terça-feira, 7 de junho de 2016

03.06.2016


A boca da noite manteve-se aberta por um bom tempo parcialmente nublado e soprando um hálito frio. O céu da boca da noite estava pintado de cinza e tons de rosa, amarelo suave e no fim um laranja denso. Fui engolido entre antenas, partes de edifícios, caixa d'água, um farol distante e postes com seus fios arreados. O ritmo dessa degustação variou entre sombras, fotos, interrupções, caspa e fios mortos das mãos na minha barba. O olhar quase não deu às costas à luz, mas gostou de ver onde ela batia e repartia os membros entre opacos e iluminados. A boca da noite me engoliu demoradamente. Mergulhei nos últimos feixes de luz do dia dançando.

Um comentário:

Laisa Ferreira disse...

Você me levou para uma Salvador às cinco da tarde, eu num ônibus lotado, vendo os carros de vidro fechado e ar-condicionado ligado na Av. Contorno que contorna o mar.
Cena mais linda e mais triste do mundo.


Sinto saudades.
Mas trago as mesmas desculpas de sempre para minha ausência.

um beijo doce,