúvidas até lapidar (ao menos) uma certeza!

domingo, 5 de julho de 2015

04.07.2015

Adoeci de me dar prazer...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Versão 30.11.2014 de 10.03.2013

Piso na cidade e ela devolve meu passo
com buracos, assaltos e postes apagados.
Caminho sem rumo, incerto, inseguro
respiro pausadamente.
Assusto-me com os indigentes -
tão sem culpa, da culpa que lhes dão.
E na falta de destino,
encontro lixo, pressa, solidão.
Pé ante pé sigo as placas -
quando as identifico -
dobro as esquinas,
atravesso as ruas
de semáforos queimados.
Perco meu espaço
para os carros apressados.
Buzinas, alertas, celulares tocando
Lojas, panfletos, esgoto esborrando
Os ratos passeiam livremente
as baratas já não temem mais a gente.
A cidade vai dizendo, marcando meu corpo
com seus muros, seus outdoors, seu povo
apático, assustado, indiferente, endividado.
Ela me atinge enquanto caminho diariamente.
Enquanto repouso (em estado de vigília).
E no caminhar ou no descanso,
sinto que ela também não é erguida sem mim,
pois trago no corpo, tudo dela que ajudo a construir.

domingo, 28 de junho de 2015

04.05.2015

A morte é um arquivo pesado
de download demorado
Um arquivo cujo título
sugere o triste conteúdo
Mas apenas quando
totalmente baixado
é possível ter
mais clareza
do que se trata.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

21.01.2013

Foi uma pausa angustiante.
Um intervalo silencioso
Suspendendo-os
por um
longo instante.

Pedaços de 11.04.2014

Sei que a responsabilidade não é exclusivamente sua, mas é justamente a sua parcela que tem mais me ferido, me entristecido (...).
Escrevo na tentativa de dissipar essa angústia, compreendê-la e por fim optar por uma postura menos agressiva, egoísta e injusta. Escrevo porque se falo, quando falo, perco a noção de espaço e tropeço e na raiva pela topada taco a pedra na sua direção. Escrevo porque no papel pensamento ganha dimensão e eu consigo ver com mais facilidade à imprecisão das palavras frente às nossas necessidades.

domingo, 14 de junho de 2015

Última parte de 09.03.2015

Saboto-me constantemente de maneira espontânea pois não há como controlar esse movimento perpétuo de nunca ser, esse movimento que não faz outra coisa a não ser apontar apenas o que pode haver, sempre desprovido de garantias.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sobre o Tempo*

Passa, não para.
E ao contrário
do que se declara,
não somente arrasa
ou desgraça.
Mas também semeia
novas caras.




* 10.06.2015.
** Oração ao Tempo, álbum Caetano Veloso - Cinema Transcendental (1979).

domingo, 7 de junho de 2015

07.06.2015

A vida é dobra
desdobra-se
em múltiplos
eventos
acumulando-se
sem controle
num único
acontecimento.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

03.06.2015

Fechar os olhos,
no desespero,
é apenas declarar
o ingênuo desejo
de ausentar-se do corpo
sem sair do lugar.

domingo, 31 de maio de 2015

27 e 31.05.2015

O sentido da vida
não é claro;
antes, é vago
e obscuro
às vezes
comovente
às vezes
muito duro.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

27.05.2015

O sentido da vida
não é reto;
antes, é torto
e indisciplinado
às vezes
vai na frente
às vezes
está ao lado.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

17.07.2013

O sono desabraçou-me sorrateiramente, pondo sobre a cama, ao meu lado, no seu lugar, uma coberta de ansiedade que acendeu-me os olhos ainda ardidos de um quase sonho. Já fizera isso outras vezes, mas havia tempos atreguara-se; surpreendendo-me agora com a retomada desse antigo hábito, impacientando meu juízo com a luz de um futuro-fantasma infeliz. 
Não há oração que me nine ou canção que me distraia, e assim sou obrigado a inventar palavras acolchoadas e ortopédicas onde eu possa deitar meu pensar com certa tranquilidade, para tentar despertar logo mais, menos assombrado.

