quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Versão 21.12.2016 de 20.12.2015

Hoje tem duração de passagem de ida sem volta.

domingo, 11 de dezembro de 2016

16.12.2015 e 11.12.2016

A pétala está
atolada de pólen
À espera ansiosa
da abelha operária
que não tem
um dia de folga

domingo, 4 de dezembro de 2016

12.11.2016

É contra a crueldade que posso cometer com o que estou lutando todos esses dias. Duelo exaustivamente em pensamento e os golpes desferidos expõem toda minha incapacidade de ser piedoso. Meu oponente não luta comigo, mas sim contra si próprio. Nessa batalha eu sou meu maior inimigo; filho de fragilidades quase irremediáveis!

08.05.2016

Vou deixar correr. parei. Sei que devia deixar correr, mas um lapso de medo interrompeu o primeiro plano. persisto. Deixarei correr essas palavras, pois são elas que possuo agora, somente elas. Não sei qual virá adiante, sobre o teatro, sobre a mãe, sobre Magno, sobre. Nova interrupção. Não deixarei que pare, correrei com elas nesse instante até que me satisfaça com o que lerei em breve. Te amo, penso. Não sei a quem me dirijo. Te amo, repito. Me perturbo, talvez seja apenas um desvio, uma estratégia para evitar o que. Não pararei. Deixarei correr. o que de fato deva sair, o que de fato quer sair. O que de fato preciso dizer. Gozei. Interrompi. Não pararei. Correrei com essas palavras porque não devo dormir sem antes deixar aqui registrado esse fluxo de pensamentos, esse fluxo de desejo, esse fluxo de mim que tanto interrompo dia a dia, diariamente me evito. Diariamente me escondo em mim mesmo e sorrio tentando disfarçar. Não pararei, sigo porque é preciso, porque há sempre o que dizer, não é possível parar, se conformar, acreditar que tudo vai bem. Há uma coisa a dizer, talvez muitas. Há palavras, sentimentos a expressar antes de dormir, antes de calar novamente. Te odeio, tenho te odiado, eu penso. Sei a quem me refiro. Náo digo. Digo. Pai, tenho te odiado por querer ser um pai que não cabe mais ser. Tenho te evitado porque não sei mais sorrir de mentira, não para você. Talvez não seja ódio. Talvez seja muito, acumulado de anos, porque agora me dou conta das coisas feitas, ditas, das coisas escondidas, das falhas e principalmente da falta de desculpas. Eu reivindico suas desculpas. Não me conformo que não se sinta culpado, responsável por tanta infelicidade. Não me conformo em não conseguir gritar contigo, quero vomitar toda essa raiva, todo esse descontentamento. Não pararei. Digo, repito, insisto. Pai, não sei se te amo porque entendi que nessa história que carrego na memória você não soube ser. Você impôs um ser blindado de questionamentos. Hoje, a farsa é clara. Hoje, te questiono e você vacila. Pai, lamento, mas suspeito que nossa despedida terá gosto amargo de vida mal resolvida. Parei, por hora. Ainda há o que dizer, não agora.

domingo, 2 de outubro de 2016

10.05.2016 com sutil alteração de sentido em 02.10.2016

Ele pôs as roupas na máquina de lavar e depois chorou por não ter a menor noção do que de fato lhe afetava na vida. A água subia lentamente encharcando o jeans e os R$ 5,00 esquecidos no bolso. Seu desejo era dar o mergulho de mar tão adiado só para ver se de lá, banhado de sal e sol, sentiria uma pista da dor, da cor encardida que lhe rendia as lágrimas da ausência de afetos. Revolvia o que podia dentro de si, a máquina. Ele, de molho, não sabia como lidar com a sujeira acumulada, transbordando em seu cotidiano desprotegido de imprevistos.

terça-feira, 7 de junho de 2016

03.06.2016


A boca da noite manteve-se aberta por um bom tempo parcialmente nublado e soprando um hálito frio. O céu da boca da noite estava pintado de cinza e tons de rosa, amarelo suave e no fim um laranja denso. Fui engolido entre antenas, partes de edifícios, caixa d'água, um farol distante e postes com seus fios arreados. O ritmo dessa degustação variou entre sombras, fotos, interrupções, caspa e fios mortos das mãos na minha barba. O olhar quase não deu às costas à luz, mas gostou de ver onde ela batia e repartia os membros entre opacos e iluminados. A boca da noite me engoliu demoradamente. Mergulhei nos últimos feixes de luz do dia dançando.

domingo, 5 de junho de 2016

26.04.2016

Ruídos existem por toda parte
são partículas de ordens possíveis
vibrações diferenciadas
em meio ao hegemônico uníssono
que nos faz acreditar
no silêncio como único reino da paz

terça-feira, 26 de abril de 2016

09, 10 e 26.04.2016

Não se espante,
Ao se acordar,
rapaz.
Estou na praia,
vim mergulhar.
Não volto mais.
Não perca tempo
Não venha atrás
Pois se vier
Quando chegar
encontrará
apenas o mar.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

22.04.2016

É de areia que teu pé precisa.
Daquelas bem fofas e macias.
Brilhantes também. Não desérticas,
mas frias da tarde que se inicia.
Caminha e afunda levemente os passos
mantendo-se em equilíbrio precário
do mesmo modo que a vida
passeia sobre seu dia a dia.

