domingo, 19 de abril de 2015

19.04.2015

Nenhum ventilador dissipa o calor desse quarto, não importa se um ou três ou quantos couberem nas entradas das extensões espalhadas pelo chão. A cama sobre paletes não recebe brisa de nenhuma das duas janelas escancaradas por onde entram apenas poeira e silêncio. Os quadros parecem escorregarem pelas paredes à la Dalí. E os dois corpos, mesmo parados, economizando energia, suam feito esponjas ensopadas, sucessivamente espremidas sem nunca secarem. Mas quando o colchão verte-se em líquido grosso e salgado; amolecidos e insones, os corpos encontram-se suavemente até que acabam por nadarem nos braços molhados um do outro, queimando de tesão o amor de mais uma tarde enfadonha de domingo.

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