Versão 20.05.2015 de 15.01.2013

E aquelas orações que fez quando criança, pedindo o melhor às pessoas que amava, também tinham prazo de validade. Deus é produto perecível, não importa se guardado em local fresco e arejado, esfarela e mofa com o tempo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Versão 13.05.2015 de 03.05.2015

Quando a música toca
vibra na carne
produz tsunamis
nas veias
e a dança
arrasta o corpo

domingo, 10 de maio de 2015

10.05.2015

As ficções que somos capazes de produzir diante da morte, apenas refletem o desejo de vermos concretizado o impossível.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

03.05.2015

Palavra no corpo
Nu corpo
projetado
Língua-pedra
Movendo dúvidas
molhadas

domingo, 3 de maio de 2015

18.03.2011

Um detector da vontade alheia
para saber o que fazer
no silêncio
entre uma troca de olhares.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

06.12.2014

Andarei lento pela cidade como se as esquinas não me ameaçassem. Seguirei devagar entre ruas e calçadas, becos e comércios. Não buscarei por nada, exceto por mais chão, deixando para trás a poeira que meus sapatos levantarem, com muito esforço, ao passar. Observarei de perto cada muro, placa, árvore, bicho, gente, prestando atenção em cada mudança de respiração, cada irregularidade do piso, cada devolução de olhar. Com sorte, me perco.

15.04.2015

Reto
Duro
Cego
Ultrapasso
seu peito
seu braço
seu laço
Despedaço
a sorte
de te amar

domingo, 26 de abril de 2015

Versão 26.04.2015 de 05.01.2013

E com a língua
no seu ouvido
fala de saliva
e gemidos.
Enquanto ensaia,
em vão, uma fuga
daqueles braços;
sufoca suado,
soterrado
pelo peito
ofegante
de quem
não tem pressa
em ser saciado.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

10.02.2015

Represa reteve uma dor que veio como uma onda, não das grandes, apenas o prelúdio de algo maior. Tem uma nova era sendo anunciada pelo movimento das placas tectônicas do meu juízo (ou falta dele). Há um novo tempo, talvez nem tão novo, mas outro apenas. O chão dentro de mim se racha e se pareço imóvel é porque estou desesperadamente tentando me manter de pé diante de tantos tremores. Quando falei contigo senti amor daqueles que sofre, daqueles dos filmes tristes, senti amor que só dá pra saber quando se afasta, mas quando se afasta a dor é tamanha que os olhos se fecham. Engasguei mas fingi fluidez. A onda não transbordou, por hora.

domingo, 19 de abril de 2015

19.04.2015

Nenhum ventilador dissipa o calor desse quarto, não importa se um ou três ou quantos couberem nas entradas das extensões espalhadas pelo chão. A cama sobre paletes não recebe brisa de nenhuma das duas janelas escancaradas por onde entram apenas poeira e silêncio. Os quadros parecem escorregarem pelas paredes à la Dalí. E os dois corpos, mesmo parados, economizando energia, suam feito esponjas ensopadas, sucessivamente espremidas sem nunca secarem. Mas quando o colchão verte-se em líquido grosso e salgado; amolecidos e insones, os corpos encontram-se suavemente até que acabam por nadarem nos braços molhados um do outro, queimando de tesão o amor de mais uma tarde enfadonha de domingo.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

04.02.2015

De novo essa tensão, essa pausa, essa constatação de que não há o que dizer. Os dedos, inertes, aguardando algum comando, alguma ideia que tome o corpo e os conduza agilmente entre as letras do teclado. Mas nada os move e se algo nesse momento é escrito é puro vazio, nada que de fato reflita ideias pulsantes e inquietas; apenas despiste, desvio. Talvez, na melhor das hipóteses, nesse dia tão ausente delas, um ensaio, um esquente, um engate para algo que necessite assim de um gradiente textual, um degradê de coisas ditas que apresente numa ponta as mais complexas e profundas e na outra, todas aquelas esquecíveis e dispensáveis. Tem dias, como esse, que cerco-me da certeza de que nunca avancei, realmente, para além dessas últimas.

