terça-feira, 26 de abril de 2016

09, 10 e 26.04.2016

Não se espante,
Ao se acordar,
rapaz.
Estou na praia,
vim mergulhar.
Não volto mais.
Não perca tempo
Não venha atrás
Pois se vier
Quando chegar
encontrará
apenas o mar.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

22.04.2016

É de areia que teu pé precisa.
Daquelas bem fofas e macias.
Brilhantes também. Não desérticas,
mas frias da tarde que se inicia.
Caminha e afunda levemente os passos
mantendo-se em equilíbrio precário
do mesmo modo que a vida
passeia sobre seu dia a dia.

terça-feira, 19 de abril de 2016

30.12.2015

Pouco importa, pensava enquanto a conversa seguia fluída e sorridente. Pouco importa, não era bem assim; importava. Tanto que não interrompeu ninguém para gritar sua indiferença e sair tranquilo deixando a todos num estado de susto. Era um surto fantasioso que lhe ocorria naquele momento, uma vontade de abandonar aquelas pessoas, aquele papo, aquela festa e sair tranquilo a caminho de casa. Podia fazer, mas não era apropriado. Queria em parte, mas também se importava com o que deixaria para trás. O que gritaria lhe seguiria como um eco interminável, não suportaria, não tinha condições para arcar com as consequências daquela ruptura intempestiva. Continuou sorrindo, mas não arriscou muitas frases com receio de prolongar a noite para além do que sua simpatia poderia aguentar. Bocejou algumas vezes na intenção de contaminar de forma insuspeita os demais convidados e assim forçar uma despedida em massa. Mas importava-se, então tratava de recuar os instintos autodestrutivos e sorria um pouco mais, disfarçando para si mesmo a vontade de não estar ali ou em qualquer outro lugar, de não existir nessa realidade ao menos, mas não conhecia outras e se conhecesse certamente não saberia como migrar de uma para outra e ainda que soubesse, seu medo o impediria de fazê-lo.

terça-feira, 12 de abril de 2016

12.04.2016

Vacilando avanço
e retrocedo e marco
os passos que desenham
os caminhos
as pistas
os atalhos
Nada muito permanente
Nem tudo assim tão vago
construo estradas
vias
trechos
brechas
desvios
alternando tropeços
e passos ensaiados
respeito terra e pedra
onde não cabe asfalto
É de seguir sempre
o gosto de quando paro.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Início de 30.12.2015

Dos desejos antigos, hoje acho muita graça daqueles de esperar, em silêncio, que o outro fizesse o que eu queria.