quarta-feira, 1 de julho de 2015

Versão 30.11.2014 de 10.03.2013

Piso na cidade e ela devolve meu passo
com buracos, assaltos e postes apagados.
Caminho sem rumo, incerto, inseguro
respiro pausadamente.
Assusto-me com os indigentes -
tão sem culpa, da culpa que lhes dão.
E na falta de destino,
encontro lixo, pressa, solidão.
Pé ante pé sigo as placas -
quando as identifico -
dobro as esquinas,
atravesso as ruas
de semáforos queimados.
Perco meu espaço
para os carros apressados.
Buzinas, alertas, celulares tocando
Lojas, panfletos, esgoto esborrando
Os ratos passeiam livremente
as baratas já não temem mais a gente.
A cidade vai dizendo, marcando meu corpo
com seus muros, seus outdoors, seu povo
apático, assustado, indiferente, endividado.
Ela me atinge enquanto caminho diariamente.
Enquanto repouso (em estado de vigília).
E no caminhar ou no descanso,
sinto que ela também não é erguida sem mim,
pois trago no corpo, tudo dela que ajudo a construir.

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