15.03 e 15.04.2015

Acidentalmente, derrubei a Via Láctea bem nos meus pés. Foram farelos de planetas e cometas espalhados pelo chão do universo dessa casa sempre cosmicamente empoeirada. Tudo expandindo-se de forma tão veloz que, não duvido, algo certamente escapou de entrar no buraco negro do lixeiro... A vida não demorará a surgir por aqui!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

08.04.2015

Escondo palavras dos seus tentáculos. Não é por mal ou por desconfiança. Um dia quem sabe eles sentirão isso aqui. Por hora, distraio-te com meus olhos e meus pés e minha boca e meu peito e meu corpo inteiro. É quase a mesma coisa, é tudo do mesmo lugar. E, principalmente, é tudo verdade, é tudo amor. Sua mutação não está comprometida pela ignorância do meu esconderijo. Quando estou nele não é mais do que quando estou contigo. É outra coisa, apenas diferente, dispensa comparação porque não se sustenta por concorrência. Seus textos sim, são mais interessantes do que aquilo que não te dou para ler.

16.02.2015

De frente ao mar
para crescer de ideias
vi as ondas arearem
a praia em torno
dos meus pés
Devagar me tornei
planta regada
com água salgada

domingo, 5 de abril de 2015

05.04.2015

Natureza-morta com Às de Copas, Georges Braque (1914)


 Feito obra
de Braque
tentei mostrar
todas as faces
do que sinto
por você.
Deformei
meu amor
em geométricas
e bizarras
demonstrações
de afeto.
Daí...
você me expôs.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

01.04.2015

Se eu te digo,
é mentira.
Mas quando você fala,
você grita.
Assombra a calma
Arromba o peito
Afronta o respeito
que se desfaz
em equivocados sustenidos.

domingo, 29 de março de 2015

21 e 29.01.2015*

Para você que ronda penhascos nesse momento, desejo: não olhe para baixo. E não se envergonhe de dar um passo atrás. Mesmo dois, não é mal, acredite. Desejo: feche os olhos e mude a paisagem que se constrói aí dentro de você. Daqui, desse lado, não sei quão distante nos encontramos. Sei apenas que o meu pensamento viaja agora na sua direção, na esperança de te tocar de alguma forma e te ajudar a não cair, mas antes a levantar voo.

* A G. F.

quarta-feira, 25 de março de 2015

25.03.2015

Na calçada dividida
por linhas retas
a vida fez nascer
diversas rachaduras
irrequietas
pra você ver
que até no cimento
pode surgir poesia
quando age o tempo.

domingo, 22 de março de 2015

01.02.2015

Essas coisas vão nos destruir, eu sinto. Existem passos que não devem ser dados solitariamente. Abri precedentes para entendimentos desconfortáveis, que testam a força do que somos. Não sei o quanto te feri, o quanto doeu por trás do seu sorriso indiferente. O que talvez você não saiba e nem venha a acreditar, por mais que eu te diga, é que essa possibilidade de caminho apenas alimentou ainda mais o desejo de não me desviar de você!

quarta-feira, 18 de março de 2015

21.01.2015

Esqueça... Esse é um belo começo. Provisório, como todos.

domingo, 15 de março de 2015

Série XXX - 2/?

Aperta logo o teu dedo nervoso nesse botão, para me ver soltar flash pelos olhos e capturar o suor do teu corpo no meu.


* 29.01.2015.

quarta-feira, 11 de março de 2015

02.12.2014

Depois do tempo corrido,
dos feitos e ditos,
dos padrões estabelecidos;
tudo tão bem compreendido,
a esperança parece
ter falido.

