terça-feira, 19 de abril de 2016

30.12.2015

Pouco importa, pensava enquanto a conversa seguia fluída e sorridente. Pouco importa, não era bem assim; importava. Tanto que não interrompeu ninguém para gritar sua indiferença e sair tranquilo deixando a todos num estado de susto. Era um surto fantasioso que lhe ocorria naquele momento, uma vontade de abandonar aquelas pessoas, aquele papo, aquela festa e sair tranquilo a caminho de casa. Podia fazer, mas não era apropriado. Queria em parte, mas também se importava com o que deixaria para trás. O que gritaria lhe seguiria como um eco interminável, não suportaria, não tinha condições para arcar com as consequências daquela ruptura intempestiva. Continuou sorrindo, mas não arriscou muitas frases com receio de prolongar a noite para além do que sua simpatia poderia aguentar. Bocejou algumas vezes na intenção de contaminar de forma insuspeita os demais convidados e assim forçar uma despedida em massa. Mas importava-se, então tratava de recuar os instintos autodestrutivos e sorria um pouco mais, disfarçando para si mesmo a vontade de não estar ali ou em qualquer outro lugar, de não existir nessa realidade ao menos, mas não conhecia outras e se conhecesse certamente não saberia como migrar de uma para outra e ainda que soubesse, seu medo o impediria de fazê-lo.

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