quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

23.12.2015

Tenho cuspido tanto amargor nos últimos dias, expelido a tristeza e o pessimismo latentes em meu pensamento, não é para ver a casa escurecer e afundar numa atmosfera densa e insuportável. Tenho dito toda essa dor e agonia antes como quem tenta se livrar de um veneno despojado que corre à vontade na corrente sanguínea, dissolvendo a vida já tão amarga. É na tentativa de sorrir que grito essa raiva diariamente para ver se me esvazio desses nós que me incomodam o sono mesmo nas mais ortopédicas noites de sexo. É no desejo de ser feliz que seguro as paredes com as mãos espalmadas e os olhos fechados deixando que a incompreensão e toda tensão que ela acarreta escoe para a terra e lá se disperse. Tento enterrar os maus presságios, especialmente os infundados, tanto quanto as minhas unhas suportam o atrito com as pedras que encontram no caminho. Não é cemitério que quero construir ao meu redor, é jardim.

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