Aprox. 12.08.2008

De todas as promessas que você me fez e não cumpriu - chocolate, celular, perfume, tatuagem, sorine... - a única da qual sempre fiz questão foi a de jantarmos juntos. Hoje, eu só peço que cumpra sua palavra de não me ligar nunca mais!

domingo, 8 de março de 2015

13.12.2014

Não se faça de vítima
não me acuse de intrigas
essas ruínas
não são somente obras minhas

quarta-feira, 4 de março de 2015

Com amor*

Estou organizando meu quarto desde o dia 29/12... Não o quarto em si, mas todas aquelas coisas que preenchem nossas gavetas e caixas de sapatos, aquelas lembranças em forma de papel e outra bugigangas - pode-se dizer que são a alma do quarto? Ou melhor, nossa alma no quarto? Uma verdadeira colcha de retalhos não exatamente de pano? Pode?... Enfim, tanto mofo, tanta coisa precisando de uma arejada, tanta coisa guardada há sabe-se lá quanto tempo. Meu Deus! E no meio dessas coisas, agora é a vez das cartas, encontrei o convite da sua festa de formatura, intacto, um pouco de mofo, é verdade, mas já limpei... Naquele dia a gente quase morre, mas para nossa sorte preferiram que nos divertíssemos muito! Lembra?!... Te amo que só quando a gente é amigo de infância, se vê quase todo dia pra ir à escola junto e cresce e faz teatro e faz faculdade e depois vai embora pra longe... E mesmo assim parece que ainda é vizinho!  Ótimo 2008! Ótima vida! Beijos!


* Início de 2008.

domingo, 1 de março de 2015

18.06.2008

Deixei meu nariz de palhaço guardado na bolsa, para o caso da gente se encontrar de repente, vai que a gente se esbarra... Tem algo na sua voz e no que você me conta sobre você que me soa com um ar de ingenuidade e isso me amedronta. É algo que não sei explicar exatamente, mas é dito de uma forma que eu...
De repente caiu a ficha de que todo cuidado é pouco e o que se há de fazer é não deixar de falar, ainda mais quando o que nos sustenta basicamente são as palavras. Mas do que nós estamos falando realmente? O que deve ou não ser dito? Como dizer e ser compreendido? O que existe em nossos silêncios?!

18.12.2014

Quanto mais se delimitam os problemas
tanto mais as soluções se desdobram em dilemas.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Por hora*

Dez.2011


Parto
pétala
por você
Meu bem
não quer
mas partirei.
Por hora
falto
mas voltarei.


* 21.01.2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

29.12.2014

Basta passear com a língua onde, em você, o clima é temperado e logo me banho numa chuva de gemidos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Série "MPBesta" - 1/4*

"Venha me beijar
meu doce vampiro"
...
não no pescoço
abaixo do umbigo


* 14.01.2015.

07062014

Misturotudonãoseisepararatétento,emvão

domingo, 11 de janeiro de 2015

Falácia*

Falésia
Falo
Eco
Calo
Engulo
Soluço
Pulo
Grito
Urro
Engasgo
Caio
Corto
Sangro
Sujo
Luto
em vão
No chão
morro.


* 03.12.2014.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

29.12.2014


Série "Infame Amor" - 5/5*

- Adivinha quem vai lavar a louça...
- Você!
- Eita, não sabe nem brincar!!!


* 04.01.2015.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Série "Infame Amor" - 4/5*

- Oh amor, eu não quero beijar agora!
- Se você não me beijar, eu vou cuspir na sua cara!
- Cuspa, pra você ver!
- Rrhhssptu!
- Você cuspiu na minha cara!!
- Você que mandou!
- Eu vou te bater!
- Bata!
(Pow)
- Aaaai!!
- Você pediu!
- Eu vou te arranhar!
- Venha!
- Aaaai!
- Eu vou morder seu pau!
- Não, não, nãããao!! Ficou a marca!!!!
- Eu avisei! Ei, o que vai fazer com esses três dedos?! Não, não, no meu cu não!!!
- Toma!!!
- Aaai, meu cu!!
- Aii meu cabelo!! Solta!!
- Venha aqui vá, engula meu pau, vá engula!!
- AAhggguoo! Aai, fiquei sem ar!! Você me machucou!!
- Oh, desculpe, desculpe, amor... Um beijo vá, um beijinho...
- Huuum.


* 24.12.2014.

03.01.2015