terça-feira, 19 de abril de 2016

30.12.2015

Pouco importa, pensava enquanto a conversa seguia fluída e sorridente. Pouco importa, não era bem assim; importava. Tanto que não interrompeu ninguém para gritar sua indiferença e sair tranquilo deixando a todos num estado de susto. Era um surto fantasioso que lhe ocorria naquele momento, uma vontade de abandonar aquelas pessoas, aquele papo, aquela festa e sair tranquilo a caminho de casa. Podia fazer, mas não era apropriado. Queria em parte, mas também se importava com o que deixaria para trás. O que gritaria lhe seguiria como um eco interminável, não suportaria, não tinha condições para arcar com as consequências daquela ruptura intempestiva. Continuou sorrindo, mas não arriscou muitas frases com receio de prolongar a noite para além do que sua simpatia poderia aguentar. Bocejou algumas vezes na intenção de contaminar de forma insuspeita os demais convidados e assim forçar uma despedida em massa. Mas importava-se, então tratava de recuar os instintos autodestrutivos e sorria um pouco mais, disfarçando para si mesmo a vontade de não estar ali ou em qualquer outro lugar, de não existir nessa realidade ao menos, mas não conhecia outras e se conhecesse certamente não saberia como migrar de uma para outra e ainda que soubesse, seu medo o impediria de fazê-lo.

terça-feira, 12 de abril de 2016

12.04.2016

Vacilando avanço
e retrocedo e marco
os passos que desenham
os caminhos
as pistas
os atalhos
Nada muito permanente
Nem tudo assim tão vago
construo estradas
vias
trechos
brechas
desvios
alternando tropeços
e passos ensaiados
respeito terra e pedra
onde não cabe asfalto
É de seguir sempre
o gosto de quando paro.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Início de 30.12.2015

Dos desejos antigos, hoje acho muita graça daqueles de esperar, em silêncio, que o outro fizesse o que eu queria.

terça-feira, 29 de março de 2016

Versão 29.11.2015 de 24.09.2015

Infértil elo
entre olhos
carentes
Sabem se amarem
não sabem como.

terça-feira, 22 de março de 2016

16.12.2015

Pense que sou bipolar, então.
Uma hora deposito sorrisos
em seus olhos.
E noutro momento escavo
lágrimas de irritação.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Série "Aleatórias Inspirações" - 6/8





Uma sombra anuncia um susto
Descuido de garota mal escondida
é pago com surpresa desagradável
talvez nessa floresta
a melhor saída seja
não confiar nas árvores


A partir da obra de P. Lucena. Texto em 15.11.2015.

terça-feira, 8 de março de 2016

06.02.2015

Esperei por você
a noite inteira.
Você ameaçou chegar,
quase esteve lá,
mas segui abandonado.
Você não pode
mais fazer isso,
eu também.
Se não virá,
me viro com ninguém.

quarta-feira, 2 de março de 2016

01.03.2016

Para o ser de azul.

Tem tradução o silêncio
imposto pela morte
inesperada?
Que língua é essa
a da vida
que se cala?

domingo, 21 de fevereiro de 2016

01.01.2013

Eu penso em partir
enquanto você só me deseja o melhor.
Será que se for, poderei voltar?
Será que o seu desejo se realizará?
Eu me distancio pouco a pouco
e você seguindo minhas pegadas,
cada vez mais duras, mais pesadas.
Será que esse é o caminho?
Será que mereço seu carinho?

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Duas frases de 18.04.2013

Começar do que não se sabe não é nada fácil. [...] O que não sei dizer tem a ver com uma seriedade que me toma quando te vejo partindo para longe do que não desejo para você.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

23.03 e 02.04.14

Inscreve no meu corpo
sua língua vadia
deixe-a escorrer
saliva em meu peito
enquanto te assisto
e sinto
e sento sobre ti
sobre teu membro
marca em meu corpo
os dentes sedentos

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

12.12.2014

A língua saliva e lambe o suor do pescoço do outro
o outro ofega e geme no ouvido do outro
o outro passeia com as mãos nas costas do outro
o outro arrepia-se e roça a barba no outro
o outro aperta firme as coxas do outro
o outro sorri louco e mordisca os próprios lábios.

domingo, 31 de janeiro de 2016

25.10.2015

calma
clamo
a mim
mesmo
certo
disso
ferir
todos
meus
medos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Série "Aleatórias Inspirações" - 5/8

Tem dias que a casa
a rotina
a dispensa
bagunça a gente
enquanto o cão
passeia por perto
atrás de afeto
e cria poesia
entre seu pelo
e nossos dedos
de afago e
solidão.


A partir de: http://manchareiseunome.blogspot.com.br/2016/01/o-que-voce-esta-fazendo.html#comment-form. 21.01.2016.

domingo, 17 de janeiro de 2016

07.01.2016

Brotou em desejos
de partir
marcando o mundo
com um caminho
próprio
ainda que sinuoso
avolumou-se
de correntezas, riu
e correu pro mar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

30.12.2015

Você não precisa
se preocupar com isso, 
ouviu incrédulo. 
Preocupou-se, então
com tudo, escondido.